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Pianos Become the Teeth – Keep You

Os Pianos Become the Teeth (PBTT) fazem parte da auto-intitulada The Wave, em conjunto com bandas como Touche Amore ou La Dispute, tendo sido responsáveis pela revitalização do Post-Hardcore a meados da década passada e, tal como os últimos, tendo vindo a ter uma mudança acentuada na sua sonoridade.

Ao terceiro álbum de estúdio, a banda americana parece ter finalmente visto a luz ao fundo do túnel (como o próprio vocalista Kyle Durfey diz em “April”: “It’s not that bad/Most days”), substituindo a emoção crua e gritos de angústia adolescente que pautavam os registos anteriores pelo seu lado mais melódico que pede muito emprestado ao Post-Rock, sendo raro o uso de distorção nas guitarras e os vocais abundantes são sempre em registo delicodoce, numa abordagem que assenta bem ao grupo, pesem embora os resultados algo homogéneos.

Não confundir, no entanto, esta abordagem mais leve dos PBTT com um disco acessível ou comercial, pois tal não podia estar mais longe da verdade, sendo que Keep You entrega muito pouco nas primeiras audições, sendo um álbum para ouvir repetidamente, pois a cada nova oportunidade descobre-se um novo padrão melódico ou um qualquer pormenor que não se tinha notado da vez anterior e que mostra o quão complexo o cd realmente é, por muito “despido” que soe.

Apesar disto, existem ainda alguns momentos mais pesados, que lembram muito as encarnações mais recentes de La Dispute (sobretudo no novo Rooms of the House), como se verifica na raivosa “Lesions”, ou na emotiva “Enamor Me”, cujo refrão fantástico (“I don’t feel any closer to you here”) e letra trágica a tornam no melhor momento de Keep You.

Quando desaceleram, os PBTT já mostram resultados mais oscilantes, sendo que os melhores momentos normalmente correspondem às músicas em que conseguem bem controlar a dinâmica da melodia de forma a estabelecer um crescendo até um momento gratificante de explosão, como no refrão do single “Repine” ou no build-up emocional em “Late Lives”.

Por outro lado, quando se revelam mais contidos, os americanos oscilam entre faixas delicadas, mas ainda assim memoráveis (os riffs da final “Say Nothing” são qualquer coisa de extraordinário) e faixas que, por pedirem um clímax que nunca vem, ficam banalizadas e acabam por estar todas no mesmo registo e dar um tom homogéneo ao disco (“Old Jaw” ou “Traces” são interpretações modestas do lado mais leve dos La Dispute).

Desta forma, embora a nova personalidade dos PBTT lhes assente que nem uma luva, permitindo uma maior complexidade técnica e musical sem perder a emotividade que os caracteriza, Keep You mostra ainda uma necessidade na criação de uma identidade para esta faceta da banda e um maior controlo na dinâmica melódica das músicas para evitar a banalização e familiaridade entre elas.