free website stats program

Moonspell + Septic Flesh [Hard Club, Porto]

Foi um Hard Club esgotado com semanas de antecedência, que acolheu calorosamente o regresso dos Moonspell ao Porto, em tour de promoção de “Extinct”, o 11º álbum da banda.
Com honras de abertura da noite estiveram os gregos Septic Flesh, naquela que assinalava a sua terceira atuação de sempre no norte do país.
Se era perfeitamente compreensível que esta noite era indubitavelmente dos Moonspell, tornou-se estranhamente evidente que muito do público presente tomava agora contacto pela primeira vez com a banda liderada por Seth Siro, no entanto era percetível que a aceitação foi globalmente positiva. Se ocasionalmente a ansiedade por Moonspell ou algum esmorecimento causado pelo alinhamento debitado em palco afetava os presentes, logo Seth se apercebia da ocorrência e agarrava novamente o público em instantes, recorrendo a sábios e amplamente provados reptos motivacionais.
Em palco a banda percorreu exclusivamente temas dos 3 últimos álbuns de estúdio, “Communion”, “The Great Mass” e “Titan”, com principal incidência para este último.
A atuação dos Septic Flesh, embora irrepreensível em quase todos os aspetos deixou-nos por vezes a sensação que provavelmente 70% do concerto poderia decorrer exatamente da mesma forma mesmo que os elementos não tivessem entrado em palco, por muito descabido e polémico que isto possa soar, a parafernália de partes sampladas incorporadas e backtracks (mesmo instrumentais) existentes, fez-nos sentir alguma nostalgia da espontaneidade de algumas atuações do passado. Afinal de contas ver um concerto ao vivo, não deveria ser tão maquinal e previsível como ver repetidas vezes o mesmo DVD de determinada banda na nossa sala de estar.


Finda a atuação de Septic Flesh, seguiu-se um interregno de cerca de 25 minutos (que certamente terá parecido o dobro aos fãs mais ávidos), após o qual os Moonspell entraram finalmente em palco, já com a temperatura da sala em sintonia com a afluência desta noite.
Tornou-se claro desde a introdução de entrada (uma variação do “La Baphomette”) que a banda tinha o público sob o seu domínio, a partir daí o desafio foi o de gerir os crescendos e manter a intensidade durante o extenso set escolhido. O objetivo foi facilmente concretizado!
Da análise dos alinhamentos escolhidos nas 16 datas já materializadas desta “Road to Extinction Tour” apercebemo-nos com alguma surpresa que a data do Porto acabou por ser de forma algo inesperada, aquela em que se materializou o set mais extenso e diverso. Talvez isso não seja alheio ao facto do último concerto de Moonspell na invicta ter sido há 3 anos atrás e o anterior álbum “Alpha Noir/Omega White” não ter tido qualquer data de promoção nesta cidade.
Sendo esta a tour de promoção, da mais recente proposta “Extinct”, seria obviamente expectável que o alinhamento incidisse particularmente nos temas deste, talvez não se esperasse no entanto a inclusão de 8 temas (apenas dois ficaram de fora em relação ao álbum), isso demonstrou a crença que a banda deposita na sua nova proposta e a existir qualquer risco, este foi plenamente calculado e muito bem articulado com recorrentes visitas aos valores seguros da carreira proporcionados pelos incontornáveis “Irreligious” e “Wolfheart” (que celebra precisamente este ano o vigésimo aniversário) causando sempre as habituais explosões de gáudio generalizado na assistência.
A julgar pela reação a temas como o single de avanço, “Breathe (Until We Are No More)” e “Last of Us” parece-nos que este “Extinct” terá a capacidade de cravar por mérito próprio alguns dos seus temas no set-list base dos anos vindouros. A extensão do alinhamento permitiu também visitas fugazes a “Night Eternal” e “Alpha Noir/Omega White”, este como referimos também em estreia no Porto.
A banda contou ainda com a participação de Mariangela Demurtas (Tristania) nos temas “Raven Claws” e “An Erotic Alchemy”, com ambas as passagens a figurarem facilmente entre os momentos altos da noite.
Ainda antes da conclusão com “Full Moon Madness”, um Fernando Ribeiro bastante comunicativo, agradecido e em constante interação com o público presente, deixou a garantia que o regresso ao Porto não seria desta vez tão moroso.


Texto: Eva Martins | Fotografias: João Fitas | Vídeo: Ricardo Silva e João Fitas

Agradecimentos: Sony Music, Everything Is New, Hard Club

You may also like...