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Pallbearer – Foundations of Burden

Os Pallbearer alcançaram já um feito que apenas está ao alcance dos melhores epígonos de qualquer género musical, tornaram a sua sonoridade “doom & gloom” em algo orgânico e eclético que extravasa as fronteiras do género, transportando mensagens e criando estados de alma que não deixarão ninguém indiferente.

Na verdade, falamos de uma banda que, apesar de finamente oleada, apenas conheceu a estreia discográfica, em 2012, com o aclamado e epifánico Sorrow and Extinction. Considerado por muitos, como um dos melhores álbuns desse ano. Imaginem como deve ser difícil a demiúrgica tarefa de um artista que, depois de ter criado algo sublime, deve reinventar-se de forma a oferecer ao seu público um novo chef-d’œuvre.

Mas foi essa tarefa Hercúlea que os Pallbearer tiveram que realizar em Foundations of Burden. A receita é, na verdade, simples e lança raízes no húmus fértil e vintage dos Black Sabbath para frutificar em composições buriladas com o preciosismo de filigranas musicais que se alongam persistentemente em elementos insidiosamente melódicos, mas pautados por paisagens melancólicas e saturnianas; “The Ghost I Used to Be”, será talvez o melhor exemplo da influência da banda de Ozzy Osbourne.

Parte significativa do deleite em ouvir este novo disco dos Pallbearer, emerge da qualidade vocal do frontman Brett Campbell. Desde o início, com “Worlds Apart”, ele será como Caronte, guiando-nos pelas superfícies lívidas e aquosas do “lago do esquecimento”. Por outro lado, o fator de sedução presente na música da banda parte também da sensibilidade na gestão dos silêncios e dos momentos de ataraxia instrumental, “Ashes” será um perfeito exemplo dessa gestão. Não esquecer também a importância do Rhodes e da voz de D. Rowland, bem como da sua capacidade de composição, no universo sonoro da banda.

Como em muitas obras de arte, também aqui o clímax, na nossa opinião, surge precisamente a meio do álbum com a imponente e musculada “Watcher in the Dark”, momento em que cada elemento parece no auge do seu brilhantismo e intensidade, sendo de realçar aqui, como no geral, o fino recorte da produção a cargo de Billy Anderson.

A apoteose final está reservada para “Vanished”, a música mais longa do álbum, plena de circunvalações melódicas e de intensidade. Hino niilista e fantasmático, que nos fala dos limites oblíquos entre a finitude e a transmutação. Aproveito para salientar a beleza lírica das composições, escritas com verdadeira mestria poética,  que suscitam reflexão e inquietude metafísica, ainda que estejam aquém de outras do género e mesmo daquelas que encontramos em  Sorrow and Extinction.

Apenas para concluir, aponto apenas um aspeto que penaliza ligeiramente a classificação final, algo que, para uns será uma virtude e para outros um pecado, o facto de Foundations of Burden ser precisamente tudo o que se espera de um álbum dos Pallbearer e não trazer algo que possa preconizar alguma reinvenção musical no futuro da banda, criando um maior sentimento de expectativa em relação ao próximo álbum. Feito isto, dou por encerrada esta análise e continuarei a deleitar-me com a música.