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Mão Morta [Hard Club, Porto]

Noite de Halloween, casa cheia no Hard Club, conjuntura de volatilidade política no país, é difícil imaginar melhor cenário para o retorno dos Mão Morta ao Porto, numa altura em que promovem o seu último trabalho Pelo Meu Relógio São Horas de Matar.

O concerto começou com uma surpresa, Miguel Pedro, membro fundador dos Mão Morta, não poderia tocar por ordens do médico, assim sendo coube a Ruca Lacerda (multi-instrumentalista associado a projetos como Supernada, GNR, Jafumega…) o papel de o render fruto desse infortúnio. E que bem o fez!

O concerto começou com um dos temas mais emblemáticos do último trabalho da banda, “Irmão da Solidão”, que embora já tenha sido editado, em 2012, numa compilação da Rastilho, apenas agora teve a merecida visibilidade. Saliente-se que, por esta altura, notava-se ainda uma espécie de adaptação da banda ao “novo” baterista, algo que Adolfo Luxúria Canibal fez questão de por em evidência entre músicas. Seguiram-se clássicos como “Quero Morder-te as Mãos”, “Oub’ Lá” ou “Berlim (Morreu a Nove)” antes de “Histórias da Cidade” ser tocado pela primeira vez como o icónico frontman fez questão de anunciar.


Evidenciamos também a atenção que Mutantes S.21 recebeu, sendo tocadas, para além da já referenciada “Berlim (Morreu a Nove) ”, “Budapeste (Sempre a Rock & Rollar) ”, “Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real) ” e “Lisboa (Por Entre as Sombras e o Lixo) ” sempre com um ambiente diferente proporcionado por Ruca Lacerda. Se os fãs mais die hard poderão ter estranhado esta abordagem, há que dar o devido valor pela capacidade e entrega demonstradas e pela feição mais crua que foi proporcionada.

O concerto foi o equilíbrio perfeito entre clássicos e temas novos como demonstrado pela reta final, quando “Horas de Matar” serviu para acabar o concerto previsto e se conjugou com “E Se Depois” num encore imprevisto que serviu para Miguel Pedro finalmente fazer o gostinho às unhas, numa interpretação comedida, mas muito capaz.


Texto: João Pedreda | Fotografia: Nuno Fangueiro
Agradecimentos: Anabela Cruz @ Valentim de Carvalho