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Milk Teeth – Vile Child

Para quem ainda duvidava que o Grunge tinha encontrado uma segunda vida (não vamos contar com os vergonhosos actos genéricos de Post-Grunge do início da década passada), os últimos anos têm provado o quão revigorado o género que mais marcou os anos 90 está, sobretudo para bandas lideradas por vozes femininas.

Depois dos britânicos Wolf Alice terem encantado tudo e todos com a sua estreia no ano passado colada ao Indie e Folk, é a vez dos Milk Teeth, também originários do Reino Unido, tentarem deixar a sua marca, desta vez com um Grunge que pede mais emprestado ao Punk e Post-Hardcore, num registo semelhante ao que os Bully prometeram e falharam na entrega.

Além da intensidade típica de quem toca Punk, esta banda tem o principal trunfo na dualidade de vocais entre a doçura feminina de Becky Blomfield, também baixista e a raiva áspera de Josh Bannister, também guitarrista que entretanto já seguiu o seu próprio caminho (deixando-nos a temer pelo futuro do conjunto sem esta combinação vencedora), permitindo obter dinâmicas entre melodia e agressividade pesada que, junto com a sensibilidade Pop muito presente de uns Nirvana na era de Bleach, permite criar hinos viciantes como o single “Brickwork” ou a rápida “Brain Food” (esta com vocais femininos apenas, mas uma velocidade e energia invejáveis).

Para quem temia que os Milk Teeth, depois de assinados por uma editora, perdessem alguma intensidade ou fulgor, a banda responde neste CD com uma versatilidade invejável, à medida que mantêm a sua identidade, indo desde o Hardcore Punk reminiscente de uns Comeback Kid na furiosa “Get a Clue” ou na magnífica “Leona” até terrenos psicadélicos como no desapontantemente monótono final “Sunbaby” ou baladas açucaradas que trazem Smashing Pumpkins à memória, como na delicadamente encantadora “Kabuki”.

No entanto, quando carregam mais nos pedais do Shoegaze de influências de My Bloody Valentine é quando a banda mais brilha, como se pode ver nas hipnóticas “Driveway Birthday” ou “Moon Wanderer”.

Por outro lado, os Milk Teeth também não acertam sempre, sobretudo quando se deixam dominar pelo seu lado Punk Pop, trazendo os seus Green Day internos ao de cima para momentos que não marcam como os restantes devido à sensação de piloto-automático que mancha a intensidade patente no registo restante. Exemplos disso são as dispensáveis “Burger Drop” ou “Crows Feet”.

No entanto, em geral, Vile Child é um registo mais do que sólido, apresentando frescura e versatilidade q.b. sem manchar a imagem já estabelecida da banda, expandindo a sua sonoridade e provando mais uma vez que há uma razão para o Grunge não ter morrido de vez com Kurt Cobain.