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Mechina – Empyrean

Os Mechina são originários de Chicago, Illinois, Estados Unidos da América, Planeta Terra, Sistema Solar, Via Láctea… No entanto, quando carregamos na tecla play e Empyrean entra em rotação é como se fôssemos sugados através de um buraco negro e submetidos aos alucinantes princípios da mecânica quântica, na medida em que a música dos Mechina possui um inegável poder de transmutação, alienação e alucinação. A banda presta reverência aos Fear Factory, apontando ainda influências tão ecléticas como Dimmu Borgir, Meshuggah, Front Line Assembly, Emperor, Juno Reactor, Ulver, Celldweller, Vital Remains, Hans Zimmer, Jeremy Soule e Bill Brown, entre muitos outros. Mas elencar todos esses nomes não nos deixa nem um nanómetro mais perto de compreendermos a real dimensão deste universo musical.

Iconoclastas por excelência, desde 2004 que os Mechina subvertem as regras do metal, extrapolando os limites musicais mais extremos, incorporando ritmos alucinantes e melodias orquestrais, e explorando uma vivência lírica verdadeiramente “sui generis” que promove uma diatribe entre a humanidade e a religião, projetada num “décor” espacial e Sci-Fi.

“Empyrean” é uma fábula cibernética e cinematográfica. Se este ainda fosse o tempo dos filmes épicos de ficção científica, das fantasias oníricas sobre mundos longínquos e surreais, das novelas gráficas deslumbrantes e avassaladoras, este álbum seria a banda sonora perfeita para nos catapultar diretamente para o meio da ação, envolvendo-nos numa atmosfera caleidoscópica e voluptuosa.

Terceiro capítulo de uma trilogia conceptual, iniciada com “Assembly of Tyrants” e “Conqueror”, “Empyrean”, seguindo caminhos já trilhados no passado leva, no entanto, a dimensão orquestral e sinfónica a níveis verdadeiramente sublimes e recorre ainda a uma utilização mais diversificada das vocalizações, incluindo a voz feminina e uma mais prolífica alternância entre o registo limpo e o gutural.

O núcleo em fusão de “Empyrean” explode a partir do momento em que o quarto tema, “Imperium” irrompe em ondas cataclísmicas. De facto, o tríptico essencial deste álbum é composto por “Catechism”, momento mais explosivo e metal deste trabalho; seguindo-se a profusão eletrónica da ritmicamente inebriante “Eleptheria”, sendo que a próxima, a homónima “Empyrean”, faz a síntese dos temas anteriores combinando a dimensão eletrónica com a vocação mais pesada da banda, nomeadamente através de um complexo jogo de vocalizações. “Infineon” assume uma dimensão mais convencional, alicerçada numa combinação simples, mas sólida, de Death Metal e ambiências eletrónicas. Para abrilhantar ainda mais este trabalho, a mastodôntica e truculenta “Terminus” fecha com chave de ouro o álbum, até porque graças ao seu maior fôlego traduz de uma forma mais teleológica os princípios basilares que norteiam a música dos Mechina.

Para finalizar saliente-se o facto de estarmos na presença de um álbum lançado de forma independente, ou seja, sem os meios subjacentes aos registos suportados, apoiados e dinamizados por editoras. No entanto, o trabalho de produção, apesar de alguns aspetos que podiam ter sido trabalhados e resolvidos de uma forma mais assertiva, apresenta uma qualidade assinalável e supera até trabalhos lançados através de uma chancela editorial de referência.

“Empyrean” não agradará a gregos e troianos, até porque foge aos paradigmas do metal mais convencional, no entanto para os fãs de sonoridades industriais e estilos de fusão entre a eletrónica e o metal, este pode muito bem ser um dos álbuns de referência para o ano de 2013.