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molllust [Dezembro 2012]

Os molllust lançaram, em setembro de 2012, “Shuld” em edição de autor. Agora temos a oportunidade de entrevistar a vocalista e compositora da banda, Janika Groß, e assim conhecermos um pouco mais acerca de “Opera Metal” e sobre esta bela e talentosa artista.

Janika, tens uma excelente voz e as tuas vocalizações são sublimes, será que nos podias elucidar acerca do teu currículo musical?
Muito obrigada! Eu comecei a tocar piano quando tinha cerca de dez anos. O meu professor de piano era extremamente empenhado e ensinou-me não apenas a tocar piano, mas também a sentir e a expressar-me através da música. Depois de ter cantado em diferentes coros, comecei a profissionalizar a minha voz por volta dos vinte com o apoio de dois professores de canto e recorrendo a lições privadas. Trabalhei muito com árias clássicas de forma a melhorar a minha voz um pouco mais a cada dia.

“O coração é clássico, o pulso é metal” Por quê?
Porque isto é algo natural para nós. A minha ideia de criar música consiste em partir de uma imensa variedade de dinâmicas, tendo a possibilidade de jogar com emoções delicadas e singelas e exprimir os sentimentos mais subtis da música clássica, combinando isto com o poder, a brutalidade e a agressividade do metal. Fiquei com a impressão de que assim tinha a possibilidade de me expressar de uma forma mais poderosa do que se tivesse apenas escolhido um único estilo musical. Acrescente-se que a música clássica, frequentemente, não tem um pulso contínuo, mas antes uma modo bastante livre de trabalhar com os tempos como meio de desestabilização das dinâmicas da música, sendo que o metal se torna muito poderoso nas partes mais diretas. Este é um contraste muito interessante.

Podes partilhar connosco qual é o tipo de música clássica que te toca mais profundamente no coração e quais são as bandas de metal que te dão mais pulso?
De um ponto de vista clássico, eu adoro a música do romantismo. Os meus compositores favoritos são Rachmaninoff e Brahms. Mas há imensas peças de diferentes compositores que me agradam, como por exemplo o “Estudo Revolucionário” de Chopin ou a “Canção à Lua”, da ópera “Rusalka”, por Dvořák. No universo do metal, inspirei-me em Therion e na Tarja Turunen com os Nightwish, quando era adolescente. Mais tarde, também adorei ouvir os Rhapsody (of fire) e os Disillusion.

Os molllust tocam Opera Metal e não “Metal Opera”. Qual é a importância de “Opera” aparecer em primeiro lugar?
Na verdade, nós não inventamos essa expressão. O género que melhor descreve aquilo que nós fazemos chama-se “Opera Metal” e assim apenas nos apropriamos dessa designação para nós, de igual modo. Não considero que criamos uma ópera com instrumentos oriundos do metal, assim sendo “Metal Opera” seria enganador.

Por quê “molllust” e por quê “Schuld”?
“molllust” é, de facto, uma combinação das palavras alemãs “moll”, que significa “menor” (a tonalidade) e “Lust” que significa “prazer”. Demonstra a nossa vontade em fazer música impregnada de uma ambiência sonora sombria. “molllust” também é bastante similar à palavra alemã “Wollust”, que significa “voluptuosidade” e representa a nossa paixão pela música. “Schuld” significa “culpa”. Nas letras das canções, por vezes, falo acerca de sentimentos e pensamentos íntimos. A “Culpa” é um tema recorrente que é abordado de diferentes formas nos textos, especialmente em “Spiegelsee”.

No interior do digipack de “Schuld” encontra-se uma citação do escritor do romantismo francês, Victor Hugo: “A música expressa o que não pode ser colocado em palavras e que não pode ficar em silêncio”. Será que podias explicar o que isto significa para ti?
A música é uma linguagem muito forte. Está cheia de emoção e pode expressar nuances de emoções que não se podem descrever de forma tão detalhada através de palavras. Mas que também não se podem esconder. É algo que transborda de ti através de gestos, expressões faciais, comportamentos, a maneira como falamos – e podes ter todas essas nuances, parcialmente inconscientes, descritas de forma mais evidente através da música do que conseguirias simplesmente com palavras. E, a propósito, assim é mais fácil de entender mesmo que não compreendam a língua ou os gestos próprios de uma região.

Onde encontraste inspiração musical e lírica, quando chegou a altura de começar a trabalhar em “Schuld”?
Isso é algo muito difícil de explicar. As melodias surgem na minha cabeça e simplesmente passo-as para o papel. Não tem que existir uma inspiração especial. Por vezes, basta ouvir uma melodia simples e a minha mente cria algo completamente diferente como se fosse uma reação ou uma espécie de reflexão. Ocasionalmente, é um acontecimento na minha vida que despoleta uma forma musical de o superar. Isto pode acontecer logo a seguir ou muitos anos depois. Provavelmente, alguma da inspiração também tem origem em toda a música que eu toquei, cantei e ouvi. Acho que quanto mais sensível eu estiver em termos emocionais, maior é a influência. Na maioria dos casos, tenho uma ideia acerca de uma peça musical e apenas a ornamento um pouco mais, quando a escrevo.

