free website stats program

Red Fang [Março 2014]

Red Fang, o quarteto de Portland, dono de um rock sem pretensões, regressou a Portugal em Janeiro para dois concertos, no Porto e Lisboa. Quem não teve oportunidade de os ver, fiquem descansados porque eles preparam-se para voltar em Setembro, para pisar o palco do Reverence Valada. Enquanto Setembro não chega, a Rock N’ Heavy falou com Aaron Beam (vocalista/baixista) sobre o novo álbum, “Whales And Leeches”, a digressão europeia, bem como outros temas, entre boa disposição e humor. Também houve tempo para algumas curiosidades pessoais. Descubram tudo aqui.

O que move os Red Fang?
A nossa carrinha, mas agora está avariada. Estamos à procura de uma nova! Outras coisas de que gostamos são ‘stand up comedy’, snacks e abraços. Muitos abraços.

De “Murder Of Mountains” para “Whales And Leeches” parece-me existir um certo amadurecimento, ainda que tenha lido que houve alguma pressão na composição do álbum, inclusive nos prazos. Concordam? Era o álbum óbvio a seguir a”Murder Of Moutains”?
Não te consigo dizer se era o seguimento mais óbvio. Acho que posso dizer que foi o único seguimento possível, mas isso é uma espécie de tautologia, não é? Agora que sabemos o resultado final, parece-nos que não poderia ser de outra maneira. Mas, de certa forma, acho que nos tornamos compositores mais maduros, visto que estamos tão confortáveis a tocar uns com os outros. Vendo isto numa perspectiva de uma relação, neste momento não nos precisamos de preocupar com coisas como “devo beijá-la agora ou apalpar-lhe a mama? Será que devo tirar-lhe a roupa ou será que prefere ser ela a fazê-lo?”. Já sabemos as respostas a todas essas perguntas. Neste momento, a questão é mais: “Devemos fazê-lo na cozinha ou num monte de lixo?”

O artwork do álbum está muito bom. Qual foi o primeiro pensamento quando o viram?
“Oh f*****, isto é brutal! Espero que a música consiga justificar um artwork tão interessante e complexo!!!”

Como é que surgiu a ideia para o videclip do single, “Blood Like Cream”? E já agora, porque é que não há cerveja no vídeo da “Dirt Wizard”?
Como em todos os nossos vídeos, Whitey McConnaughy é quem está por trás de todo o conceito. Por isso, é um pouco difícil para mim responder a isso. O vídeo da “Dirt Wizard” definitivamente teve alguma cerveja, certo? Por outro lado, foi mais um vídeo para mostrar a parte dos concertos ao vivo para acompanhar o pequeno filme que o Whitey fez na nossa primeira tour pela Europa.

Como é que tem corrido a tour até agora? Já têm alguma história que mereça ser contada?
Esta tour tem sido tão divertida!!! Temos estado a tocar para mais pessoas do que alguma vez tocamos, para além de estarmos acompanhados pelos nossos bons amigos (Lord Dying e The Shrine) e as pessoas em todos os lugares são tão simpáticas, os clubes são bons e os concertos têm sido óptimos!! Quando tocamos em Estocolmo, os miúdos que lá estavam disseram-nos que nunca tinham visto tanto “crowdsurfing’” como naquele concerto, em Estocolmo. E houve também alguém que fez “crowdsurfing” pela sala toda. Ok, eu admito: Fui eu o responsável…

Do que é que sentem mais saudades durante as tours? A vossa cerveja?
Ahah! Na verdade, eu já não bebo cerveja!! Provoca o aparecimento de leveduras no meu ânus! A sério! Não é uma resposta muito emocionante, mas do que sinto mais saudades é do meu filho e da minha mulher, enquanto estou fora.

Nos passados dias 23 e 24 de Janeiro, vocês passaram pelo Porto e por Lisboa, respectivamente. Já cá tinham estado, que balanço fazem do público português?
Incrível, com um lado selvagem! Lembro-me do promotor nos ter perguntado, um ou dois dias antes do concerto no Porto, se nós queríamos uma sala maior e eu respondi que não, nem pensar, porque estava com medo que não vendêssemos bilhetes suficientes. Ao que parece, 150 pessoas não conseguirem entrar. Ups! E à semelhança, o promotor recebeu vários mails por ter marcado o concerto num local tão pequeno, em Lisboa. Mas, aparentemente, em Portugal, as pessoas quase nunca compram os bilhetes antes do dia, pelo que não podíamos saber que os concertos iam esgotar, até termos chegado.

