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Meo Marés Vivas [Dia 2]

Lotação esgotada, chuva e admiração suficiente para a aguentar. Assim se poderia resumir o segundo dia do MEO MARÉS VIVAS.


Mais uma vez ficou provado como os diferentes stands distraem o público da música. Se em Plaza o público era insuficiente para a produção que, contestavelmente, mereceria um palco maior e um público mais concentrado a culpa eram precisamente dos inúmeros brindes e bugigangas disponíveis por todo o recinto. Antes disso, João só sofreu do mesmo mal, atuando de forma competente.


Passando para o Palco MEO, os Clã começaram quase que sorrateiramente com músicas do seu último trabalho (Corrente), “Zeitgeist”, “Também Sim”, “Basta” e “A Paz Não te Cai Bem” foram as escolhidas para apresentar o novo álbum a um público ameno que apenas aqueceu com “O Sopro do Coração”. Mais ou menos na mesma altura em que Ana Moura, fadista natural de Santarém, entrou em palco, um outro convidado (não desejado) decidiu aparecer também – a chuva. Depois de “Curto Circuito”, foi a vez de “Até ao Verão” onde de forma irónica começou a chover. Ana Moura saiu, então, do palco mas a chuva ficou. O concerto acabou mais tarde com “Dançar na Corda Bamba” e “Asas Delta”.


James Arthur é um dos maiores beneficiários da era dos reality shows de talento. Saltou de “uma vida difícil” para palcos como o do MEO MARÉS VIVAS com a ajuda de um trampolim intitulado “The X Factor”. Foi recebido como ninguém tinha sido até à altura, mostrando que mais do que um cantor é um ídolo para muitas das pessoas que o foram ver (na sua maioria do sexo feminino e jovens), iniciando uma reação como a de a uma Boy Band de um só rapaz. No entanto este rapaz traz consigo influências melhores que a Boy Band tradicional. Uma voz com soul e uma banda com influências que se expandem do r&b ao funk passando várias vezes pelo hip-hop fizeram as delícias de um público fácil de conquistar porque já lá apareceu conquistado vendo o ponto alto na última música “Impossible”.


Os James estiveram de volta aos palcos nacionais para mais um concerto recheado de boa vibe. Foram quase 2 horas de música tocada de forma irrepreensível, abençoada pela chuva que teimou em cair durante o espectáculo inteiro. Um Tim Booth sempre bem-disposto ajudou a que as 22 mil pessoas presentes saboreassem êxitos incontornáveis como “Laid”, “Say Something”, “Sometimes” ou “Curse Curse”. Ainda houve tempo para assistir Booth a esbracejar uma dança caricata que fez as delícias de novos e velhos – James têm mais de 30 anos de carreira – e, entre histórias contadas em primeira mão, músicas novas do Le Petire Mort, o novo álbum da banda, dois encores e crowdsurfing perpetrado pelo próprio frontman do grupo britânico, ninguém terá ficado defraudado com o concerto. Aliás, nunca ninguém fica.


Quando chegou a vez de Sonny Moore, mais conhecido como Skrillex, atuar, a chuva já tinha afugentado das imediações do Palco MEO a maior parte do público que procurava abrigo nas diversas bancas ou até no Palco Santa Casa (já tornado Moche Room por esta altura) para puder apanhar algo do DJ americano. A contagem decrescente pareceu reter as pessoas que teriam ido procurar abrigo, uma espécie de encorajamento aos poucos mas muitíssimo valiosos que tinham decidido que alguma (muita mesmo!) chuva não os iria impedir de ver quem queriam ver.
Chegou o 0, o simpático alien que serve de capa para o primeiro álbum do projeto bem como forma de tapar todo o trabalho que estava a acontecer, cai, e revela uma nave pronta a levar o público para uma dimensão completamente diferente. Atrás da dita nave aparecem inúmeras referências a jogos, memes e a todo o Universo Virtual.
Skrillex parece recusar-se a tocar as músicas como as editou. Prefere retorcê-las e moldá-los em algo que capte mais facilmente a atenção do público, fugindo desta tendência (e mesmo assim não na sua totalidade) os seus maiores êxitos “Bangarang” e “Scary Monsters And Nice Sprites”.
No final disto tudo e esquece-se a chuva. Fica apenas um concerto memorável que mesmo na adversidade conseguiu brilhar como pouco.


Texto: Mário Vaz-Alto, João Pedreda,  | Fotografia: João Fitas
Agradecimentos: Maria Valente | PEV