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Opeth – Pale Communion

Por muito difícil que seja para os fãs aceitarem, os Opeth já não são uma banda de Death Metal; como o vocalista, guitarrista e líder Mikael Akerfeldt não se cansa de dizer, os suecos decidiram avançar e expandir a sua sonoridade, prometendo deixar esses tempos mais pesados para trás.

Agora a banda dedica-se ao Rock Progressivo e, francamente, ainda bem que assim é! Para além de terem todo o virtuosismo necessário para darem conta da tarefa, os músicos ainda conseguem preencher um lugar vago há décadas, desde que bandas como os Yes, King Crimson ou até Pink Floyd deixaram a ribalta, rivalizando em genialidade apenas com os canadianos Rush na actualidade.

Assim sendo, depois de um Heritage em 2011 que já deixava adivinhar esta tendência, em Pale Communion os Opeth continuam a explorar as suas tonalidades mais psicadélicas, entregando 8 músicas que, para além de um óbvio tributo ao melhor Prog-Rock dos anos 70, tem também o cunho e a identidade da banda sueca presente.

Pegando na estética do predecessor e nas texuras melódicas exploradas em Damnation (o primeiro álbum mais “suave” dos Opeth), o álbum não esquece as raízes Doom (os riffs por trás de “Cusp Of Eternity” assim o provam), mas é povoado por teclados atmosféricos, guitarradas doces e harmonias vocais fantásticas, como se pode ver logo na inicial “Eternal Rains Will Come”, que é um excelente prenúncio do que está para vir.

Uma das provas mais estereotipadas (e, ainda assim, normalmente correcta) de que este é um álbum abertamente progressivo é a duração das músicas (o cd tem quase uma hora e apenas 8 músicas), tendo todas as músicas várias camadas e rejeitando o formato-canção, de forma a dar origem a faixas altamente completas e verdadeiramente arrebatadoras, como no verdadeiro monumento que é “River”, por vezes até demais (“Moon Above, Sun Below” seria facilmente a música mais marcante do cd não fossem os 2 minutos finais, que acrescentam texturas desencaixadas da música restante).

Há ainda espaço para o belíssimo instrumental “Goblin” que serve de interlúdio e para um regresso às origens mais pesadas em “Voice Of Treason”, onde os teclados sinistros marcam presença com distinção, embora a maioria do álbum seja marcada pela elegância de um Metal que, mesmo sem o peso de outrora, continua a dar frutos e a expandir a sonoridade de uma banda surpreendentemente ainda em crescimento.

Desta forma, Pale Communion pode alienar alguns fãs na sua abordagem abertamente Prog-Rock, mas a verdade é que o cd está brilhantemente executado e, mais do que uma homenagem sentida aos clássicos do género, reserva ainda um lugar de destaque para os Opeth enquanto pesos-pesados do Progressivo.