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Miura – Ninguém Escreve Cartas de Amor

Oriundos da Figueira da Foz, os Miura já andam por cá desde o dealbar de 2012. Incrustados no rock puro e cru, despretensioso, mas rico em melodias plenas de distorção. Mais recentemente, a música da banda ganha forma física com o EP de estreia, “Ninguém Escreve Cartas de Amor”, que plasma uma fusão intrínseca entre os vários géneros em que radica a identidade da banda, do rock ao metal, passando pelo funk.

Numa altura, em que a lusitanidade perde regularmente algumas das figuras de proa nas sonoridades mais pesadas, saudamos esta estreia por aquilo que tem de orgânico e visceralmente intempestivo.

De realçar que, os Miura possuem um dos aspectos que mais prezamos no meio musical, a capacidade de transpor em música uma poética verdadeiramente impregnada de emotividade e tensão existencial ou amorosa. Exemplo disso, “Memórias De Um Homem Esquecido”, uma ode raivosa com tonalidades de um rock devedor do som de Seatle mas imbuído de identidade lusa. De notar, a qualidade dos elementos rítmicos que incrementam a força das palavras em bom português. “Já Ninguém Escreve Cartas De Amor” aplica os mesmos princípios matriciais, mas a voz de Nelson Afonso tem ainda mais espaço de manobra e o vocalista deambula pelas notas musicais com um voracidade agridoce. A intensidade recobra numa raivosa e corrosiva ” Cerro Os Dentes”.

A tensão do baixo é algo de omnipresente no som dos Miura, mas Nuno Marques surge ainda mais preponderante no epílogo “Cala A Tua Boca Com A Minha”, elegia amorosa fundida a ferro e fogo num caldeirão rock.

Uma banda a guardar debaixo de olho ou perto dos ouvidos, porque há muito e bom rock a marinar por aqui.