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Murdering Tripping Blues – Pas Un Autre

Os lisboetas Murdering Tripping Blues, ao terceiro longa-duração obtêm a consagração ao aperfeiçoarem uma fórmula que desde a estreia têm experimentado, com a sua fusão ácida de Blues e Stoner Rock a mostrar um pé nos Black Keys e outro nos Queens of the Stone Age de idades mais recentes.

Com uma formação peculiar (guitarra/vocais, bateria e teclados), a secção rítmica do baixo que está ausente nem é notada, pelo excelente trabalho ao nível de percussão e de guitarra-ritmo, em conjunto com teclados “cheios” que tecem na perfeição as texturas melancólicas das faixas que nos parecem transportar pelo deserto que tantas vezes serve de musa a Josh Homme.

“One At a Time”, que abre Pas Un Autre, mostra a banda num registo mais próximo do rock alternativo de uns Mudhoney ou Radiohead num dia mais agitado pelos riffs contagiantes da guitarra, mas é na sua pele de Stoner que os lisboetas conseguem os melhores registos, bastando ver-se os teclados irrequietos que dão forma à excelente “Into Your Eyes”.

Além disto, os Murdering Tripping Blues revezam-se ainda ao direito de “destilar” o seu “cheirinho” a Blues reminiscente de Them Crooked Vultures em “Stumblin’ Blues” que vai em crescendo até um clímax mais próximo do som habitual da banda, sonoridade que transparece também na sensual “Petrol Tainted Breath”, que com a sua guitarra insinuante e vocais suaves trazem à memória os Arctic Monkeys de AM.

Nem todos os momentos são positivos, no entanto, com a caótica “Tomas Millian” a soar a experiência falhada numa tentativa de introduzir algum ecletismo ao álbum, sendo no entanto desculpada com uma recta final a trazer ao de cima o melhor que esta banda tem para dar ao terreno do Stoner Rock, através da inflamável “Resurrect Then Go” e da final “Confessions of a Severed Hand” que através de barreiras de feedback acaba Pas Un Autre com chave de ouro.

Desta forma, o novo álbum dos Murdering Tripping Blues com a sua mistura agitada de Blues e Stoner Rock (com ênfase no último) chegou mesmo no fim do ano, mas ainda veio a tempo de roubar uma posição nas listas de melhores do ano.