free website stats program

Marty Friedman – Inferno

O nome de Marty Friedman não será desconhecido para qualquer fã de Thrash Metal que se preze; o americano foi guitarrista da influente banda Megadeth durante uma das suas épocas douradas nos anos 90, que incluiu os álbuns Rust in PeaceCountdown to Extinction, clássicos da banda e do género.

Afastado para seguir outros projectos e cativado pelos ares exóticos do Japão, Friedman regressa ao fim de algumas experiências mais excêntricas na Pop japonesa com Inferno, um cd que traduz o que de melhor ele sabe fazer: Metal sem limites.

Dando asas à sua criatividade na guitarra, o músico recruta inúmeros convidados para o álbum, sobretudo para se encarregarem dos vocais e é aqui que reside o primeiro trunfo de Inferno: ao contrário da maioria dos discos recheados de convidados e à semelhança de …Like Clockwork, dos Queens of the Stone Age, os restantes músicos nem servem apenas para afagar o ego de Friedman nem o ensombram, complementando-se com mestria na maioria dos casos e resultando em músicas completas e com identidades próprias, que tanto se identificam com o guitarrista como com os convidados.

Para especificar, a colaboração que melhor resulta é com Danko Jones, da banda canadiana homónima, que dá a voz a “I Can’t Relax”, uma faixa com a velocidade do Thrash e a energia do Punk e com um refrão altamente contagioso e partilha vocais com Alexi Laiho dos Children of Bodom na pesadíssima “Lycanthrope”, onde se encontra um dos melhores riffs de guitarra do cd.

De resto, entre os pontos positivos destacam-se ainda a exótica “Wicked Panacea” em colaboração com o duo acústico de flamenco Rodrigo Y Gabriela e “Sociopaths” com David Davidson, faixa pesada com um refrão também cativante, sendo que também existem colaborações menos conseguidas, como a extravagante “Meat Hook” com Jorgen Munkeby ou a balada sem sabor “Undertow”, com Gregg Bissonette e Tony Franklin.

Quando sozinho, Friedman também não se deixa apanhar no erro de fazer músicas em que demonstra a sua técnica impecável (embora ela esteja lá) como forma de pavoneamento, tendo antes um controlo irrepreensível da melodia, “disparando” riffs e construindo “ganchos” melódicos com uma precisão fantástica para depois, claro, soltar o seu génio em solos explosivos, como na faixa-título ou na épica “Horrors”.

Assim sendo, em Inferno Marty Friedman volta ao que melhor sabe fazer, ou seja, um disco de Metal clássico, com convidados de qualidade que não ensombram o álbum e permitem ao guitarrista mostrar o seu génio que ainda faz os fãs de Megadeth suspirar.