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More Than A Thousand + Devil In Me + Hills Have Eyes + Kandia [Hard Club, Porto]

A noite tinha tudo para ser um sucesso; a sala 1 do Hard Club era palco de concertos dos expoentes máximos dos cores nacionais, ou seja, Hills Have Eyes e More Than A Thousand no Metalcore, Devil In Me no Hardcore e Kandia a abrir com uma nota mais wildcard, tudo isto a um preço relativamente acessível.

Mas para nós a celebração começou bem mais cedo para trazermos aos nossos leitores também os bastidores do concerto. Assim sendo, passamos o dia com toda a equipa, a viver todos os momentos de backstage, confidências, piadas… todos aqueles momentos que são um privilégio apenas para alguns.


O Hard Club é uma sala especial para os Kandia, recorde-se que, no dia 14 de dezembro de 2013, aí celebraram seu sexto aniversário. Quase um ano volvido, novo regresso auspicioso a uma sala que bem conhecem e a um público que também os conhece, apesar de não ser claramente o seu.

Os Kandia têm no seu historial aberturas de concertos para bandas como Guano Apes ou Within Temptation, logo não se deixariam assustar pela confraria que se seguiria e que contava com alguns dos expoentes mais extremos da música nacional. A casa animava-se com o fervilhar próprio de noite de concertos, quando Nya Cruz assumiu protagonismo e atirou-se com energia feminina a uma noite que prometia arrojos de testosterona lá mais para a frente. O tempo foi curto, cerca de duas dezenas de minutos, mas foi suficiente para ouvirmos temas emblemáticos como “Noise”, “All Is Gone” e o epílogo “Karma”.


Nem o frio que se fazia sentir na cidade do Porto impediu que fosse já uma sala muito bem composta a que recebeu os Hills Have Eyes, que iniciaram o seu concerto com “Hold Your Breath”, que desde logo fez abrir não só o mosh mas também as gargantas do público, que respondia facilmente aos apelos do vocalista. Seguiu-se “The Broken”, com continuação dos singalongs e com uma maior aderência ao mosh. A música terminou com o vocalista a descer o palco para cantar junto do público.

O concerto seguiu a bom ritmo com “Thank You For The Inspiration” e “The Bringer Of Rain”, música nova que irá fazer parte do álbum Antebellum, a ser lançada neste próximo ano. Venha ele! “Pin Point” foi a próxima música, com o público a não deixar o vocalista sem resposta, “If you play with fire – you will get burned”.

Pequena pausa que serviu para relembrar o 10º aniversário da banda e agradecer a aderência em massa ao concerto e o apoio às bandas nacionais. Seguiu-se o ponto alto do concerto, com “Anyway, It’s Gone”, que contou com participação de Vasco Ramos dos MTAT, para maravilhamento do público, que respondeu com o maior mosh do concerto dos HHE.

Os HHE despediram-se com “Strangers”, uma das favoritas do público, que mesmo sem intro devido a problemas técnicos terminou o concerto em alto.


A terceira banda da noite seria os Devil In Me, que abriram a todo o gás com “Only God Can Judge Me”, não sem levarem resposta do público com o primeiro de muitos moshpits. Notou-se, no entanto, que algum do público estava mais interessado no som Metalcore dos MTAT, e consequentemente, dos HHE, do que no Hardcore de DIM. Não obstante, o concerto seguiu em ritmo rápido com uma energética “On My Own”.

Pequena pausa para relembrar a Brothers in Arms Tour e deixar antever uma possível edição da mesma para 2015.

Foi então altura de ouvir um pouco do novo álbum “Soul Rebel”, primeiro com “Knowledge Is Power” e depois com um dos pontos altos da noite, com o tema título do álbum, “Soul Rebel”, que provocou de imediato um circlepit. O vocalista Poli pediu a todos os presentes para cantarem o refrão de forma a registarem momentos na estrada para figurar no videoclipe da mesma música, que contou com a ajuda da equipa da Rock n’ Heavy. Pelo meio houve ainda tempo para um apelo a «mais Sócrates na cadeia».

Para acabar em grande, “Brothers In Arms” com a ajuda do público e “The End” conquistaram certamente mais alguns fãs para os Devil In Me.


Por volta da meia-noite abriam-se as cortinas pretas e revelava-se um palco com as iniciais MTAT. “Feed The Caskets” foi a escolhida para abrir o concerto e desde logo levou o público à loucura ao som dos breakdowns, tendo também tido direito a wall of death.

Desde o início uma nota muito positiva para o som da bateria, aliado a uma performance explosiva do baterista Wilson Silva. Ainda de Vol.5 Lost At Home, seguiram-se “Heist”e “Fight Your Demons”, sem que o público deixa-se escapar a oportunidade de se fazer ouvir nos refrões catchy característicos da banda.

O espetáculo seguiu a bom ritmo com “Cross My Heart” e “I Am The Anchor”, antes de uma pequena pausa, em que o vocalista Vasco Ramos aproveitou para elogiar as bandas anteriores.

Chegou então o momento para revisitar o álbum Vol. 4 Make Friends And Enemies, com malhas como “It’s Alive (How I Made a Monster)”, com direito a um dos grandes circlepits da noite, e “First Bite”, um dos pontos altos do concerto. Ainda do mesmo álbum, seguiu-se uma poderosa atuação de “Nothing But Mistakes” e “We Wrote This Song About You”, esta última com a presença do vocalista dos HHE, Fábio Batista.

Os fãs pediram músicas antigas e, perante a falta de tempo para revisitar cada uma na sua totalidade, os MTAT brindaram os presentes com um “Medley-Nostalgia”, composto por trechos de “Walking on the Devil’s Trail”, “Trip to Goth’am City”, “Memories and Addictions”, “The Hollow” e finalmente “It’s The Blood, There’s Something In The Blood”.

A banda saiu da sala debaixo de aplausos e só Vasco Ramos ficou, acompanhado por uma guitarra elétrica, para interpretar, com a ajuda do público, as baladas “Midnight Calls” e “In Loving Memory (Life Flashes)”, no momento mais intimista da noite. O resto da banda regressou e seguiu-se uma das favoritas dos fãs, “Roadsick”, dedicada à crew que acompanha a banda.

Momento para foto de grupo, que anunciava o final próximo do concerto, que seria ao som de “No Bad Blood“, chave de ouro para fechar um bela noite de música no Hard Club.


Texto: Fábio Nogueira | Fotografia: Nuno Fangueiro
Agradecimentos: Metrónomo | Hard Club