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Pixies – Indie Cindy

Afinal de contas, os Pixies enganaram-nos! Pasme-se o hipster, soltem-se os cães, é heresia! Não há cd novo nenhum para amostra, depois de tanto espalhafato em torno do novo lançamento ao fim de mais de duas décadas.

Vamos por partes: Indie Cindy realmente foi lançado como álbum, no entanto, não passa da colectânea dos 3 EP’s lançados pela banda americana desde o seu retorno, sem nenhuma música nova para amostra, naquilo que parece ser apenas um “truque” discográfico para Frank Black se poder manter em digressão ad eternum satisfazendo quem lhe pede novas edições discográficas.

Isto, embora indesculpável, seria mais tolerável caso a música (repetente) fosse boa, o que, como veremos adiante, nem sempre é o caso e é aí que a coisa se complica.

Em primeiro lugar, nem parece que passaram 23 anos desde Tromple le Monde, última edição discográfica dos Pixies antes de acabarem, visto que o desejo de inovar da banda foi completamente nulo; mais uma vez, tal seria desculpável se, ao invés de inovar, o grupo apostasse em aperfeiçoar a fórmula que revolucionou por completo o rock alternativo americano no final dos anos 80, dando um novo significado à palavra “independente”… Pois…

Não só os Pixies escolheram estagnar a sua sonoridade, como escolheram a banda mais óbvia para copiar em termos de som… os Pixies; a verdade é que neste cd Frank Black e companhia parecem estar constantemente à procura de uma “renovação” dos seus hinos de sempre, acabando por criar faixas que raramente passam do suportável e em vários casos são mesmo sofridas.

Se, por um lado, a pseudo-balada que compõe a faixa-título nos enche as medidas, capaz de rivalizar com os grandes trabalhos da banda, vemos em “Bagboy” o desejo de ser a próxima “Monkey Gone to Heaven” e, embora fique atrás desta, não é uma faixa a deitar fora, enquanto “Silver Snail” tenta acompanhar a doçura da clássica “Where is My Mind?” e falha redondamente, tal como a inicial “What Goes Boom” tenta recriar a pedalada da agressividade “Tame”, mas ficando-se pelo meio gás.

Curiosamente, normalmente mais em destaque nos seus momentos mais enérgicos, em Indie Cindy é nas baladas que os Pixies parecem não ter perdido muita inspiração, com a insinuante “Magdalena” a ser uma delícia e “Another Toe in the Ocean”, de guitarras em riste destaca-se num cd francamente mediano.
Apesar disto, também há os momentos mais lentos para esquecer, seja pela melosa “Greens and Blues” ou pela francamente aborrecida “Andro Queen”.

O único momento em que a banda decide tentar soar diferente, em “Blue Eyed Hex”, quase desejamos o regresso ao normal, pois a encarnação Glam Metal dos anos 80 fica embaraçosa em Frank Black.
Assim sendo, para além de não cumprirem com a promessa de música nova em Indie Cindy, a que lá está não chega sequer para lutar por um posto no cânone até aqui imaculado dos Pixies, havendo apenas uma mão-cheia de músicas menos más para ir intercalando nos concertos entre os verdadeiros êxitos.

Análise de Jorge Martins