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O Melhor de 2014 [por Jorge Martins]

Depois de um dificíl (por boas razões) Top nacional, chegou a hora de ter ainda mais dores de cabeça na hora de escolher os 10 melhores álbuns internacionais deste ano, em que a “colheita” para os amantes de Rock e derivados foi absolutamente excepcional, com muitas opções de grande qualidade para todos os gostos.

De um total de 20 candidatos iniciais, metade tiveram de se reduzir a menções honrosas, ficando assim a lista dos CD imperdíveis de 2014, que todos deviam experimentar pelo menos uma vez!

10. Antemasque – Antemasque

Quando Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodriguez-Lopez se zangaram a ponto de porem termo aos Mars Volta, temeu-se o pior, mas a verdade é que estes mestres do rock progressivo não conseguem ficar muito tempo chateados e fizeram as pazes entretanto, com direito a novo projecto e tudo; se é certo que Antemasque traz muito mais à memória os tempos de At the Drive-In do duo do que o seu lado progressivo, a sonoridade da banda resulta numa mescla de Punk, Rock Progressivo e até algum apelo Pop que dão uma vida especial ao álbum de estreia e vontade de ouvir mais desta nova incarnação da dupla.

Destaques: “4AM”, “Drown All Your Witches”, “Memento Mori”.

9. Interpol – El Pintor

Depois de um álbum homónimo mais electrónico e pouco inspirado, os Interpol recuperaram da saída do seu baixista Carlos Dengler e em grande estilo, metamorfoseando-se em El Pintor numa banda mais madura e sensual, trocando a sua energia dançável inicial por um charme insinuante, mantendo no entanto a elegância que sempre os caracterizou e protagonizando assim aquele que foi o grande regresso deste ano, com riffs inspirados, um Paul Banks impecável nos seus falsetes de impor respeito e vários novos hinos de Post-Punk revivalista para a História.

Destaques: “All the Rage Back Home”, “My Desire”, “Breaker 1”.

8. La Dispute – Rooms of the House

Vindo da banda que já é indiscutivelmente o supra-sumo do Post-Hardcore, Rooms of the House foi um álbum que veio pôr alguma “água na fervura” depois dos pesados registos anteriores, se bem que permitiu à banda aperfeiçoar-se nesses momentos mais lentos, com composições menos virtuosas, mas mais directas e brutais, quase em formato-canção, enquanto que o vocalista Jordan Dreyer narra as suas metáforas e histórias trágicas com sabor verídico que tornam este disco numa autêntica “casa de memórias” e no CD mais completo dos La Dispute, ainda que não o seu melhor.

Destaques: “Stay Happy There”, “Woman (In Mirror)”, “Woman (Reading)”.

7. Mastodon – Once More ‘Round the Sun

Depois do estrondoso êxito que foi o surpreendentemente acessível The Hunter, toda a gente se perguntava qual seria o próximo passo para os Mastodon, ao que a banda respondeu com um álbum ainda mais próximo do Metal mainstream, em que os músicos condensam a sua técnica e virtuosismo em canções curtas, mas certeiras, que privilegiam os vocais límpidos, mas mantendo a sonoridade complexa que sempre caracterizou os americanos, resultando num CD que permanece como mais um marco para a banda e para a História do Metal, mas que também pode ser devidamente apreciado por ouvintes mais casuais.

Destaques: “Halloween”, “The Motherload”, “Ember City”.

6. Architects – Lost Forever//Lost Together

Quando há um ano os Bring Me The Horizon revolucionaram completamente o paradigma do Metalcore com o inovador Sempiternal, levando a uma exaustão do género por outras bandas banais que procuravam o mesmo sucesso, ninguém esperava que uma banda com um som mais convencional dentro do género estivesse no Top, ainda por cima tão alto, mas a verdade é que neste disco os Architects entregaram-nos um escape para as suas crenças políticas e morais sob a forma de um CD visceral, emotivo e, ainda que pesado, facilmente identificável pelo ouvinte, sendo ainda o álbum de consagração para Sam Carter, com uma versatilidade e uma voz límpida que o tornam num dos melhores cantores do Metal actual.

