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Protokult – No Beer in Heaven

Para quem não os conhece, os Protokult são oriundos de Toronto, no Canadá, enquadram-se no folk/pagan metal e editaram recentemente um novo álbum intitulado, No Beer in Heaven. Logo à partida, é natural que surjam comparações com outras bandas do género, preconizando aqui o tipo de sonoridade festiva, e de celebração báquica, ao estilo de Korpiklaani.

De facto, o intróito parece confirmar essa premonição com “Get Me a Beer” a tocar nos vários lugares comuns do Folk regado a levedura de cevada ou malte. Esse facto, faz-nos sempre levantar o sobrolho com alguma apreensão. No entanto, o caso muda completamente de figura, quando escutamos “Heaven Cast Me Out”, momento em que o growl de Drozd ganha o tom cavernoso, contrastando com o élfico canto folk de Ekaterina. Não estava preparado para tal mudança abrupta de sonoridade, até porque era a primeira vez que escutava a banda. Mais surpreendido fiquei, porque a voz de Drozd exibe aqui uma tonalidade particularmente próxima da que é apanágio de Fernando Ribeiro dos Moonspell. Um tema soturno, melódico, compassado e muito mais sinfónico do que poderíamos prever. A próxima, “My Father’s Word”, volta a apostar no capítulo da diversidade e, ainda que regressando a uma sonoridade mais Folk, carrega na tónica épica e mostra-nos a amplitude vocal de Ekaterina.

Desconhecendo os discos anteriores, descubro, no entanto, que aquele lado mais dark pagan metal, que mais me atrai, terá perdido força neste álbum, dando-se maior relevância aos elementos mais festivos e dançáveis.”Flight of The Winged Hussar”, com um piscar de olhos ao power metal, volta a confirmar isso mesmo, um tema rápido, impetuoso e épico, pleno de ritmo e diversão, oscilando para um tom mais contido para, em seguida, explodir em growls agrestes, com interlúdios melódicos de flauta que contrastam com a impetuosidade das guitarras.

No entanto, os vocais de Drozd, quando não aposta no growl, como em “Sol Intention” ou “Edge of Time“, não são tão apelativos e acabam por tornar os temas menos interessantes. O interlúdio “Sanctuaries”, com a voz diáfana de Ekaterina, volta a instalar-nos num ambiente nefelibata e idílico. Mas depois da bonança vem a tempestade com “Desert Scourge”, que nos mostra a banda na linha que mais nos agrada, apostando na agressividade, com mudanças bruscas de ritmo e melodia. A próxima, “Gorale” faz nova inflexão,  desta vez na direcção de um dark folk mais telúrico, acústico e seminal.

A partir daqui, surgem os momentos de maior fôlego do álbum, com composições longas e buriladas, como a encantatória “Summer’s Ode” e o epílogo “Water of Life“, mediadas por novo interlúdio com “Razbival Okovi Razbival Okovi Perun”. O álbum reserva ainda faixas escondidas como bónus, mas essas ficam para quem as quiser descobrir.

Concluindo, os Protokult ainda ameaçaram, mas não nos ofereceram apenas mais um registo de ‘humppa metal’, agradeço-lhes por isso, ainda que o álbum abra e encerre com temas bem ao agrado de todos os sátiros e bacantes que rejubilam com os delírios etílicos. Não sendo eu um aficionado do género, contraio um pouco a classificação final, mas não duvido que, para os verdadeiros servos de Baco, No Beer in Heaven, seja um álbum a não perder.