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More Than a Thousand – Vol.5: Lost at Home

Os More Than a Thousand (MTAT) são um caso raro de sucesso em Portugal; o grupo natural de Setúbal defende o seu Metalcore com unhas e dentes, recusando-se (por vezes, até de forma prejudicial) a expandir a sonoridade, mas é, ao mesmo tempo, uma banda com um sentido pop bastante apurado, traduzindo-se em ganchos constantes nas suas músicas que conseguem dessa forma conquistar quer um público mais hardcore, quer uma audiência mais casual.

Como seria de esperar, Vol.5: Lost at Home, o terceiro longa-duração do colectivo nacional não pretende re-inventar a roda (mesmo explorando algum território novo, como no flirt com o Dubstep em “Feed the Caskets”), focando-se antes em aprimorar o seu reportório com mais um conjunto de canções enquadradas no estilo da banda.

A fórmula, já se sabe, reside em canções pesadas (mas sem grandes tecnicismos) com muito growling (embora as letras sejam de longe o ponto mais fraco da banda) intercalado com vocais limpos nos refrões, onde reside o apelo Pop do grupo e os ganchos das melodias por eles desenhadas.

“Heist”, faixa de abertura, ilustra na perfeição o som do grupo, com o seu peso contrabalançado por um refrão catchy, inclusive com os coros que “ganham” o público nos concertos, local em que os MTAT são verdadeiramente especialistas e explosivos.

No entanto, esta segurança da banda nas suas capacidades e no seu próprio som acaba por tornar-se prejudicial, nunca saindo um milímetro do Metalcore puro e fazendo com que todas as músicas soem parecidas, embora boas, o que banaliza a experiência e a impede de se tornar inesquecível.

Apesar disto, há que dar o mérito devido aos MTAT por não saberem escrever uma má canção, seja através do poder do single “Fight Your Demons”, ou da navegação por terrenos mais próximos do Post-Hardcore em “Never Let Go” (melhor faixa do registo), se há coisa que o grupo não faz é desapontar, embora também não surpreenda (a faixa mais fraca é mesmo “I Am The Anchor”, pelo excesso de acessibilidade no som e umas mudanças abruptas que tornam a faixa incoerente).

Mesmo sem serem grandes virtuosos, nota-se um empenho notável dos músicos (sobretudo na percussão, que promete “rebentar” ao vivo), que parecem querer pôr a sua energia inteira em todas as músicas, incitando o moche e o headbanging em cada música (“No Mercy For the Weak” ou “Room of Blades” são especialmente poderosas), mas também conscientes do seu lado mais sensível, como se nota pela final “Midnight Calls”, balada delicada alimentada a sintetizadores e guitarras repletas de reverb, sem ficar atrás do reportório mais pesado da banda.

Desta forma, Lost At Home é mais um cd bem conseguido para os MTAT, que prova (mais uma vez) a habilidade do grupo em criar canções bem conseguidas e dignas do seu reportório ao vivo, mesmo que a necessidade de evoluir comece a ser gritante se quiserem manter a relevância.

Análise de Jorge Martins