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Phazer – Rockslinger

Em Rockslinger, os portugueses Phazer demonstram que há sempre razão nos provérbios e ditados populares, nomeadamente, ao dizer que “maior não é melhor”, ou, trocado por miúdos, que quantidade muitas vezes não é sinónimo de qualidade e vice-versa.

A verdade é que a banda assina aqui um registo invulgarmente curto (apenas 6 faixas, uma das quais, a final Lil’ Devil, é uma cover de The Cult), mas que se faz notar pelo poder do seu rock musculado e, sobretudo, pela frescura que traz ao panorama da música nacional.

Sendo o terceiro registo dos portugueses, a verdade é que existe aqui rock sem compromisso, pesado e macho, como se quer, sem se perder em grandes experimentalismos ou letras repletas de significando, empregando em vez disso a fórmula clássica de uma voz carregada de sensualidade acompanhada por uma guitarra irrequieta e um baixo e uma bateria competentes a entregar doses massivas de riffs diabólicos e isso apenas chega e sobra!

Logo na faixa de abertura, I’ve Been Shot, percebe-se rapidamente qual é a direcção que o álbum vai tomar, com uma linha de baixo rija, mas animada a dar a vitalidade à música, com a voz carregada de sensualidade a dar uma toada quase de cabaret em algumas partes da música, até rebentar a guitarra em solos frenéticos num grande início.

Se a impressão inicial era de um rock mais dançável e animado, a segunda faixa, Dear Foe, limpa de imediato qualquer sensação do género, com uma aproximação maior ao Metal nos versos, tendo o benefício de contar com a melhor letra do cd (embora nenhuma delas seja de grande destaque, mas o objectivo também não é esse) e, mais uma vez, a guitarra a salientar-se pela positiva num solo muito bem conseguido, a demonstrar grande perícia a lidar com o instrumento. Há que salientar ainda que o refrão é “pegajoso” e corre-se o risco de ficar a trautear a melodia durante horas a fio (não que isso seja mau).

Se a instrumentalização é fantástica, há que dar também uma palavra em relação à voz, extremamente versátil, a oscilar entre tons mais íntimos e sensuais com partes abertamente metaleiras e agressivas, sem quebra na qualidade do som e das melodias. Muito bom, mesmo!

Ironicamente, a faixa seguinte, Spermatogenesis, é marcada por ser puramente instrumental (a voz apenas faz umas interjeições etéreas) e é também a melhor música do cd! Na ausência de uma parte vocal, existe ainda mais espaço para o destaque dos instrumentos, que cumprem muito bem (o protagonismo vai mais uma vez para a guitarra, embora o baixo também “dê uns toques” interessantes).

Voltamos à voz com On the Road, música que vai buscar influências à era dourada do glam metal, nos já longínquos anos 80, mas troca o brilho dos fatos e das permanentes por brutalidade típica de um stoner rock quase metal, quase como se Josh Homme tivesse decidido fazer uma música com os Motley Crue, mas resulta bem e fica no ouvido, sendo a música mais acessível de todo o cd.

Segue-se a balada My Treasure, que é de longe a faixa pior conseguida do álbum, com as constantes mudanças de ritmo a trocarem o ambiente entre melancólico e excessivamente próximo de um jingle publicitário. Destaque para a voz, mais uma vez, onde quase se reconhece um Mike Patton, embora seja mesmo só isso que fique na memória desta música.

A fechar, a cover Lil’ Devil é bem conseguida e mostra, pelo tom musculado que a acompanha, que The Cult deve constar sem dúvidas no reportório de influências dos Phazer.

Assim, neste cd que não ultrapassa a meia hora de duração estão encerrados alguns momentos bem interessantes da música portuguesa pesada actual, que merecem ser ouvidos.
Se é verdade que os Phazer não inovam em relação ao que já existe, conseguem pegar em sons de rock “clássicos” e dar-lhe frescura, o que é de louvar!

Análise de Jorge Martins