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O Melhor de 2014 em Portugal [por Jorge Martins]

E eis que o ano está a chegar ao fim e, com ele, chega também a altura das já tradicionais (e, esperemos que aguardadas) listas de melhores do ano. É com prazer que vemos (e ouvimos) que 2014 foi um ano bastante rico em música de qualidade para amantes de guitarradas, dando-me assim uma bem-vinda dor de cabeça na hora de escolher os melhores álbuns do ano.

Antes de me debruçar sobre o panorama geral (esperem pela semana que vem), optei por “dissecar” as melhores edições que se fizeram no nosso território ao longo do ano, apresentando assim os 10 melhores e mais imperdíveis CD portugueses de 2014 (com muitas menções honrosas que dariam para uma lista com o dobro ou triplo do tamanho)!

10. Capitão Fausto – Pesar o Sol

Depois do aclamado álbum de estreia Gazela, os Capitão Fausto tinham a complicada tarefa de “sobreviver” ao sempre difícil “segundo álbum”, algo que fizeram com distinção, espandindo o seu som para lá do Indie Rock primordial, com influências psicadélicas e até progressivas, pegando na bitola que José Cid deixou com 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte há quase 40 anos e subindo à condição de melhor grupo psicadélico nacional actual.

Destaques: “Litoral”, “Ideias” e “”Lameira”.

9. More Than a Thousand – Vol.5: Lost At Home

Os setubalenses More Than a Thousand continuam a dar cartas no Metalcore e, ao terceiro longa-duração, continuam a provar-nos que são incapazes de dar um passo em falso ou de escrever uma má canção. Demasiado convencional para alguns, Lost At Home é mais uma prova dada por esta banda que continua a abrir caminho para o Metal português.

Destaques: “Never Let Go”, “Room of Blades”.

8. Murdering Tripping Blues – Pas Un Autre

Uma entrada tardia (cd analisado apenas há poucos dias) na lista, mas inegavelmente merecida, fruto de um CD que combina elementos de Blues e Stoner Rock numa mistura sensual, ora dançável ora inflamável, com os melhores teclados que ouvimos este ano e com um som tão “cheio” que nem se dá pela falta do baixo; resumindo: notável.

Destaques: “Into Your Eyes”, “Petrol Tainted Breath”.

7.  PAUS – Clarão

Um dos mais aclamados super-grupos da música portuguesa, com membros dos Linda MartiniVicious Five ou If Lucy Fell, os PAUS lançaram este ano Clarão, num registo que, mesmo mantendo uma sonoridade eclética e (por vezes demais) alternativa, se mostrou mais frontal e guiado pelo rock do que o seu antecessor, explorando na mesma ritmos exóticos através da sua percussão tropical, teclados irrequietos e coros urgentes, num exemplo de uma banda que é muito mais do que a soma das suas partes.

Destaques: “Bandeira Branca”, “Negro”, “Ambiente de Trabalho”.

6. Catacombe – Quidam

Os Catacombe conseguiram tornar-se numa referência underground do Post-rock nacional com a estreia Kinetic, da qual Quidam é sucessor, mantendo como fórmula o jogo de emoções através da música instrumental e a alternância entre dinâmicas mais melódicas e abertamente pesadas, que permitem tecer texturas narrativas nas suas músicas, sem necessidade de letras, resultando num álbum ainda superior ao seu antecessor e em mais uma referência na música alternativa instrumental portuguesa.

Destaques: “Nadir”, “Lolita”, “Mental Confusion”.

5. O Bisonte – Abril

O Bisonte apanhou-nos de surpresa nesta recta final de 2014 com o anúncio inesperado da sua despedida, mas não sem antes nos ter brindado com o inflamado Abril, o seu derradeiro esforço de estúdio que acabou por ser um verdadeiro “canto de cisne”, sendo o melhor álbum da banda portuguesa, combinando na perfeição o seu lado mais enérgico (e, muitas vezes, político) com a sua faceta mais melódica e intimista, no último grito da geração que continua a exigir um Abril que nunca chegou.

Destaques: “Abutres”, “Fado”, “Roda”.

4. Moe’s Implosion – Savage 

Vindos do Montijo, os Moe’s Implosion prolongaram em Savage a fórmula da sua estreia Light Pollution; adeptos do Post-Rock que é espacial onde bandas como Linda Martini são mais Punk, os músicos sabem equilibrar bem as doses certas de emotividade, melodia, psicadelismo ocasional e peso ainda mais ocasional para resultar num disco falsamente leve, mas verdadeiramente fantástico.

Destaques: “Wave Race”, “Fassbender”, “The Storm”.

3. la flag – Spargelzeit

Mais uma entrada no panteão do Post-Rock nacional, Spargelzeit apresentou-nos aos la flag, cuja música instrumental não age segundo as regras do género, escolhendo distanciar-se das tradicionais mudanças de dinâmica e ritmos de crescendo até um clímax, estabelecendo os “altos e baixos” das suas faixas à sua vontade, resultando numa sonoridade bastante mais variada e refrescante dentro do género, que tanto nos assalta pelas emoções como chama o corpo para a dança.

Destaques: “Dama de Espadas”, “Zenith”, “Ophelia”.

2.Blame Zeus – Identity

Nativos de Gaia, os Blame Zeus combinaram a sua mescla de influências que vai desde Funk a Metal Alternativo no seu álbum de estreia, obtendo um registo que (num trocadilho óbvio) já apresenta uma identidade definida para o som da banda, entre momentos mais pesados de quase Nu Metal até a um Rock Alternativo amigável, as músicas são originais e ecléticas, servindo ainda para apresentar ao país a excepcional voz carregada de soul da vocalista Sandra Oliveira.

Destaques: “Falling of the Gods”, “The Apprentice”, “Accept”.

1. Os Alice – Discórdia

Discórdia nem parece um disco de estreia; os Alice mostram uma coesão na escrita das canções absolutamente notável, já com uma identidade marcante no seu som e sem músicas para “encher” ou pontos fracos no CD, beneficiando ainda de uma frescura e uma vitalidade só possíveis quando se anda neste “negócio” há pouco tempo. Juntando a isto um liricismo impecável e tremendamente narrativo, somos brindados com um álbum a todos os níveis arrebatador e que merece uma entrada de referência no cancioneiro nacional, não só de 2014, como em geral.

Destaques: “Gato Morto”, “Homem Nobre”, “Diabo na Mão”.