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O lado positivo

Confesso que quando me fizeram o convite para escrever esta crónica, dizendo que podia escolher o tema que bem entendesse, fiquei a pensar uns bons dias “Mas que sobre que raio é que eu vou escrever?”. Mas, eventualmente, fez-se luz. Numa era em que toda a gente tem uma visão maioritariamente negativa, seja sobre política; futebol e mesmo sobre ter uma banda e fazer música, achei que era uma boa oportunidade para partilhar uma visão positiva sobre várias coisas, dentro da minha experiência. E atenção, não sou hipócrita, também critico quando acho que tenho que criticar – e quem me conhece sabe que raramente deixo algo a dizer – apenas acho que os posts no Facebook ou em blogs mudam muito pouco e regra geral quem se queixa em demasia é quem é mais comodista com as suas vidas.

A minha aventura na música começou há pouco mais de 12 anos. Acho que na altura nem eu sabia o que estava bem a fazer, algo dentro de mim me dizia que tinha que ter uma banda e mesmo sem saber pouco (ou nada) de música, o “click” deu-se em numa noite em Setúbal, ao ver um grande concerto dos extintos “Flowers on a Minefield”. Puto, praí com 16 anos, de mochila às costas e a pensar: “Um dia tenho que ser eu”. Milhares de ensaios e concertos depois; dezenas de membros depois e muitos (mesmo muitos) euros gastos depois, apercebo-me que Hills Have Eyes já fez 10 anos de banda e pelo caminho conheci pessoas espetaculares, toquei em sítios fantásticos por toda a Europa e partilhei momentos que nunca esquecerei na vida. Para além disso, foi este caminho que me fez ser a pessoa que sou hoje, com um trabalho que adoro numa agência de publicidade e músico em dois projetos dos quais me orgulho muito: Hills Have Eyes e Ninja Kore. Foi este caminho que me fez ter as pessoas que tenho na minha vida, que me moldou e que me ensinou muita coisa. Ainda quero mais, muito mais, pois mesmo com as dificuldades chegam experiências que nos ensinam muito e que levam a caminhos às vezes melhores do que aqueles que queríamos seguir.

Como vai a bandinha?” “Ainda tocas?” ou a clássica imitação do berro para parecerem engraçados. Yeap, já ouvi todas. Mas mesmo assim, respondo com um sorriso na cara porque me lembro de tudo o que já vivi e espero eu, do que irei ainda viver; do tocar para milhares de pessoas em vários sítios ou num clube na República Checa para 5 bêbados.

Recentemente os HHE fizeram um projeto de crowdfunding para o disco “Antebellum”, que nos encontramos a gravar. Foi um sucesso, mas para além do objetivo financeiro conseguido (que nos vai permitir fazer o álbum da maneira que planeámos), encheu-nos de orgulho saber que existem centenas de pessoas espalhadas pela Europa que nos valorizam e acreditaram em algo que ainda não existe. Era impossível esperar que uma editora nos “agarrasse” e nos desse o que pretendíamos, mas existem vários meios para um fim. E que seja um final feliz!

Em jeito de conclusão, deixo a minha frase habitual quando me pedem para dar um conselho: “Diverte-te ao máximo, acredita em ti e dedica-te. O resto virá por si. Se tiver que vir. “

Fotografia por Paulo Maninha