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Patria – Nihil Est Monastica

Horda ululando por Terras de Vera Cruz ou, melhor dizendo, de “Inversa Cruz”, os brasileiros PATRIA lançam com a chancela da editora francesa de culto, Drakkar Productions, a sua mais recente “opus tenebrae” – “Nihil Est Monastica” – emulsionada em Black Metal orgânico e cru, na linha do primevo som dos anos 90. O design gráfico do álbum ficou a cargo de Costin Chioreanu que trabalhou com bandas como Darkthrone, Ulver, Aura Noir e foi responsável pela arte gráfica de “Onyx” dos portugueses Ava Inferi.

O álbum tinha data de lançamento prevista para amanhã, 13 de março, (13.03.13), no entanto, a banda anunciou ontem o seguinte” Recebemos notícias da empresa fonográfica que está encarregada da prensagem do “Nihil Est Monastica”, nos informando que ocorreu uma “falha elétrica” na prensagem do CD. Por conta disso, haverá atraso na entrega, inviabilizando o lançamento para o dia 13/03. Possivelmente, antes do dia 25/03 o CD já esteja disponível. Informaremos nesta página, assim que chegar em nossas mãos.”

Curiosa “falha elétrica”! Impedindo que este malefício feito disco possa emergir das trevas num dia carregado de conotações negativas e funestas habitualmente associadas ao mal e ao azar.

Com efeito, tudo se parece conjugar para que “Nihil Est Monastica”, o quinto trabalho da banda de Mantus (a força motriz e epicentro criativo dos PATRIA) seja consagrado como pedra de toque no seio da discografia da banda.

Neste epítome do mal salienta-se a complexidade do trabalho rítmico, nomeadamente, ao nível da percussão, visto que o índice de brutalidade sonora não se mede aqui simplesmente no consecutivo metralhar da bateria, mas antes nas alternâncias sincopadas entre ritmos de velocidade e intensidade diversa, servindo como exemplo alguns dos melhores temas do álbum: “Ravens Almighty” e “Dark Cosmic Legend”. O êxtase rítmico é evidenciado ainda pela intrincada organicidade e volúpia de um baixo soturno que procura insistentemente copular com as linhas de truculência sonora ditadas pelas guitarras.

O som dos PATRIA cresceu, mas a banda continua a veicular sonoridades que, segundo Mantus, mantêm ainda a identidade necro e lowfi caraterística dos primórdios do Black Metal. Desenganem-se aqueles que pensam que os PATRIA podem ter baixado a guarda, “Nihil Est Monastica” é BM puro e duro, envolto pelo negrume tétrico e malévolo das trevas mais esconsas, originando temas repletos de uma perfídia sedutora como é o caso de Nyctophilia.

Portanto, o álbum apresenta diversos pontos de interesse, sendo possível acrescentar aos temas já elencados outros momentos mais insignes como “Evoking the Ancient Spirits” e a fantástica “homage” à banda de culto do metal extremo brasileiro, SARCÓFAGO, com a fulminante cover “Black Vomit”.

Para finalizar, recordamos o manifesto programático da banda: “PATRIA não é sobre política ou pensamentos regionalistas. É apenas sobre Black Metal e a ascensão das trevas! Esta é a nossa casa, a nossa terra, esta é a nossa orgulhosa PATRIA!!!”

Desenganem-se aqueles que ousam entrar desprevenidos no átrio marmóreo e sepulcral dos PATRIA. Estas alamedas terríficas, rodeadas de criptas e tumbas cadavéricas, não são para os fracos de coração, porque aqui, como no Inferno de Dante, lê-se em palavras ígneas: “Abandone toda a esperança aquele que aqui entrar”, já que daqui em diante avistam-se as chamas infernais do verdadeiro Black Metal Sul-americano.

Análise de Rui Carneiro