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RedLizzard – The Red Album

A estreia em longa-duração dos RedLizzard é cheia de pompa e circunstância, visto que a banda ganhou atenção depois de vencer concursos internacionais, abrir para Bon Jovi e anunciar como produtor um colaborador de bandas como Jesus And Mary Chain ou Primal Scream, além de um EP promissor já editado que nos deixou de água na boca.

O que podemos então esperar de The Red Album? Bem, tudo aquilo que os nativos de Almada nos anunciam, que é Rock sem preocupações, divertido e gingão, descontraído e sensual q.b., com tudo o que de bom e mau isso traz agregado.

Com uma sonoridade descomprometida que oscila entre momentos de Hard Rock (o riff pesadão de “It’s Not Easy”) e o Pop Rock mais açucarado (o optimismo inerente à aborrecida “Reason to Live”), os RedLizzard incluem-se sem dificuldades (mas também sem sobressair) no lote de bandas de Rock impregnado de Blues com refrões amigáveis da rádio, que tanto puxam influências a clássicos como Guns N’ Roses (aquela “Don’t Worry” é uma pálida versão de uma balada “à Axl Rose”) ou, mais perto, como Xutos e Pontapés, como de fenómenos contemporâneos como 3 Doors Down.

Existem alguns momentos desfrutáveis no CD, como a energia dançável de “The Answer” ou os riffs certeiros de “Lover Girl” a marcarem o passo na direcção correcta, enquanto que a inicial “Hotline” ou a falsamente feroz “Find Me Something Special” ficam pelo caminho como momentos que poderiam ter sido criados por qualquer banda de Glam Rock dos anos 80.

Infelizmente, mesmo nos momentos mais inspirados, os RedLizzard pouco ou nada fazem para se diferenciar num género para lá de saturado, acabando por criar algumas boas canções, mas que dificilmente passarão de fenómenos inconsequentes, ainda para mais quando o apelo lírico das mesmas obedece aos mantras do Rock clássico e se torna portanto inexistente, ecoando letras juvenis e de virilidade exacerbada, sem conteúdo ou muitas vezes verdadeiro sentimento.

Desta forma, embora contenha riffs incisivos e muita energia que mostra o potencial da banda, The Red Album não consegue diferenciar-se do banalismo que assalta o Rock clássico e como tal fica-se apenas por um conjunto de boas ideias que não almejam a mais do que um par de êxitos na rádio.