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Resurrection Fest 2014 [Dia 1]

O histórico não deixa mentir e o consenso é geral quando se fala num dos melhores festivais espanhóis! Agora, e a apenas uma edição de completar 10 anos, o Resurrection Fest deu um importante passo na sua confirmação como um festival de renome europeu.
Megadeth, Kreator, Red Fang, High On Fire, Architects e The Ocean foram apenas alguns dos nomes que passaram pelos palcos do festival ao longo do primeiro dia.A aposta no metal é cada vez mais forte e evidente, para contentamento de uns e para desagrado de outros, mas gostos pessoais à parte o festival galego apresentou uma vez mais um line-up recheado de projectos de qualidade e nomes sonantes do mundo da música, distribuídos por três palcos, num recinto que foi alargado e melhorado com vista a receber os milhares que se deslocaram propositadamente até à simpática e acolhedora cidade de Viveiro.

Contudo, devido à quantidade de bandas que compuseram o cartaz e à preocupação da organização em evitar sobreposições, os concertos começaram necessariamente mais cedo que as edições passadas, pelo que, quando finalmente chegamos ao recinto, na altura em que os repetentes Rise Of The Northstar atacavam o palco Chaos, já tinham ficado para trás algumas actuações, como as de Acid Mess, Mutant Squad e a dos portugueses Ash Is A Robot, vencedores do Resurrection Band Contest, que inauguraram a 9ª edição do festival.
Os franceses, que se assumiram como uma das maiores revelações da edição passada, não descuram na teatralidade e virtuosismo e uma vez mais voltaram a cumprir com o seu beatdown contagiante, ainda que o, há muito aguardado, álbum de estreia não esteja cá fora.



De forma algo contraditória, os More Than A Thousand, também eles repetentes, não tiveram o melhor dos concertos que já presenciamos. Não por uma menor entrega dos rapazes de Setúbal ou por um desinteresse do público, mas sim por uma má equalização e definição sonora que deixou muito a desejar e que, desse modo, os prejudicou. Ainda assim, aproveitaram a oportunidade para apresentar os temas do último registo ‘Vol. V: Lost At Home’ conseguindo arrancar reações positivas.



 Vagueando pelos caminhos do rock e alternativo, passando até pelo post-hardcore, os espanhóis Minor Empires foram uma surpresa bastante agradável que assentou bem antes dos aguardados Red Fang atingirem o palco principal.


O stoner dos americanos instigou o headbang geral com um set focado nos dois últimos trabalhos de estúdio, mas também não foi das melhores actuações que assistimos do colectivo se comparadas, por exemplo, com as suas últimas passagens por Portugal.


Só com a entrada em cena dos Backtrack é que chegou verdadeiramente o primeiro grande momento do dia, uma vez que trouxeram com eles o hardcore de raízes nova-iorquinas, sinónimo, portanto, de uma explosividade e energia inesgotável que não foi defraudada e que despoletou os habituais 2steps e sing alongs, imediatamente seguidos, no palco Ritual, do djent dos Hacktivist que resultou de uma forma bastante positiva ao vivo e no contexto de festival.



Se por um lado faltou condimento à actuação dos Crowbar, que acabariam por nos passar algo despercebidos, os Amon Amarth revigoraram a plateia com clássicos como ‘Guardians Of Asgaard’, ‘Twilight Of The Thunder God’ e ‘The Pursuit Of Vikings’ remetendo-nos para um verdadeiro espírito e celebração da mitologia nórdica onde a cerveja e o headbang andaram de mãos dadas.



Existem bandas que resultam muito melhor em recintos fechados e nem o facto de os The Ocean terem tocado na tenda, aka palco Ritual, os salvou de uma actuação que ficou muito longe do que presenciamos no ano passado no Hard Club, onde os alemães arrancaram um dos melhores concertos de 2013. Não nos interpretem mal! Apesar da mudança de guitarrista (Damian Murdoch sucedeu a Jonathan Nido), o coletivo está bom, recomenda-se e consentiu uma boa prestação, mas depois de os ver num recinto fechado, com um jogo de luzes e projeções de imagens impressionantes e com uma maior empatia com a plateia, pelo facto de não existirem grades, é impossível ficar totalmente satisfeito com um mero concerto num festival, despojado da vertente visual que tanto os beneficia e lhes é característica.


Já os Architects, um dos nomes mais aguardados do primeiro dia, não sofrem do mesmo mal e qualquer palco, seja indoor seja open air, parece suficiente para os britânicos arrancarem massivos sing alongs que se unem com a voz de Sam Carter logo ao primeiro tema, ou não estivéssemos nós a falar de um dos maiores fenómenos do metalcore/post-hardcore dos últimos anos. Irrepreensíveis em palco, os rapazes de Brighton, que passarem recentemente pelo nosso país, focaram-se na apresentação do seu último registo ‘Lost Forever // Lost Together’ e cumpriram de forma clara as expectativas. Temos pena que tenham sido apenas 45 minutos.


Os lendários Megadeth, cabeças-de-cartaz do primeiro dia, tiveram de puxaram dos galões para agarrarem a plateia e foi mesmo preciso um alinhamento recheado de clássicos como ‘Symphony Of Destruction’, ‘Peace Sells’, ‘Tornado Of Souls’ e ‘Skin O’ My Teeth’, que marcaram a carreira da banda de Dave Mustaine, para manter as coisas interessantes ao longo da quase hora e meia de concerto.


Já na recta final do primeiro dia, ainda houve espaço para os High On Fire e os Kreator deixarem a sua marca com duas actuações singulares. Se por um lado os primeiros honraram o stoner e nos permitiram estar perante um dos membros fundadores dos influentes Sleep, os segundos presentearam-nos com uma demolidora lição de thrash metal que deixou corpos doridos.




Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro
Agradecimentos: Resurrection Fest | ONP