free website stats program

Mars Red Sky [Outubro 2014]

Entrevista por Cristina Costa

Vindos de França, os Mars Red Sky marcaram presença na primeira edição do Reverence Valada Festival. Tendo já actuado no SonicBlast Moledo o verão passado, as terras lusas não lhes foram totalmente desconhecidas. Julien Pras (voz e guitarra), Mat Gaz (bateria), Jimmy Kinast (baixo) tiveram, então, a missão de encerrar a noite no dia de recepção a todos os festivaleiros, reunidos num só espaço, em que a música era quem fazia mover tudo e todos. Simpáticos e divertidos, o trio aceitou trocar umas palavras com a Rock n’ Heavy.

Vocês estiveram em Portugal no ano passado, para o SonicBlast Moledo. Eu assisti ao concerto e foi muito bom! Estão entusiasmados por voltarem a Portugal?

Matt: Obrigado! Sim, a última vez em Portugal foi muito divertida, foi o primeiro festival em que estivemos em Portugal e foi a horas, o que foi incrível para nós! (estou a brincar). Mas Moledo foi muito muito bom e hoje à noite, veremos. Esperemos que seja igualmente bom estamos contentes por voltar.

Já aprenderam algum português?

Matt: Acho que sabemos “Obrigado” (risos).

Na bagagem trazem o vosso novo trabalho, “Stranded in Arcadia”. Podem falar-nos um pouco sobre ele?

Jimmy: Nós gravamos o álbum no Brasil, sem sequer o termos planeado. Era suposto termos gravado nos Estados Unidos, mas tivemos problemas com a imigração. Nós estávamos em digressão pelo Brasil e não nos foi possível regressar à Califórnia. Mas tivemos sorte porque o nosso agente no Brasil, Felipe Toscano, arranjou-nos um estúdio para pouparmos tempo, de certa forma. Foi muito fixe e rápido, embora não fosse o tipo de estúdio que estávamos à espera, divertimo-nos muito. Provavelmente, será lá que faremos o próximo trabalho. Acho que é uma óptima história, por isso estamos felizes com o álbum.

O significado do título do álbum tem a ver com essa experiência, certo? O lado bom e mau de terem ficado lá presos…

Jimmy: Exacto!

Como é que tem corrido a tour até agora? Alguma história que mereça ser contada?

Jimmy: Muito bem. Na verdade, nós não fizemos uma tour em sentido lato, mas sim “spot shows”. Por exemplo, tocamos algumas vezes com uma excelente banda francesa, famosa, o que foi muito bom para nós, porque tocamos para tantas pessoas que não conhecíamos. Também fizemos um evento especial em Bordéus, bem como alguns festivais. Foi muito fixe.

Eu li algumas entrevistas vossas e reparei que as pessoas têm alguma dificuldade em caracterizar o vosso som. Vocês são todos diferentes, e por isso trazem coisas diferentes à banda. Falando a nível geral, não acham que há uma grande necessidade de rotular rudo? E muitas vezes, nem é preciso isso, mas sim ouvir e gostar (ou não), independentemente do que seja…

Mat: Sim. Para mim, prefiro ter exposição do que um rótulo definido.

Jimmy: Ele está certo. E o que fazemos acaba por ser especial…

É uma mistura interessante, incluindo a voz…

Jimmy: Obrigado! No início, rotularam-nos de ‘stoner’. Nós tínhamos muitas distorções e o stoner é um estilo de música abrangente, o que nos ajudou, de certa forma.

(Julien) Falando em stoner, lembro-me de dizeres numa entrevista que muitas bandas são rotuladas, precisamente, de “stoner”. O que achas deste movimento crescente no stoner nos últimos tempos? Parece que toda a gente gosta de stoner agora…

Julien: Acho que sim, mas é uma questão de ciclo, provavelmente. Tudo aquilo que é psicadélico, o rock dos anos 70… está na moda agora. Há tanta música hoje em dia, por isso, as pessoas, provavelmente, necessitam de rotular as coisas. Como o Jimmy disse, stoner é uma palavra muito genérica.

Vocês são todos de diferentes “lugares”, musicalmente. Acham que a música é a melhor forma de unir as pessoas?

Mat: É uma forma, sim, mas não a melhor, talvez.

Jimmy: Eu diria que pode depender do tipo de música, talvez eles não o sintam. Não é uma questão de paixão, é o que eu acho, embora se possa pensar que sim. Comercialmente, tentam expor as bandas muito rapidamente porque sabem que vão ganhar dinheiro com elas. Mas as pessoas que vão ver as bandas estão lá verdadeiramente, no sentido em que sentem mesmo a música. São completamente sinceras em relação a isso. Por exemplo, o indie rock, por um lado há aquela atitude do “eu gosto desta banda, não gosto daquela”, mas eles ouvem a música e têm uma mente aberta. Podem ser críticos, (por exemplo, “este não foi o melhor concerto deles, mas são bons.”) mas sabem do que estão a falar. Julien: Como tinha dito antes, o stoner e toda a música dentro dele é moda e isso até é bom de certa forma. Depois também tens a cena do underground, onde estão as bandas “reais”. Jimmy: Não fomos nós que alcançamos essa ideia, mas sim as pessoas, porque ouviram alguma coisa em algum lado. Acho que é bom na mesma, sabes. É a minha opinião. Há cada vez mais pessoas, cada vez mais festivais, de ano para ano, que incidem sobre este tipo de música. Podemos não gostar de algumas bandas, assim como estas podem não gostar de nós, o que é justo. Mas as pessoas…

Elas gostam mesmo e estão lá por isso.

Jimmy: Exacto! Continua a ser muito bom. Veremos a perspectiva do movimento depois de muitos álbuns comerciais, muitas bandas novas “empurradas” por rótulos… Talvez não seja o mesmo em alguns anos.

Vocês vão estar aqui durante o resto do festival. Que bandas planeiam ver?

Mat: Yeah. Swervedriver…

Jimmy: Graveyard, Electric Wizard, of course…

Para além da vossa tour, o que é que nos podem revelar sobre o futuro dos “Simon Sabbath? Posso chamar-vos isso, certo?

Mat: (risos) Sim, podes! (risos). Vamos estar em tour até ao final do ano… Jimmy: Para a banda ou pessoalmente?

Ambos!

Jimmy: (risos) Ok. Eu sei o que vou fazer, vou separar-me destes gajos, eles são a mesma banda tipo durante, sessenta dias, estou certo que vamos ficar bem.

Mat: Vais tornar-te uma mulher em breve, não é?

Jimmy: (a cantar) “I’ll become a woman soooon!” Mat: No próximo ano, vamos continuar em tour. Também vamos tirar algum tempo para escrever músicas novas.

Então para terminar, o que é que podemos esperar do vosso concerto esta noite?

Mat: back line… (risos). E ser capaz de tocar seria óptimo!

Acho que é isto então!

Mat: Muito obrigado!

 

Foto: Salmanski-Bartosch