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Meo Marés Vivas [Dia 3]

Foi um dia em cheio. Este terceiro e último dia da 12ª edição do Meo Marés Vivas, desta vez sob um sol intenso, teve o seu primeiro grande momento bem antes do pôr-do-sol.


Os Black Mamba subiram ao palco Santa Casa e deram-nos, com uma energia contagiante, o seu Blues e Soul condimentado com bastante Funk. Perante um público conhecedor e com vontade de dançar, o grupo recheado de músicos experientes (já trabalharam com músicos como Richie Campbell, Aurea ou Gabriel, o Pensador) teve facilidade em conduzir o concerto até ao inevitável fecho, de onde saíram sob um forte e rendido aplauso. Não ficavam nada mal no palco maior deste evento…


E foi em direcção a este que a romaria seguiu para dar de caras com André Tentugal e os seus We Trust. Desta vez trouxe consigo um quarteto de cordas e vários elementos de orquestra para nos oferecer um pop sonoramente adulto e cinematográfico, não fosse André, um jovem realizador com talento para dar e… ouvir como se pôde notar na aclamação recebida aquando do maior hit “Time (Better Not Stop)”.


De coroa na cabeça, sorridente e sempre muito bem acompanhada, Sónia Tavares, o rosto maior dos The Gift, iluminou e aqueceu a noite com um concerto sólido, sustentado nos seus maiores hits como “Primavera”, “Fácil de Entender”, “Ok! Do You Want Something Simple?”. O público foi acompanhando, na medida do possível, mas havia já muita gente com vontade (muita vontade…) de ver e ouvir os senhores que se seguiam.


À hora marcada, eis que Beth Gibbons entra em palco, devagar porque temos tempo, acompanhada pelos restantes elementos. Os Portishead estavam em palco. A noite, escura como se pretende, estava fria, mas era de lá de cima que vinham as negras sombras que se escondiam por detrás da voz lamentosa de Gibbons. Aqueles arrepios que o público sentia a cada nota tocada era explicada pela guitarra glacial de Adrian Utley e pelos samples de Barrow. A chuva ameaçou cair como na noite anterior mas rapidamente o tempo agarrou cada gotícula e obrigou-as a sentir aquele concerto memorável. Se “Wandering Star”, “Machine Gun”, Glory Box” e “Threads” antes do encore (e único momento de interacção com o público) não chegassem para prender o público com aquelas amarras sonoras, seguramente o fariam com a “Roads”. E fizeram. “We Carry On” fechou um concerto arrepiante que quase sugava a vontade de continuar no recinto.


Mas tal é simplesmente impossível quando, depois da “tareia” que os Portishead nos presentearam, sobe ao palco, perto da 1 da manhã, Joss Stone, extraordinariamente afável e pronta para nos voltar a encher o corpo com calor. E pareceu tão simples… A voz melodiosa, quente, carregada de soul fez com que as 25 mil pessoas presentes aplaudissem, saltassem, dançassem. Em suma, a pessoa perfeita – com uma banda de fazer inveja a muitos – para a celebração final da noite. “You Had Me”, Teardrops” (cover de Womack & Womack), “Big Ol’Game” e “Right To Be Wrong” foram apenas momentos mais altos num concerto que nunca deixou ninguém indiferente.


Texto: Mário Vaz-Alto, João Pedreda | Fotografia: João Fitas
Agradecimentos: Maria Valente | PEV