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Palms – Palms

Os Isis foram uma das bandas mais proeminentes do movimento do Metal Alternativo, ajudando a criar um novo género e cimentá-lo com o nome de Pós-Metal; os Deftones, para além de um dos maiores sucessos do Nu Metal, foram evoluindo a sua sonoridade até se tornarem também numa das bandas mais sólidas a representar o Metal Alternativo.

Enquanto os últimos ainda andam aí para as curvas, os Isis “penduraram as botas” em 2010, depois de uma carreira com mais de uma década; no entanto, a vontade dos músicos de continuarem a tocar juntos foi mais forte, acabando por dar origem aos Palms, com a colaboração de Chino Moreno, dos Deftones, nos vocais.

Sendo este o cd de estreia da banda, havia muita expectativa sobre o valor real do conjunto, se seria apenas igual à soma das suas partes, ou um álbum a valer por si mesmo e a verdade é que o homónimo Palms funciona lindamente.

Para quem estiver habituado à sonoridade dos Isis, não será um grande choque, visto que, à excepção de Moreno, todos os outros integrantes da banda eram membros do conjunto, voltando a tecer músicas longas e complexas, sempre num registo minimalista (é raro o uso de distorção, mesmo sendo “Metal”) e altamente evolutivo, típico de bandas de Pós-Rock e Pós-Metal, apesar de raramente haver explosão nas músicas.

Se tiverem na memória músicas de Deftones mais leves como “Sextape” ou “Mascara” também conseguem imaginar na perfeição o registo vocal que Chino insere ao longo destas apenas 6 faixas, recorrendo à sua voz doce e harmoniosa, em vez do registo gritado que o tornou numa referência na sua banda de sempre.

“Future Warrior” abre o álbum da melhor forma, sendo uma música equilibrada, por entre melodias aguçadas e momentos mais pesados, com a voz de Chino sempre em grande plano, levando-nos a interrogar se 6 músicas saberão a pouco, por muito longas que sejam.

Ironia do destino, a seguir à melhor faixa do registo (e logo a primeira!), segue-se “Patagonia”, a mais desinspirada, com alguns momentos interessantes, mas cujos quase 7 minutos parecem excessivamente longos para o que a música oferece (excessivamente atmosférica e perdida em devaneios experimentais).

Segue-se “Mission Sunset”, em registo minimalista, quase de balada, com uma prestação assombrosa de Moreno na parte vocal e uma melodia hipnótica e contagiante; a partir daqui, o álbum nunca mais perde o ritmo, com “Shortwave Radio” a ser mais uma faixa extremamente equilibrada, que soa a God is an Astronaut caso tivessem decidido começar a cantar.

A recta final faz-se com a excelente balada “Tropics” e à instrumental “Antartic Handshake” cabem as honras de terminar o cd, com arranjos lindíssimos por entre muita experimentação etérea, que resumem os Palms da melhor forma possível.

Assim sendo, quem for ouvir Palms com esperanças de encontrar Metal Alternativo “à moda” dos Deftones sairá desiludido, mas quem se der ao trabalho de ir sem preconceitos, decerto irá degustar um magnífico cd de Pós-Rock atmosférico, com vocais trabalhados de forma fantástica, a estrear uma banda que, mais do que os seus membros, vale por si; esperemos que seja para continuar!

Análise de Jorge Martins