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O típico metaleiro de sofá

Cada vez mais e facilmente nos deparamos com metaleiros de sofá, mas o que muita gente pergunta, o que são metaleiros de sofá?

Hoje em dia, estando ligado a grupos no facebook por exemplo, é fácil irmos de encontro com esse tipo de pessoas, pelo tipo de conversa que têm sobre determinados assuntos, como o gosto de criticar festivais sem nunca ter lá estado e falarem mal de bandas da casa sem nunca as terem visto ao vivo. Ao encontrarem certos cartazes de grandes festivais europeus, usam-nos para criticar Portugal, pois não têm noção que no nosso país, nos festivais mainstream, os dias de metal pouco ao nada interessam, e os festivais que cá temos, até os maiores, ainda não têm meios para fazerem algo de dimensão semelhante. Em suma, um metaleiro de sofá é um individuo sem noção e muito mal habituado.

Um exemplo prático disto é as críticas feitas aos festivais portugueses e suas confirmações. Muitos gostam de apontar o dedo pela escolha da banda x ou y, e sem dar fundamentos para tal. Mesmo que os mesmos acabem por confirmar um número variado e diversificado de bandas, focam-se naquelas que não gostam, não sendo capazes de elogiar quando trazem bandas ao seu gosto.

Festivais como o Vagos Open Air, SWR Barroselas, Amplifest, Moita Metal Fest, Santa Maria Metal Fest, Évora Metal Fest, Hardmetalfest Mangualde, Mosher Fest, Xxxapada Na Tromba, Sublime Torture Fest, Butchery At Christmas Time, Pax Julia Metal Fest, Hell in Sintra, Casainhos Fest, Vimaranes Metallvm Fest, até os Reverence Valada e SonicBlast Moledo mesmo já puxando público diferente, entre outras dezenas (ou centenas), compõem a enorme lista de oferta e qualidade que temos por cá. Dantes havia poucos e ninguém se queixava, hoje há muitos e as queixas são mais que muitas..

É certo que pode não agradar a todos, claro, mas a oferta é muita e ninguém pode ficar indiferente ao grande trabalho que estes festivais, e outros que não foram mencionados, têm feito, tanto a trazer bandas internacionais, como a apostar na prata da casa. O metaleiro de sofá muito provavelmente nunca meteu os pés em muitos destes festivais, mas isso não o impede de ter uma opinião sobre eles com base apenas nas bandas que os mesmos confirmam.

Além de ignorar o que se faz por cá, o nosso amigo gosta de perder tempo a ver os cartazes que os maiores festivais da Europa fazem, todos bonitos com grandes orçamentos e com todas as bandas que ele quer ver, mesmo que só conheça umas 5 músicas dessas bandas, com isto e desconhecendo a dificuldade que é realizar um festival cá em Portugal, acha que o que se faz por cá é uma porcaria porque não trazem tantas bandas.

Sejamos honestos, no que toca a concertos, Portugal está no fim do sistema digestivo da Europa, para trazer cá uma banda ou a proposta é aliciante ou tem que se esperar que a banda também vá a Espanha. Os festivais grandes, como o Hellfest, Wacken, Metal Days, Graspop, Brutal Assault, entre outros, são realizados em países no centro da Europa, torna os acessos a estes por parte do público e bandas mais simples, é com estas facilidades que esses festivais conseguem crescer rápido, ao trocarem de bandas entre si. No nosso caso, falando apenas dos maiores, Vagos Open Air e SWR Barroselas, vão fazendo o que podem, e ambos tem feito um grande trabalho ao encherem os seus cartazes com os mais variados subgéneros e bandas de grande renome mundial, e com isso conseguimos ir buscar alguns irmãos espanhóis para cá virem gastar dinheiro.

Mas para o metaleiro de sofá isso não é o suficiente, porque ou as bandas não são tão “grandes” ou então são poucas, neste último aspeto ate é ridículo comentarem a quantidade de bandas, quando um festival tem vários palcos a tocar em simultâneo, uma pessoa acaba sempre por perder bandas que gosta em detrimento de outras.

Ah, e não esquecer, para muitos amantes da poltrona, o Rock in Rio é o maior festival de metal do país, mesmo quando o próprio festival só costuma ter um dia e repete bandas de ano para ano. E o NOS Alive, “nunca mais foi o mesmo” porque nunca mais fez um dia do metal, algo que só aconteceu uma vez e foi com bandas que já tinham estado no Rock in Rio no ano anterior, mas isso não importa a ninguém.

Algo marcante na figura imponente que é metaleiro de sofá é o ‘chorar’ pela falta de concertos quando os há quase todas as semanas dos mais variados géneros. Lisboa, Porto e até por vezes Aveiro, Coimbra e Leiria, costumam ter, quase todas as semanas, diversos concertos à disposição dos amantes da música pesada a preços variados, muitos a rondar os 5 a 10 euros (alguns até mais baratos) e nem é preciso estar muito atento para se ter conhecimento disso, hoje graças às redes sociais partilha-se tudo facilmente. Mas, sim o terrível mas, o metaleiro de sofá quando sabe da existência desses concertos prefere não ir e dizer que é pequeno porque querem algo no Pavilhão Atlântico/ Meo Arena ou em festival.

PS: Concertos a meio da semana deviam ser proibidos!

A nível de bandas, o ficarem presos no tempo é imagem de marca, tudo o que seja pós anos 90’ é m****, ou melhor, nem tentam ouvir, assumem automaticamente que é barulho sem qualidade e ignoram o que se faz, tanto cá dentro como lá fora, nas dezenas de subgéneros que o metal tem para oferecer. Também passa o tempo a reclamar que o que se faz hoje em dia ou soa tudo igual ou que não tem qualidade e depois vai ouvir heavy, thrash e power metal, que embora tenham bandas de qualidade, atualmente são dos géneros mais saturados e os em que as bandas mais se copiam umas às outras.

Após lerem o texto e sentirem que se associam com o que foi dito, fujam, fujam para longe, ou para ser mais fácil, comecem a respeitar o que se faz por cá e explorem melhor a música que ouvem. E em vez de gastarem dinheiro em discotecas para ‘mosharem’ muito orgulhosos ao som de Nirvana e Megadeth, porque não irem a ‘moshar’ em concertos em que ouvem os músicos a tocar e cantar?

Ah e não sejam como esta pessoa:

metaleiro

Marco António Pires

Sou amante da música em geral com gostos mais virados para o metal, mas estou sempre disposto a ouvir coisas novas!