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Resurrection Fest 2013 [Dia 2]

Ao segundo dia de Resurrection Fest, o hardcore sobressaiu com os devastadores concertos de No Turning Back, Rise Of The Northstar, Comeback Kid e Brutallity Will Prevail, sem esquecer o punk dos The Exploited e o thrash dos Exodus, mas a noite estava reservada, e pertenceu, a algo maior: à devoção dos grandiosos Slayer.


Foi apenas com a entrada em cena dos For The Glory, no palco Monster, que a tarde começou a ganhar alento. De facto, a banda portuguesa provou, uma vez mais, estar em boa forma e nem o intimidante palco, falamos das dimensões claro, os assustou ou lhes tirou a energia habitual. ‘Some Kids Have No Face’, último registo dos lisboetas, foi prato principal mas ainda se ouviu o tema que dá nome ao seu próximo registo, ‘Lisbon Blues’, que deixou instantaneamente ‘água na boca’ dos muitos que por volta das 16h da tarde já se encontravam no recinto.


Porque o Resurrection Fest não é apenas hardcore e punk, e aposta cada vez mais no metal, mesmo em nomes menos conhecidos do público em geral, os Noctem, Vita Imana e Avulsed não desencantaram os admiradores das sonoridades mais extremas.


Vestidos como verdadeiros guerreiros e prontos a enfrentar qualquer ser mais maligno que eles próprios, os Noctem encheram de ‘sangue’ black metal o palco Jägermeister. Já os Vita Imana e Avulsed transpiraram as boas influências de uns Sepultura e Cannibal Corpse, respectivamente, e por isso despertaram a atenção.


 Os No Turning Back, que dispensam apresentações pela quantidade de vezes que já visitaram o nosso país, levaram o ‘tuga style’ a terras espanholas (o vocalista Martijn chegou mesmo a erguer a bandeira portuguesa) muito em parte pela grande comitiva nacional que se fez sentir no concerto da banda holandesa mais portuguesa de sempre.
A fogosidade característica não lhes faltou e o Ricardo Dias, aka Congas, dos For The Glory, e a Mimi, dos We Ride, ainda deram uma ajuda em ‘Stronger’ e ‘Stay Way’.


 Ainda os Dawn Of The Maya, uma das belas surpresas da edição deste ano, incendiavam o palco Arnette com uma atitude e postura louvável, para além da sua boa fórmula metalcore, e já osBelvedere, que se reuniram em 2011 após um período de hiatus de cerca de seis anos, se preparavam para agradar aos fãs das sonoridades mais melódicas do punk e hardcore, numa actuação que se verificou competente.




São franceses, gostam da cultura japonesa e de misturar o hardcore da escola nova-iorquina com metal e teatralidade não lhes falta. Virtuosos à sua própria maneira, os Rise Of The Northstar, encheram as imediações do palco Arnette de beatdown e ninguém ficou indiferente à impressionante prestação do colectivo parisiense que apresentou o EP ‘Demonstrating My Saiya Style’.


O ‘reino do terror’ dos Integrity marcou presença no festival com o propósito de promoção ao recente álbum ‘Suicide Black Snake’ e o ocultismo dos veteranos foi servido em boas doses numa espécie de preparação de outros veteranos, os Exodus.
Os californianos mostraram de facto a máquina bem oleada que são e a garra que fez sobreviver um dois nomes maiores da história do thrash metal às constantes mudanças de elementos ao longo das suas quase três décadas de carreira.
Os clássicos de ‘Bonded By Blood’ não faltaram à chamada e a plateia, em jeito de agradecimento e contentamento respondeu com a mosh e circle pits e o habitual wall of death em ‘Strike Of The Beast’.
Destaque ainda para a boa forma do guitarrista Gary Holt, que viria momentos mais tarde a pisar o mesmo palco com os Slayer.


Com uma fórmula inovadora e fora do comum, os Brutality Will Prevail mantiveram o ambiente em alta com as belas composições dos seus dois álbuns, ‘Scatter The Ashes’ e ‘Root Of All Evil’.
Os britânicos que no final do ano passado mudaram de vocalista, tendo assumido o papel Louis Gauthier, dos Breaking Point, denotaram algum cansaço da tour que foi, precisamente, mais visível nas partes vocais de Louis, algo que, no entanto, não os impediu de abandonar o palco com um balanço positivo e sensação de dever cumprido.


 Quem, contrariamente, não mostrou cansaço de nenhuma maneira foram os Comeback Kid, que assinaram facilmente um dos melhores concertos do Resurrection Fest 2013.
Andrew Neufeld demonstrou o verdadeiro frontman que é e apenas a sua presença seria suficiente para encher o palco, isto sem tirar o mérito aos seus companheiros que contribuem de igual modo para o hardcore de fácil digestão que os canadianos praticam.
‘Do Yourself A Favour’, ‘False Idols Fall’, ‘Broadcasting’, ‘Partners In Crime’ e já em recta final ‘Wake The Dead’, dedicada aos senhores da noite Slayer, foram alguns dos temas que fizeram parte de um set explosivo ao qual o público respondeu em massa com sing-alongs e crowd surf.


 Nome maior de todo o festival, os Slayer montaram um espectáculo imponente, em homenagem ao seu falecido guitarrista Jeff Hanneman e em confirmação dos ‘monstros de palco’ que são, o que acabaria por afirmar o que todos esperavam: que seriam os reis da noite.
Os míticos senhores do thrash, realce inevitável para os carismáticos Kerry King e Tom Araya, não deixaram os grandes êxitos de fora e a veneração a composições aguardadas como ‘War Ensemble’, ‘Seasons In The Abyss’, ‘Raining Blood’ e ‘Angel Of Death’ foi consumada com um sucesso acima da média e perante a maior enchente registada ao longo dos três dias de festival.


 Como senão bastasse, a festa ainda continuou noite dentro com os The Exploited, nome sonante e influente dentro do universo punk britânico, que trouxeram ao festival galego a sua máxima ‘punk is not dead’ e se fizeram ouvir com temas como ‘Fuck The USA’ e ‘Beat The Bastards’ e com o punk rock agradável dos Millencolin, que já de madrugada abrandaram o ritmo frenético que se foi acumulando ao longo do dia.



Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro | Agradecimentos: Resurrection Fest; ONP