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Pearl Jam – Lightning Bolt

4 anos depois do lançamento do mediano Backspacer, que mostrava uns Pearl Jam mais optimistas e mais orientados para as baladas sem sabor por influência de Vedder a solo, eis que chega Lightning Bolt, o décimo álbum de estúdio da banda de Seattle em 22 anos de actividade.

Ora, desde Vitalogy, do longínquo ano de 1994, que o grupo não lança um cd universalmente aclamado, tendo primeiro deixado o grunge que os tornou famosos para enveredar por caminhos mais experimentais (o incompreendido No Code), seguidos por uma tendência para enveredar pelo rock de garagem de influências blues e/ou punk (Yield para a frente), com pausas para serem activistas (Riot Act e o homónimo).

Com um percurso já longo e bastante variado (e, também a certas alturas, turbolento), não é de espantar que os Pearl Jam façam em Lightning Bolt aquilo que se sentem mais confortáveis a fazer, ou seja, deixar-se levar pelo rock “springsteeniano” e fazer um cd de rock puro.

Existem, no entanto, várias diferenças relativamente a Backspacer, com a nostalgia do costume a substituir o optimismo e aparente alegria do antecessor, sendo também um álbum menos inconsequente e mais disposto a durar nos nossos ouvidos (embora só o consiga em parte).

“Mind Your Manners”, música furiosa que serviu de primeiro single, é uma faixa acelerada com raízes no punk que mostra toda a banda na sua melhor forma, apresentando-se de forma curta e eficaz. O mesmo se pode dizer de “Getaway”, música de abertura, com uma prestação tremenda a nível vocal de Eddie Vedder (a sua voz parece soar cada vez melhor com os anos) e um sentimento de revolta a alimentar a chama que dá vida à faixa.

Os Pearl Jam, talvez a acusar a idade, continuam a querer apostar mais nas baladas, mas estas, em geral, apresentam-se bem melhores que as de Backspacer. “Sirens”, apesar de não soar à banda, tem uma das letras mais inspiradas do cd (que, de resto, mostra Vedder algo desinspirado, comparando com alguns dos seus trabalhos anteriores) e uma emoção evidente, sendo acompanhada da negra “Infallible” e da belíssima “Pendulum” nas que perdurarão no currículo já bastante rico da banda. Por outro lado, se as finais “Future Days” e “Yellow Moon” ficam ainda num patamar razoável, “Sleeping by Myself” é banal e aborrecida, soando a uma cópia pálida do que a banda já fez.

Num registo mais animado, a faixa-título é contagiosa na sua alegria e vivacidade, mas o mesmo não se pode dizer de “Let the Records Play”, recheada de blues mas que não resiste a audições sucessivas.

Assim sendo, mesmo sendo o registo onde a banda se mostra confortável e sem surpreender nem um pouco, Lightning Bolt é um álbum sólido, que aposta forte nas baladas, mas que desta vez cumpre nesse registo e que só é prejudicado por uma recta final lenta e sem “gás”. Ainda assim, é provavelmente o melhor cd de Pearl Jam desde o mal-amado Binaural.

Análise de Jorge Martins