free website stats program

Placebo – B3

Após 3 anos de hiato, os Placebo decidiram voltar à produção de música nova, com o EP B3 a anteceder um prometido e muito aguardado cd a ser lançado no início de 2013, para suceder a Battle for the Sun.

Ao longo das 5 músicas que constituem o registo de curta-duração, notam-se claras influências do registo anterior, em que a banda assumiu um som mais brutal e pesado, a constratar com as suas aventuras depressivas passadas.

Mas em B3 os Placebo também tentam inovar, ou pelo menos evoluir na sua sonoridade e isso é que nem sempre resulta.

Na primeira faixa homónima, o objectivo parece ser o de soar como tudo o que os Placebo conseguem fazer, enquanto banda. Existe a suavidade da voz de Brian Molko, existem guitarras endiabradas, toques de electrónica, enfim, de tudo um pouco do que a banda é, foi e ambiciona ser. Mas a verdade é que soa bem e esta primeira faixa é das maiores atracções do EP, sobretudo pelo refrão orelhudo, com a voz de Molko em grande destaque (como sempre, diga-se).

A mudança de baterista sem dúvida que fez bem aos Placebo, injectando-lhes muita vitalidade nas músicas, sendo notável a quebra de qualidade quando a percussão está mais disfarçada, em relação a quando assume um grande plano e parece querer “rebentar”.

Em I Know You Want to Stop, a banda aposta na sua vertente de rock assumido, mas a música soa insípida, muito por culpa da estrutura repetitiva, indo o destaque para a letra insinuante, como só Brian Molko sabe fazer.

Seguindo-se The Extra, balada em que os Placebo tentam repetir o êxito que foi o hino épico de Kings of Medicine do cd anterior, o ritmo continua morno. Aqui, a letra é claramente desinspirada e a música rapidamente se torna aborrecida, com um minimalismo mal aproveitado.

I Know Where You Live, pelo tom depressivo e o riff característico é a faixa que soa mais “à Placebo”, de longe. É aqui que Molko decide escrever uma mistura entre a sua típica raiva adolescente e uma crítica social, que soa bem, naquela que é a melhor música do EP, mostrando os Placebo na praia onde se sentem mais confortáveis e sabe bem ouvi-los assim.

Por fim, Time is Money encerra o registo com mais uma balada, mais uma vez com uma letra irónica de grande estilo, apesar de aqui o tom minimalista ser bem aproveitado, com uma guitarra leve e docemente atmosférica a marcar o passo para Brian Molko poder declamar a sua poesia cantada, num excelente fecho para o EP.

Portanto, os Placebo parecem andar a ver no que apostar para o novo cd, com certezas e experiências (com os respectivos passos em falso) neste registo mais curto a darem para ver que, mesmo sem haver aqui nenhum momento extraordinário, a banda parece encaminhar-se num rumo interessante.

Os fãs cá esperam pelo cd novo!

Texto por Jorge Martins