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Meo Marés Vivas [Dia 1]

A décima segunda edição do MEO MARÉS VIVAS viu um primeiro dia repleto de clássicos acompanhados de bom tempo e bom ambiente.


Parece Déjà vu. Os mesmos Lazy Faithful, mesmo palco, mesma hora e claro, o mesmo roupão dois anos depois. No entanto, rapidamente o público, que se encontrava dividido entre a música do Palco Santa Casa e os inúmeros stands, se apercebeu de que eram agora uma banda mais experiente. A abrir pela segunda vez o MEO MARÉS VIVAS, a banda portuense brindou-nos com o seu rock old-school materializado no seu primeiro álbum lançado no início do ano, Easy Target com o seu EP de 2012, Nothing Goes On, à mistura.


Foi depois altura do psicadelismo dos Capitão Fausto subir a palco. Mesmo com uma baixa parcial – um dos guitarristas atuou com o seu braço direito engessado – foram capazes de captar e manter a atenção do público mesmo até ao início do espetáculo no Palco MEO.


O público passou então para o Palco MEO onde um público considerável mas ainda longe, muito longe, dos 25 mil prometidos e dos 22 mil atingidos segundo a organização, recebeu perplexo as duas primeiras músicas, sendo a primeira um remix da “The Imperial March” do Stars Wars Episode V e a segunda um dos maiores êxitos dos Skindred – “Ratrace”, ainda de 2007.

Por esta altura a banda que estava em Portugal pela primeira vez nos seus 15 anos de existência não deveria estar muito impressionada com o público português que só com uma incompreensível referência ao “Harlem Shake” captou a atenção que lhes poderia ser merecida mas pelo seu próprio reportório e não por uma moda passada e enterrada. No entanto, os efeitos fizeram-se sentir quando abriram os primeiros moshs ao som de “Pressure” e “Nobody”, sendo que a segunda parece ser de facto a música do alinhamento que mais o pede. Contudo, em mais um ato incompreensível, quando a banda tinha o público na palma da mão passou para um remix para dubstep do tema dos Slipknot “Duality”.
Pelo meio de mais crowd work a mais e música a menos acabou-se o primeiro concerto do palco principal sem serem tocadas músicas que inúmeros fãs estavam à espera.

Os Modestep continuaram a tendência eletrónica, reforçando-a no entanto. Misturando géneros à semelhança de Skindred mas por caminhos diferentes, a mistura de Dubstep (ou mais especificamente Brostep, a vertente Americana do Dubstep marcada por uma maior agressividade e acentuações diferentes), Drum n’ Bass e Rock empolgou as pessoas desde o início. Esta energia deve-se em grande parte ao frontman Josh Friend que parece ter energia a mais para qualquer palco. Alguns dos pontos altos da atuação do quarteto de Londres deveram-se também ao irmão de Josh, Tony.

Remisturando clássicos como “Smells like Teen Spirit”, “Killing in the Name of”, “Satisfaction” ou até o hit nacional “Hangover” dos Buraka Som Sistema.

Havendo, como tinha de ser, tempo pelo meio para os seus próprios temas o público reagiu principalmente ao som que os catapultou para a ribalta, “Sunlight”.
Um concerto competente que deixou no fim o público a pedir por mais.

Sobre Xutos e Pontapés já não há muito que se possa dizer. Tudo o que havia a dizer já foi dito e pela reação de partes do público a ser ouvido também já foi ouvido.  Reflexo, possivelmente, da falta de enquadramento com o resto do cartaz, a atuação cai em indiferença para grande parte do público que canta os clássicos mais por obrigação que entusiasmo.

Foi contudo um concerto competente com algumas pequenas adaptações dos clássicos que fazem crer que embora antigos, os Xutos não estão ainda ultrapassados.

Clássicos como “Tonto” , “Maria” e “A Minha Casinha” acabam com um concerto onde se acalmaram os ânimos e se repuseram energias para a banda que vinha a seguir.

Abrir com um dos maiores clássicos não é para todas as bandas. Pode ser a marca de um grande concerto ou a marca de um concerto falhado por não conseguir corresponder às expectativas delineadas pela primeira música. Abrir com a “Breathe” do álbum seminal The Fat of the Land foi, neste caso, a marca de um grande concerto. Keith Flint pedia para jogarem o jogo dele e o público aderiu imediatamente. Não seria para menos, a energia era contagiante e inegável.

Prosseguindo com um dos seus últimos trabalhos “Jetfighter” passaram imediatamente para clássicos mais antigos como “Voodoo People”, “Poison” ou “Firestarter” encadeando músicas mais recentes como “Omen”, “Run With the Wolves” e “World’s on Fire”.

Tudo isto embalado numa impressionante produção visual, energia absolutamente eletrizante e capacidade técnica para fazer soar tão bem ou ainda melhor clássicos com mais de 10 anos, por vezes 20.
Fechando o alinhamento pré-encore com “Invaders Must Die” e “Smack My Bitch Up”, a banda de Essex deixou o público a querer mais, muito mais. Portanto eles aderiram. Voltando em força com a, contestavelmente, melhor música do seu último álbum “Take Me to the Hospital” marcaram imediatamente o passo que se poderia ter esquecido no compasso de espera. Apresentando de seguida “New Beats” (que é de facto relativamente novo) fecharam com chave de ouro um excelente concerto revisitando “Their Law” do seu segundo álbum de estúdio, Music for the Jilted Generation.


Texto: Mário Vaz-Alto, João Pedreda | Fotografia: João Fitas
Agradecimentos: Maria Valente | PEV