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Resurrection Fest 2013 [Dia 1]

À oitava edição não existem dúvidas. O Resurrection Fest, que junta o que de melhor se faz a nível musical, por esse mundo fora, a uma convidativa e simpática cidade galega chamada Viveiro, é o maior festival de punk/hardcore de toda a Península Ibérica decido a apostar, ano após ano e cada vez mais, noutra vertente mais extrema, o metal.

Do groove dos Lamb Of God, ao hardcore oldschool dos Madball, passando pelo punk de Jello Biafra And The Guantanamo School Of Medicine e dos The Flatiners e até mesmo pela progressividade de uns Sylosis, o primeiro dia do Resurrection Fest 2013 agradou a todos os gostos e consentiu um pontapé de saída magistral.


O sol fazia-se sentir e ainda ia alto quando os 1906 subiram ao palco Arnette para o arranque de mais uma edição do Resurrection Fest, não sendo de estranhar, por isso, as poucas pessoas que se encontravam pelo recinto logo ao início da tarde.


Apesar de o thrash dos Mutant Squad ter passado, pouco tempo depois pelo palco Jägermeister, foi apenas com a entrada em cena dos Against The Waves, no Palco Monster, que o ânimo começou a aquecer.
Vencedores do Resurrection Band Contest, que lhes permitiu marcar presença no maior palco do festival, os madrilenos arrancaram as primeiras reacções mais efusivas da plateia com os temas do seu último trabalho ‘The Golden Hive’, registo que varia entre o metalcore e post-hardcore.


O palco Monster viria a ganhar destaque uma vez que, de entre os vários projectos que foram desfilando pelos restantes palcos ao longo da tarde, as melhores prestações ficaram a cargo dos Bastards On Parade e dos Switchtense, a par dos The Casualties que entrariam em cena mais tarde.
Enquanto os espanhóis animaram com o seu folk, lembrando-nos os Dropkick Murphys e até mesmo os Gogol Bordello, os portugueses continuaram a instigar o mosh e o headbang.



Pelo palco Arnette os A New Heaven Arise mostraram, tal como os Against The Waves já tinham mostrado e tal como os Dawn Of The Maya mostrariam no dia seguinte, que o metalcore com toques de electrónica é prato forte e bom da visinha espanha. Já os Escuela de Odio, mítica banda na terra dos nuestros hermanos, arrancaram grandes coros e aplausos no palco Jägermeister com seu mais recente registo ‘Una Democracia Manchada de Sangre’. Punk hardcore onde não faltam palavras de ordem.


Principal referência do streetpunk mundial, os The Casualties, encabeçados pelo conhecido Jorge Herrera, não deixaram desiludidos os seus admiradores e ainda despertaram a atenção dos restantes pela sua qualidade e claro, pelos seus penteados extravagantes e pontiagudos.


A mistura de punk, hardcore e rock n’ roll dos The Amsterdam Redlight District ia cumprindo pelo palco Arnette, mas a primeira grande actuação do dia estava, no entanto, reservada para os portugueses Devil In Me. A banda lisboeta que obteve um crescimento incrível ao longo dos últimos anos provou uma vez mais que o reconhecimento mundial que tem obtido não é pura sorte, e apresentou de forma enérgica as composições do último registo, ‘The End’, que facilmente agarraram o público.



Apesar de irrepreensivelmente correctos a nível técnico e profissional, os Trivium deixaram a desejar. O problema com as grades de segurança na frente do palco, que fez com que interrompessem o seu concerto durante cerca de trinta minutos, não ajudou, é certo, e retirou a intensidade com que a banda de Matt Heafy entrou em palco, com a bela dupla ‘Throes Of Perdition’ e ‘Becoming The Dragon’, mas a restante setlist demasiado focada nos últimos registos, deixando de fora êxitos de outros tempos que os levaram ao estatuto que detêm actualmente (‘Pull Harder On The Strings Of Your Martyr’ não foi suficiente e soube a pouco), provou ser uma escolha pouca acertada.
Faltou algo ao concerto dos americanos…ou talvez tenhamos colocado as expectativas neles demasiado elevadas.


Considerados umas das mais refrescantes e promissoras bandas dentro do punk rock, os The Flatliners asseguraram uma positiva prestação no Resurrection Fest 2013.
Os temas de ‘The Great Awake’ e ‘Cavalcade’ mostraram o porquê de serem considerados inovadores dentro género e o colectivo canadiano ainda levantou a ponta do véu ao novo trabalho ‘Dead Language’ com o tema ‘Daggers’


Repetentes no festival pela quarta vez, os Madball voltaram a brindar os presentes com o que de melhor têm para oferecer: o bom hardcore oldschool da escola nova-iorquina.
Detentores de um estatuto merecido e significativo dentro do estilo, a banda dos carismáticos Freedy Cricien e Hoya Roc não precisou de puxar dos galões para garantir uma belíssima actuação repleta de uma energia contagiante que mantiveram sempre em alta rotação.
Para acabar em beleza, o vocalista Poli, dos Devil In Me, juntou-se à enorme festa para uma interpretação a meias com Freddy do tema ‘Pride’ antes de ‘100%’ apelar a um massivo e final sing-along.


Cabeças-de-cartaz do primeiro dia os Lamb Of God não deixaram cair por terra o estatuto que lhes foi conferido e afirmaram um dos melhores concertos da edição 2013 do Resurrection Fest.
Após os problemas que Randy Blythe enfrentou (foi preso e acusado pela morte de um fã durante um concerto em Praga, na República Checa, tendo sido em Março deste ano absolvido), a banda americana surgiu como que renascida e mostrou-se pronta uma nova etapa na sua carreira.

Autênticos monstros de palco, os Lamb Of God montaram um espectáculo digno e concordante com a enorme banda que são. Com uma setlist diversificada a marcar passagem pelos vários registos, não faltaram sucessos como ‘Walk With Me In Hell’, ‘Now You’ve Got Something To Die For’ ou já em recta final ‘Laid To Rest’ e ‘Redneck’, que preencheram as expectativas dos muitos admiradores presentes.


O final estava reservado para Jello Biafra And The Guantanamo School Of Medicine e para os Sylosis. Se num palco, o Jägermeister, tivemos o punk rock do Jello Biafra, com a sua habitual ‘paraphernalia’ a recordar-nos dos seus tempos áureos com os Dead Kennedys, no outro, o Monster, tivemos o metal progressivo e exímio de Josh Midleton e companhia que puseram termo, da melhor forma possível, ao primeiro dia do Resurrection Fest 2013.



Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro | Agradecimentos: Resurrection Fest; ONP