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PxHxT [Novembro 2012]

Uma banda oriunda da zona de Lisboa, que tem como objectivo entre os elementos fazer música por amor. Prestes a lançar o novo álbum Motivation e com novidades para o futuro do projecto musical. Composta por Noia (voz) Ricardo Servo (guitarra) André Pimentel (Baixo) Peitoxo (baterista), prometem ter ainda muito por onde crescer.

“Motivation”, o nome do vosso mais recente projecto. É necessária motivação para levar um projecto musical até a um álbum? O que consideram, para além da motivação, essencial?
Em primeiro lugar obrigado pelo interesse demonstrado em nós. Essencial acaba por ser tudo, as influencias, a vontade, as pessoas, as relações e a vida que tens, tudo isso te dá motivação para seguir em frente seja com o que for, neste caso é com uma banda, um projecto de 4 pessoas, futuramente 5 de novo, que apenas querem tocar e dizer alguma coisa. No fundo a maior motivação é essa, querer “dizer” algo, seja transmitir uma emoção seja escrever uma letra mais “séria”.

É necessário tudo isso para se levar um projecto musical em frente vendo que, ao contrário do que muitos pensam, não é fácil, tem custos monetários, tem que se abdicar de muita coisa para se conseguir levar algo a este patamar.

Qual foi a maior dificuldade que enfrentaram no antes/pós gravações?
A maior dificuldade que enfrentamos foi talvez as mudanças de Line Up que sofremos nestes últimos tempos, ficamos sem um guitarrista há pouco tempo, a meio do processo de composição, e isso acaba sempre por afectar o funcionamento de um grupo, o tempo passou e andamos a prometer um álbum há dois anos e apenas agora o conseguimos gravar. Mas foi na altura certa a nosso ver.

A decisão de lançar um álbum baseia-se no nome que se consegue enquanto banda e depois do mesmo alcançado, fazer-se o projecto, ou por outro lado, é apenas uma questão monetária?
Hoje em dia qualquer pessoa com dinheiro pode gravar um álbum, acaba por ser muito uma questão monetária mas, para que gravar um álbum se, há partida, não tens quem o vá ouvir, começamos por baixo, uma pequena demo, um split com uma banda de hardcore de Lisboa (Never Fail, check) e fomos crescendo e sentimos a necessidade de criar algo maior e mais ambicioso, algo que nos fizesse crescer como banda e nos levasse mais longe como pessoas.

Que ambições têm – onde querem chegar?
Onde for possível, de momento a nossa grande meta é lançar realmente o álbum agora que já está gravado, falamos em tours por Portugal e pela a Europa, mas cada coisa a seu tempo, temos de trabalhar para isso mas se tudo correr como esperamos, para o ano a Europa espera-nos.

A música, bem como outros meios artísticos, faz-se geralmente por amor, com muita entrega e dedicação. Consideram que fazê-lo tendo como base o dinheiro/recompensa, é um erro?
A recompensa acaba por ser maioritariamente um sentimento de realização pessoal, estar num palco e ver gente a cantar o que escreveste é lindo, enche-nos o peito, e isso não há dinheiro que pague. Obvio que ter uma banda custa e se, no mundo em que vivemos a forma de recompensar alguém pelo seu trabalho é essa é sempre bom ver frutos do trabalho que temos mas, fazer algo assim com o propósito de fazer dinheiro não, isso consideramos errado, musica não se faz para vender, é algo que se usa para se poder dizer alguma coisa, seja perceptível ou não. Às vezes está mais sentimento num pequeno riff do que numa letra, e isso dinheiro não paga, não se deve escrever ou criar algo por dinheiro, ser recompensado com dinheiro é bom, não podemos ser hipócritas e mentir mas a realidade é que se o único propósito é fazer dinheiro, é porque na realidade não há muito para dizer. E se não tem nada para dizer então não deve continuar a “escrever” nas palavras de Sam The Kid.

