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PVRIS – White Noise

Num ano excepcionalmente rico em boa música para amantes de rock, é ainda mais impressionante que tão perto do final do ano haja lançamentos que nos entusiasmem o suficiente para repensar Top’s já programados e nos façam ficar instantaneamente fãs de uma banda… Logo no álbum de estreia!

PVRIS são um trio americano que se aventura por terrenos entre o Synthpop com ecos de Rock e o Post-Punk ora electrónico, ora alimentado a guitarras, sendo uma sonoridade que pode ser redutoramente descrita como se os XX fossem fãs de Hardcore Punk.

O maior trunfo da banda reside em Lyndsey Gunnulfsen, a vocalista que imprime o seu carisma nas faixas de White Noise, não só com o seu timbre melódico, como por um alcance que vai desde “quase-gritos” que nos lembram da sua paixão por Post-Hardcore, como na mexida “Fire” a momentos mais delicodoces em que a suavidade também conquista, como na deliciosamente melancólica “Holy”.

As comparações com Paramore são (injustamente) inevitáveis, como a qualquer banda que se apresente com uma vocalista feminina hoje em dia, mas ainda assim os PVRIS saem inegavelmente por cima, demonstrando uma identidade madura na sua escrita, que consegue combinar variedade no seu som com um registo já bem definido e poucos momentos de tédio, algo verdadeiramente impressionante num álbum de estreia.

O conjunto tem duas facetas bem distintas, sendo que a que é mais notável é quando metem o pé no acelerador e entregam músicas mais enérgicas, sendo num registo electrónico (“Mirrors” é, além da melhor música de White Noise, um dos momentos mais memoráveis do passado recente da Pop) ou abertamente rockeiro, como na inflamável “Let Them In”, que fecha o cd da melhor forma, em registo furioso.

Por outro lado, quando abrandam e se apresentam em registo baladeiro, os resultados já são mistos, podendo resultar na delicadeza adorável de “Eyelids”, mas também na banal “My House”, que tem um som genérico de discoteca que não assenta bem na “pele” da banda.

Desta forma, é de admirar White Noise, o registo de estreia dos PVRIS, pela maturidade, consistência e diversidade, mas acima de tudo, pelas canções, que são fantásticas.