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Muse: Da origem à resistência [por Jorge Martins]

Esta semana tivemos a grande notícia que os Muse são o primeiro grande nome confirmado para a abertura das hostilidades dos festivais, neste caso do NOS Alive, onde serão cabeças-de-cartaz, depois da última passagem por Portugal, em 2013, se ter dado no Estádio do Dragão, para promover The Second Law, sendo que antes disso a banda tinha já um longo historial com o roteiro de festivais nacionais.

Os ingleses, que inicialmente foram postos de parte (injustamente) quando se estrearam com Showbiz, rotulados de “cópias Punk dos Radiohead“, ganharam notoriedade com Origin of Simmetry, um dos álbuns de rock alternativo mais acarinhados da década passada, seguindo-se o apocalíptico Absolution, também bastante bem recebido e Black Holes and Revelations, apresentando ainda Matt Bellamy como um dos guitarristas mais carismáticos da sua geração.

No seguinte Resistance a banda enveredou por uma sonoridade mais épica, tendência a prolongar-se por Second Law, uma direcção recebida de forma negativa pelos fãs, mesmo mantendo sucesso crítico; numa altura em que o novo álbum dos Muse já anda a ser planeado e promete um “regresso às origens”, nós fazemos também jus a essas promessas e apresentamos o Top 10 das músicas dos Muse “clássicos”:

10. Stockholm Syndrome

Num cd (Absolution, de 2003) em que os Muse já deixavam adivinhar as suas vindouras aventuras épicas, “Stockholm Syndrome”, com nome dado por um distúrbio em que uma vítima de rapto se começa a identificar e ligar com os seus raptores, é ainda uma “malha” emotiva e com riffs acelerados como só Matt Bellamy sabe tecer.

“This is the last time I’ll forget you/I wish I could”

9. Sunburn

A primeira música da incompreendida estreia Showbiz, de 1999, “Sunburn” abre com um riff delicioso de piano, até “explodir” num refrão apoteótico, servindo de montra não só para o ecletismo da banda, como para a versatilidade vocal de Bellamy, com falsetes impressionantes que levaram a injustas comparações com Thom Yorke.

“She burns like the sun/And I can’t look away”

8. Dark Shines

No monumento ao rock alternativo que muitos consideram a obra-prima dos MuseOrigin of Simmetry de 2001, é complicado escolher só esta ou aquela música para figurar entre as melhores, mas “Dark Shines”, com a sua sensualidade inerente e ritmo dançável (sem esquecer, claro, os momentos de explosão no refrão) mostra um lado mais intimista dos ingleses pouco visto, mas sempre impressionante.

“You take only seconds to draw me in/So be mine and your innocence I will consume”

7. Thoughts of a Dying Atheist

Presente em Absolution, álbum com temática apocalíptica (primeiro de vários), “Thoughts of a Dying Atheist” tem um dos riffs de guitarra mais reconhecíveis dos Muse, juntando-se a ele um Matt Bellamy estranhamente contido e um refrão que, mesmo com a urgência nele presente, consegue soar optimista e parece feito para ser entoado em cântico comum ao vivo.

“Look through a faithless eye/Are you afraid to die?”

6. Assassin

Proveniente de Black Holes and Revelations, de 2006 (último cd usado nas contas desta lista), “Asassin” ainda apresenta a sonoridade típica dos Muse num álbum que já acentuava a sua tendência para o rock de estádio, assente numa percussão imperdoável e numa guitarra “cavalgante” entregando riffs viciantes, apoiados por uma letra de contornos políticos acentuados.

“Oppose and disagree/Destroy demonocracy”

5. Showbiz

A faixa-título do álbum de estreia dos Muse é a prova que eles são uma banda que sabe escrever mais do que canções sobre tecnologia, revoluções e o livro 1984, visto que em Showbiz as letras eram maioritariamente introspectivas e sentimentais, levando a músicas guiadas pela emoção, da qual o maior exemplo é mesmo esta, que foi até a música mais pedida na última tour dos ingleses, mostrando que se calhar o cd não era assim tão mau como foi rotulado inicialmente.

“Controlling my feelings for too long/Forcing our darkest souls to unfold/And pushing us into self-destruction”

4. Citizen Erased

Presente no clássico moderno Origin of Simmetry, “Citizen Erased” é uma música, que para além de contar com um dos riffs mais irresistíveis dos Muse, mostra o lado mais épico da banda, mas contido num grande momento de Rock, merecendo até, segundo promessas de Bellamy, uma sequela no cd vindouro, sendo uma das faixas mais acarinhadas pelos fãs e com razão.

“Wash me away/Clean your body of me/Erase all the memories”

3. New Born

Também originária do êxito de 2001, “New Born” é a faixa que abre Origin of Simmetry, mostrando de imediato a mudança em relação a Showbiz: os teclados são mais “cheios”, os riffs mais potentes, os falsetes mais ambiciosos, tudo é mais arrebatador do que na estreia, incluindo as habilidades de Matt Bellamy na guitarra, que o rotularam de “Hendrix da sua geração” pela forma inovadora como escolheu abordar o instrumento e facilmente compreensível aqui.

“Just break the silence/’Cause I’m drifting away/Away from you”

2. Hysteria

De Absolution, “Hysteria” é servida por um riff de baixo avassalador e por uma guitarra urgente, naquela que é a música de Muse desta era em que Matt Bellamy se apresenta mais em modo “guitar hero”, com uma bridge/solo irresistível que serve de montra para o virtuosismo normalmente escondido do músico.

“It’s holding me, morphing me/And forcing me to strive/To be endlessly cold within/And dreming I’m alive”

1.Plug in Baby

Single retirado de Origin of Simmetry, “Plug in Baby” personifica na perfeição a temática conceptual do álbum, sobre tecnologia e a nossa relação com a mesma, servindo ainda para mostrar um dos riffs mais reconhecidos da História do Rock e um refrão apoteótico que é o momento mais identificável dos Muse e que, mais de uma década depois, ainda não conseguiu ser repetido com a mesma perfeição.

“My plug in baby/In unbroken virgin realities/Is tired of living”