Li numa entrevista que tinham alguma dificuldade com o português. Como é que se deram com a nossa língua desta vez, conseguiram aprender alguma coisa?
Nos bastidores, o pessoal estava a tentar ensinar-me algo em português, mas parece que numa das vezes disse com num tom espanhol e eles: “NÃO! Isso é espanhol!”. Por isso, fiquei com medo e não tentei dizer mais nada, pois não queria ofender ninguém por não o dizer correctamente.

Em 2012, embarcaram na vossa primeira tour pela Europa enquanto “headlining”. Em 2014, encontram-se, novamente, a percorrer a Europa. Estou certa que se devem ter cruzado com muitos artistas. Gostariam de destacar alguma(s) banda(s)?
Até agora, a minha banda preferida são os Vagiant, de Moscovo!! Também adorei uma banda italiana chamada Gordo, e os Fuzz Orchestra, outra banda italina que é fixe. Hombre Maldo de Oslo também. Em Itália, gosto de Ufomammut. Drawers, da França, também são muito bons. E claro, todas as bandas que toda a gente conhece, como Graveyard, Goat, Truckfighters, etc.

Uma das coisas pelas quais vos dou mais valor é pela vossa atitude/postura em relação à música. O prazer genuíno em fazê-lo é notório, bem como o contacto que mantêm com o público. Sentem que isso transpareceu e vos ajudou a alcançar mais público?
Acho que sim. Embora, o “misterioso” e “distante” também funciona nesse sentido. Por exemplo – Ghost. É possível sermos mais populares se fossemos menos disponíveis? Não há realmente forma de saber. É esta a nossa forma de ser, por isso não temos escolha de qualquer forma.

No seguimento desta pergunta… acham que ainda existe mais preocupação em “ter” do que “ser”?
Hm… essa é uma pergunta difícil. Eu acho que o mundo digital faz com que as pessoas se sintam ansiosas por estarem a perder nalguma coisa. Esta é uma das razões pelas quais não me encontro em nenhuma rede social. Não tenho nenhuma conta de facebook, twitter ou instagram. Eu sei que tudo isto tem vantagens, mas para mim não. Iriam deixar-me mais neurótico e “maluco” do que o que já sou. Penso que as pessoas precisam de algum tempo para elas, “abrandar” e escrever uma carta à mão, pelo menos uma vez em cada três meses. Deviam tentar passar uma vez por semana sem telemóvel e sem internet. Uma vez perdi o meu telemóvel e entrei em pânico durante umas horas, mas depois foi super libertador. Há muito menos pressão quando ninguém não consegue falar contigo, a não ser que estejas disposto a.

Os The Shrine e os Lord Dying são da vossa zona, para além de se darem muito bem com eles. Como é que está a vossa cidade a nível artístico?
Os Lord Dying vivem connosco, em Portland, mas os The Shrine vivem mais longe, na Califórnia. Portland é muito muito activa em termos artísticos, que às vezes quase que pode ser “esmagador” porque há TANTAS bandas, tantos designer de moda, chefs excelentes, óptimos artistas e pessoas interessantes. Tal aumenta a energia criativa da cidade, o que nunca é algo mau.

Vocês tiveram vários convidados neste novo trabalho e estão sempre aptos a novos desafios musicais. Acham que a música é/pode ser a melhor forma de unir as pessoas?
Eu acho que é realmente a melhor forma de unir as pessoas, sem qualquer dúvida. Sinto que não preciso de me expandir mais nesta resposta.

Podes adiantar alguma coisa em relação ao que está para vir dos “Red Kunz”?
Sim!! Nós vamos fazer uma tour pela Europa no Verão (que deverá ser anunciada oficialmente dia 8 de abril, penso eu), e os Kunz vão juntar-se a nós em vários desses concertos. Espero que consigamos voltar a decretar um concerto de Red Kunz. Ao mesmo tempo, a gravação que fizemos deve ser lançada. Ainda há pouco ouvimos as primeiras misturas e soam mesmo bem! A música pode não o que as pessoas estejam à espera, mas eu estou muito feliz com ela.

Depois de todas as entrevistas sobre o novo álbum, o que ficou por perguntar? E podem responder, por favor?
Uma pergunta que nunca me fizeram é – será que tu comerias carne humana se as circunstâncias fossem exactamente aquelas que tu quisesses? (por exemplo – a carne seria oferecida de livre e espontânea vontade pela sua fonte, NUNCA ninguém descobriria isso, a não ser que tu contasses, etc). Nesse caso, a resposta seria sim. Eu pura e simplesmente tinha que saber como era!!