Relativamente a editoras, estão a pensar assinar com alguma, têm tido boas propostas depois da conclusão do vosso mais recente projecto?
Estamos em “negociações” por assim dizer, estamos a ver o melhor para nós como banda, a ideia de assinar com algo que nos obrigue a coisas só porque sim não agrada, queremos alguém que nos veja como uns miúdos novos que sabem fazer boa musica e que nos deixem faze-la como queremos e sabemos, sem metas a atingir á priori. A pouco e pouco vamos fazendo mais, queremos gravar algo em breve, mas primeiro temos o Motivation para sair, depois logo vemos. Mas sim, há interessados.

Na próxima Sexta-Feira vão actuar no RITZ com Deez Nuts. É o início de um seguimento de concertos de lançamento do álbum “Motivation”?
Para já não, quando for para sair queremos logo marcar algumas datas pelo país, vamos tocar com Deez Nuts por serem a banda que são. De resto andamos a guardar-nos um pouco e a pouco e pouco vamos mostrando o que de novo temos, lançamos há pouco tempo uma música do álbum, “And Time Passes By Me” e futuramente, iremos lançar mais mas uma de cada vez, até lá vamos tocando só algumas datas para não perder o andamento.

A vossa banda e a experiência que a mesma vos proporciona, já vos ensinou algo importante a nível pessoal?
Tudo na vida nos ensina algo, alguém me disse uma vez que nós somos pedaços de todas as pessoas e momentos que passamos, todos os dias que temos juntos, todos os ensaios, todos os concertos nos ensinam algo, por muito insignificante que seja, eu pessoalmente aprendi que às vezes as relações pessoais são mais importantes do que objectivos. Que não devemos querer tudo de uma só vez mas sim com calma saber fazer as coisas e ir lutando com tempo para as atingir. Assim fomos crescendo e assim possivelmente chegaremos onde queremos.

Relativamente às letras do novo álbum, enquadrar-se-ão com o vosso EP?
Nem por isso, as letras do Ep eram muito verdes sem grande mensagem e sem grande “história”, neste as letras já querem dizer alguma coisa e já retractam alguma coisa ou alguma situação, umas mais profundas que outras, mas quase todas querem dizer alguma coisa seja boa ou má, a vida mostra-nos tanta coisa que se não o registarmos perde-se e assim é uma bela forma de o registar, seja lições que aprendemos, seja coisas que nos deitaram a baixo sejam coisas que nos fazem felizes.

Porquê PxHxT e não Pussy Hole Treatment, como no começo?
Pussy Hole é um nome que na realidade não é muito levado a serio, e se ambicionamos chegar mais alto, ter uma banda com um nove “fálico” não é propriamente algo apetecível para muitos, queremos algo que nos faça chegar mais longe e assim não nos vêm só como crianças a tocar uns instrumentos e já somos mais levamos a sério.

Uma curiosidade sobre “Motivation” que o público não saiba.
Não é aquele cru que o Ep e o Split foram e as músicas estão mais bem construídas e mais firmes, não está tão genérico.

Estão a pensar programar uma tour?
Se possível sim, é conseguir contactos e dinheiro para isso e vamos por ai mostrar o que sabemos fazer. No fundo é o sonho de todos os que criam uma banda.

Deixem-nos dois conselhos e um incentivo para quem vos ouve, bem como uma breve descrição sobre vocês.
Não desistam porque algo não correu bem ou não foi como queriam, tirem lições de tudo o que vos rodeia, motivação está lá dentro e não na carteira. Abram os olhos e não sejam fechados que a vida não é só “rock n’ rol”. Somos apenas uns “putos” que se juntaram para criar alguma coisa e que aos poucos viram frutos do trabalho que iam tendo num estúdio ou numa garagem, entre tempo gasto suor e cordas partidas fomos construindo algo, hoje temos, amanha podemos não ter, mas fazemos isto com orgulho e com gosto. PxHxT é apenas fruto do que somos e nada mais, venham aos concertos das bandas mais pequenas, não só de hardcore, mas de tudo, rock ou até jazz, comprem o merch e os álbuns, o dinheiro que se faz não é lucro mas sim para poder fazer mais merch e mais álbuns e continuar a dar o que gostamos de fazer e o que gostam de ouvir. (Apareçam em Deez Nuts que a Set está muita bruta. Não tardo Motivation está aí. BEWARE!)