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Placebo [Coliseu, Porto]

Um Coliseu esgotado viu Oso Leone a surpreender pela positiva e uns Placebo pragmáticos, mas a cumprirem bem o seu trabalho.

A noite começou com a banda maiorquina, Oso Leone,  que já passou pelos palcos portugueses este ano, mais especificamente pelo palco Vodafone do Festival Vodafone Paredes de Coura, a 21 de Agosto. Focando-se mais no seu segundo álbum, editado a Março de 2013 e intitulado Mokragora, conseguiram deixar uma boa imagem apesar da distração do público durante a curta atuação. No entanto, há que relevar que a sua mistura de rock e folk com elementos muito focados no ambiente da sala, não foi muito compatível com o público que lá estava, indubitavelmente, para ver Placebo.


Os Placebo vieram ao Porto, na primeira de duas datas em Portugal, para apresentar o seu sétimo álbum de estúdio, “Loud Like Love”, editado a Setembro de 2013.
Fazia-se sentir no Coliseu a ânsia. O público já assobiava impaciente quando de repente, silêncio. Pressentia-se a entrada dos artistas e os assobios passaram a gritos, muitos deles chamando por Brian Molko, o líder indiscutível da banda londrina, como mais à frente se confirmaria.
A música escolhida para dar início ao concerto foi “B3”. E que escolha. O tema que dá nome ao EP de 2012 é tudo aquilo que se espera dos Placebo: é emotivo, é pesado, é catchy e abrasivo simultaneamente. Numa versão ao vivo muito mais pesada que a de estúdio, colocaram as expectativas muito alto. De seguida e de rompante, “For What It’s Worth” corresponde a essas expectativas, podendo até excedê-las para os fãs de Battle for the Sun, de 2009.
No entanto, este ambiente épico pareceu desvanecer rapidamente com “Loud Like Love”. O tema homónimo do mais recente trabalho, que, quando posto lado a lado com músicas tão bem conseguidas como “B3” ou tão carismáticas como “For What It’s Worth”, parece perder o seu brilho. Brian Molko, quase que adivinhando, utilizou o tempo de preparação para ter o primeiro momento de crowd work, dizendo os típicos obrigados com sotaque estrangeiro e fazendo um trocadilho com o nome da música.
Pelo meio de uma mistura de clássicos, temas novos e com uma constante rotatividade de instrumentos – só pelas mãos de Brian Molko devem ter passado, pelo menos, meia dúzia – o concerto foi perdendo o seu brilho inicial, esquecendo-se da promessa de um evento memorável. No entanto, à nossa volta, o entusiasmo mantinha-se. Há que dar destaque aos belíssimos detalhes de piano em “Scene of the Crime” que pareceram brilhar muito mais ao vivo que na versão de estúdio. O público estava rendido, visto que saltava, cantava, gritava, dançava. Parece ser esse o efeito de uma banda de 20 anos…


A reta final do concerto foi uma viagem pelos clássicos, onde não poderiam faltar temas como “ Meds”, “Song to Say Goodbye”, “Special K” e “The Bitter End”.
Seguiu-se o encore, com uma cuidada primeira música intitulada “Begin the End” que caiu bem tanto pela ironia como pelo seu carater desconcertante. “Running Up that Hill”, gravada originalmente por Kate Bush em 1985, foi o ponto alto da noite, numa performance cuidada e belíssima. Para acabar a noite, “Infra-red” foi uma escolha acertada, com Steve Forest (baterista), mais uma vez a tornar o tema mais interessante, antes de se atirar para cima do público.
Um concerto que prometia mais pelo seu início e que merecia mais pelos seus pontos altos mas que não desapontou os fãs da banda londrina.


 

Texto: João Pedreda | Fotografia: João Fitas

Agradecimentos: Everything is New