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Resurrection Fest 2013 [Dia 3]

Bad Religion, Biohazard, Black Flag, I Killed The Prom Queen, Your Demise e Evergreen Terrace foram alguns dos nomes que encerraram com chave de ouro a edição do Resurrection Fest 2013, num último dia que pertenceu, sem dúvida, a uns enormes Killswitch Engage.


A tarde do último dia do festival registou actuações de bandas como Blowfuse, Horn Of The Rhino e Rise To Fall, mas foram os galegos We Ride os primeiros merecedores de destaque.

A banda de Vigo, que se prepara para embarcar numa enorme tour sul-americana, mostrou com os temas do seu último trabalho ‘On The Edge’ que, apesar de uma fórmula hardcore um pouco genérica onde a única diferença recai sobre a vocalista Mimi, a garra, determinação e ambição que os preenche é a receita que os levou ao reconhecimento, em pouco mais do que 4 anos, e os faz chegar cada vez mais longe. São sem dúvida um caso de sucesso e exemplo a seguir.



Nome mais ‘deslocado’ de todo o cartaz, é certo, os Toundra, que actuaram pouco tempo depois no palco Jägermeister, trouxeram o post-rock/post-metal ao Resurrection Fest e mostraram-se uma escolha bastante acertada, por parte da organização, para desanuviar de todo o punk/hardcore/metal que o festival oferece.
Capazes de criar paisagens sonoras bastante ambientais, como é próprio no estilo, os madrilenos apresentaram as composições do seu terceiro ábum, ‘III’, que estimularam o daydreaming dos presentes.


Reunidos em 2011, os I Killed The Prom Queen foram os primeiros de entre os nomes sonantes do último dia a subir ao palco Monster. A três dias de entrarem em estúdio para gravar o novo álbum, a banda australiana que agora conta apenas com Jona Weinhofen, ex-Bring Me The Horizon, da formação original e com o novo baixista Benjamin Coyte, ex-Carpathian, expôs maioritariamente os êxitos de ‘Music For The Recently Deceased’, registo que os levou a um maior reconhecimento internacional, e ainda mostrou o novo tema ‘Memento Vivere’.
Apesar da má equalização sonora que afectou em parte a sua prestação, sobretudo nas vocalizações clean de Jona, o vigor que o colectivo apresentou em palco foi bastante compensatório e acabou por corresponder às expectativas.


Na sua última aparição por terras espanholas, os Your Demise, que já anunciaram o seu término a Março de 2014, não quiseram que o seu concerto fosse apenas satisfatório.
Entregues de alma e coração, a energia contagiante que os britânicos imprimiram no seu concerto foi admirável. Com um Ed McRae, vocalista, sempre a puxar pelo público, e até mesmo a aventurar-se no crowd surf, e com uma setlist focada no último trabalho ‘The Golden Age’, que não deixou de fora ‘Miles Away’ e ‘Burnt Tongues’, a banda de St. Albans consumou de forma espantosa a sua última aparição em terras de nuestros hermanos.


Um dos nomes mais aguardados de todo o festival, os Killswitch Engage consentiram o grande concerto do terceiro dia do Resurrection Fest, algo que é facilmente justificável por serem percursores de um fenómeno designado metalcore e por toda a experiência que denotaram e emotividade que colocaram em palco.
Com o novo registo ‘Disarm The Descent’ na bagagem, a banda do carismático guitarrista Adam Dutkiewicz, que acolheu recentemente o retorno de Jesse Leach, vocalista, e que teve o seu baterista substituído, devido a acidente, por Jordan Mancini, dos As I Lay Dying, manteve a plateia em constante sing-along por uma setlist cuidadosamente escolhida onde também não falharam grandes composições como ‘Bid Farewell’, ‘Take This Oath’, ‘Rose Of Sharyn’, ‘My Curse’, ‘The End Of Heartache’ e já no fim ‘My Last Serenade’.
De destacar ainda a empatia criada pelo colectivo de Massachusetts com a plateia num dos mais belos momentos que presenciamos ao longo de toda a edição do festival espanhol.


O hardcore melódico dos Evergreen Terrace, que actuaram logo de seguida no palco Arnette, foi um prato gourmet bem servido. Os americanos, que também contam com um largo número de anos em actividade, incutiram grande explosividade no seu concerto, tal como o hardcore exige, e o alinhamento a percorrer os seus vários álbuns, de onde se destaca a assombrosa e final ‘Chaney Can’t Quite Riff Like Helmet’s Page Hamilton’, concedeu mais um grande concerto ao último dia.


Recentemente reunidos, os Black Flag, nome maior e pioneiros do punk hardcore, acusaram, compreensivelmente, o peso da idade e a sua actuação ficou muito aquém dos seus tempos áureos. No entanto, o estatuto lendário que a banda de Greg Ginn detém e a oportunidade de presenciar ao vivo a mítica banda californiana, que ainda hoje influencia gerações, é suficiente para deixar qualquer um com um grande sorriso estampado na face.


Com mais de trinta anos de carreira, os Bad Religion continuam a manter bem viva a chama do punk rock e a mesma não denota sinais de se querer apagar. O desfilar de clássicos como ‘American Jesus’, ‘21st Century’ e ‘Dept. Of False Hope’, num total de 29 temas que compuseram mais de hora e meia de concerto, encantaram a plateia já em jeito de despedida, mas o cartaz ainda reservava mais.


Street Dogs e Biohazard acabariam por ter em mãos o derradeiro termo do Resurrection Fest 2013 com um destaque inevitável para a histórica banda de Brooklyn que com a sua mescla de hardcore, metal e hip-hop, aliada à força dos seus elementos agarrou o público até ao fim numa hora já avançada e quando o cansaço se fazia sentir.


Até para o ano Viveiro e Resurrection Fest!


Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro | Agradecimentos: Resurrection Fest; ONP