Destaques: “Naysayer”, “Colony Collapse”, “The Distant Blue”.

5. The Black Keys – Turn Blue

Depois de conhecerem um sucesso tardio em Brothers e sobretudo El Camino, os Black Keys decidiram revolucionar o seu som em Turn Blue, tornando-o mais ambicioso em todos os sentidos, seja através de autênticas epopeias rock à Zeppelin como a faixa de abertura ou flirts abertos com electrónica, conseguindo ao mesmo tempo manter a sua identidade no processo (embora ao vivo as novas faixas raramente sejam testadas) e ser bem sucedidos no processo, expandindo o seu som sem comprometer o sucesso que já conheciam, um feito realmente notável (e criando aquele que foi na minha opinião o maior hino rock do ano e que pode ser ouvido abaixo).

Destaques: “Weight of Love”, “Bullet In the Brain”, “In Time”.

4. Maybeshewill – Fair Youth

Conhecidos pela sua abordagem mais pesada, quase Punk, ao género do Post-Rock instrumental, os Maybeshewill deram-nos a volta a todos quando nos trouxeram Fair Youth, um álbum que, mesmo sem abandonar as guitarras, tem muito mais foco em sintetizadores e texturas electrónicas, que a banda também sempre tinha usado, mas em segundo plano; no entanto, o resultado é mais do que convincente, com um CD coeso, emotivo, extraordinariamente executado e, mais importante que isso tudo, com uma visão inovadora num género sobre-populado de banalidade.

Destaques: “In Amber”, “In the Blind”, “Volga”.

3. Royal Blood – Royal Blood

Uma das duas bandas que foi seleccionada para salvar o rock britânico no passado recente (e ambas estão nesta lista, o que significa que a sua missão teve sucesso) e se tornaram num fenómeno à escala mundial, os Royal Blood pegaram na fórmula baixo+bateria+voz que os Death From Above 1979 (uma das menções honrosas) trouxeram ao público com êxito, mas, em vez de a tornarem numa mistura Punk dançável, optaram por nos presentear com um Rock musculado próximo de Queens of the Stone Age que nos transmite o seu suor e sangue como se fosse nosso, enquanto nos dá uma abordagem extremamente original ao incompreendido instrumento de 4 cordas.

Destaques: “Out of the Black”, “Loose Change”, “Ten Tonne Skeleton”.

2. Circa Survive – Descensus

Com álbuns sempre impecáveis na bagagem, um novo registo dos Circa Survive já se tornou num evento de celebração para o mundo do rock alternativo e Descensus não é a excepção, sendo mesmo o melhor disco que a banda já editou e um verdadeiro marco no género; o seu trabalho de guitarras é tão prodigioso na melodia quanto atmosférico, auxiliado por uma percussão excelente e um Anthony Green ora raivoso ora delicado nos vocais, num CD que cobre vários terrenos no espectro do Alternativo, mas em que a intensidade e entrega total são constantes e recompensadoras.

Destaques: “Schema”, “Sovereign Circles”, “Quiet Down”.

1. Marmozets – The Weird and Wonderful Marmozets

A tal “outra” banda destinada a salvar o Rock britânico, os Marmozets começaram como “só” mais uma boa banda de Mathcore, tendo conhecido desde então uma evolução inacreditável, expandindo a sua sonoridade sem comprometer as suas raízes de uma forma que só pode ser descrita como fenomenal; o seu álbum de estreia incorpora elementos de Mathcore, Pop Rock, Rock Alternativo e Punk e o mais impressionante é que essa mistura à primeira vista imiscível soa bem; na hora de caracterizar a banda, é difícil: soam a Muse? a Biffy Clyro? a Dillinger Escape Plan? Soam a Marmozets e isso é verdadeiramente tão estranho quanto maravilhoso.

Destaques: “Move, Shake, Hide”, “Hit The Wave”, “Weird and Wonderful”