Como compões?
Como acontece com os compositores clássicos, escrevo a partitura musical para toda a banda e envio as pautas a cada um dos músicos. Mas os outros também têm influência: juntos, melhoramos as composições com as nossas ideias, especialmente as linhas de percussão. E, ocasionalmente, uso alguns riffs de guitarra do Frank. Na maioria das vezes, tenho uma ideia sobre a temática da canção e começo com a música. Depois junto a letra. Mas esporadicamente também começo pela letra.

“Schuld” apresenta um trabalho gráfico particularmente atrativo. Como é que isso se relaciona com a música oculta no interior?
Quando compus a canção “Spiegelsee”, tinha uma imagem clara no meu pensamento. Uma mulher jovem nas margens de um lago profundo durante a noite, olhando as águas e refletindo o que acontecia. Pegamos nessa ideia e tornamo-la mais abstrata. A água simboliza o espelho dos pensamentos e sentimentos, e é um elemento que atravessa todo o trabalho gráfico. A personagem ficcional na capa sou eu. Mas o conceito presente nessa imagem pretende focar-se nas emoções e nas profundezas da mente humana com todos os seus segredos obscuros.

Vurtox (Andy Schmidt) [Disillusion] trabalhou convosco em “Schuld”. Como é que surgiu essa oportunidade e como foi a experiência?
Quando decidimos gravar “Schuld” estávamos à procura de um estúdio e de um produtor que compreendesse e gostasse da nossa música, e que tivesse os conhecimentos necessários para criar um som ótimo e condizente. No Andy encontramos a pessoa perfeita para essa tarefa extremamente exigente. Foi um enorme prazer trabalhar com ele, não apenas pelo seu talento. Ele é uma excelente pessoa e uma enorme fonte de inspiração. Durante mais de um mês trabalhamos juntos quase diariamente. Em pouco tempo já nem precisávamos de recorrer a palavras para compreendermos o que o outro pensava acerca de um dado “take”. Estávamos completamente sintonizados e sem dúvida que vamos recorrer a ele para ser o nosso produtor no futuro.

Já começaram a tocar as novas canções ao vivo? Podias partilhar connosco essa experiência? Como reagiram os vossos fãs? Há algum tema favorito para o público?
Sim, já as tocamos várias vezes em concertos. As pessoas têm reações muito diversas, também dependendo do local em que estamos a tocar e do tipo de música que as pessoas estão habituadas a ouvir. Algumas ouvem-nos cuidadosamente e com extrema atenção, exibindo um sorriso de agrado no rosto. Outros preferem as canções mais rápidas e adoram dançar. Claro que temas como “Alptraum” e “Kartenhaus” são os que têm o feedback mais ruidoso, mas não considero isso como um indício válido para perceber qual foi a canção que tocou mais corações. Outros, claro, não gostam nada da nossa música. Fico um pouco triste quando tenho a impressão que as pessoas não compreendem a minha linguagem musical. Mas não há praticamente ninguém que não tenha uma ideia formada sobre nós – ou amam-nos ou odeiam-nos.

E na tua opinião pessoal, há, em “Schuld”, alguma canção que tenha um significado mais especial?
Isso é muito difícil de dizer. As canções são todas os meus “bebés”, logo são todas importantes para mim e adoro-as, como é óbvio. Em palco, gosto de “Kartenhaus” especialmente porque tem três coisas: partes rápidas e enérgicas, partes calmas e mais introspetivas e uma passagem que é mais exigente no que diz respeito à execução ao piano.

O que reserva o futuro para os molllust? Haverá alguma possibilidade de termos a banda em palcos portugueses?
Na primavera, vamos lançar um CD com as nossas versões especiais de quatro peças de Bach. Criámos essas composições no ano passado para uma competição e decidimos gravá-las porque tivemos um excelente feedback da audiência e do júri (vencemos essa competição). Vamos tocar em todos os concertos que conseguirmos – se surgir uma possibilidade de obviar aos custos das viagens e se tivermos bons concertos em Portugal, vamos tocar aí. Infelizmente, não há planos concretos de momento. Vamos ver o que o futuro nos reserva. O nosso próximo álbum está agendado para 2014.

Algo mais que gostarias de partilhar com os fãs?
Estamos imensamente gratos por a nossa música ter encontrado o seu caminho até Portugal! Para nós é uma honra encontrarmos fãs tão longe da nossa terra natal e adoraríamos a oportunidade de, um dia, tocarmos em Portugal. Desejamos a todos umas ótimas entradas no próximo ano e estamos realmente entusiasmados com tudo o que ele pode trazer para os molllust!

Janika, muito obrigado por esta entrevista!