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Resurrection Fest 2014 [Dia 2]

Com nomes como Sick Of It All, NOFX, Converge e Down a figurar, o segundo dia do Resurrection Fest manteve a fasquia bem no alto com mais uma fornada de grandes actuações.


A primeira aconteceu logo ao início da tarde quando os Heart In Hand subiram ao palco principal, já para trás tinham ficado concertos de Anal Hard e Iwrestlerabearonce. O colectivo britânico apresentou o último registo ‘Almost There’ para uma plateia bem composta e conhecedora do seu trabalho, comprovando desse modo que a sua passagem pelo festival era muito aguardada. Sem deixar de fora o anterior registo ‘Only Memories’, os rapazes de terras de sua majestade consentiram uma boa presença em palco com o seu respectivo e cativante hardcore melódico.



 O nível foi mantido, de seguida no palco Chaos, pelas prestações de três bandas distintas, nomeadamente Texas In July, Born From Pain e A Wilhelm Scream.

Com a mudança recente de vocalistas, J. T Cavey sucedeu Alex Mola, os americanos Texas In July mostraram-se aptos para enfrentar uma nova fase na sua carreira, levantando ainda a ponta do véu ao próximo registo ‘Bloodwork’, com o tema ‘Broken Soul’ a presumir um futuro risonho para o quintento.


Os holandeses Born From Pain mantiveram a tomada mais pesada e com seu o hardcore de raízes metal cultivaram o caos que ia fazendo jus ao nome do palco.



Por fim os A Wilhelm Scream, apesar da sonoridade mais soft, mantiveram também o público agitado com uma energia inesgotável e o hardcore punk do último trabalho ‘Partycrasher’.


Os GBH, tal como os NOFX fariam horas depois, reportaram-nos para as origens e para os momentos áureos do punk. Já os Skeletonwicth mostraram, de forma positiva, como grande parte do futuro músical passa pela fusão de géneros, permitindo à mesma não estagnar e não ser mais do que meras cópias de fórmulas musicais passadas.


Aaron Dalbec foi membro fundador de Converge e Kurt Ballou membro fundador de Bane, desempenhando actualmente funções nas bandas contrárias. Mas factos curiosos à parte, os Bane estariam ao segundo dia do Resurrection Fest comparáveis com os Backtrack do dia anterior. Não só pela massa humana que moveram e pelas reacções que obtiveram mas também pela explosividade que depositaram em palco, que teve o seu êxtase na conhecida e esperada ‘Can We Start Again’.


Um dos nomes mais aguardados de todo o festival, os norte-americanos Down, cumpriram as expectativas e mostraram argumentos plausíveis para todo o burburinho que suscitam, não sendo unicamente um caso de sucesso pelo seu frontman, Phil Anselmo, ter sido membro integrante dos grandiosos e lendários Pantera.

Apresentaram os temas no novíssimo EP ‘Down IV: Part Two’, mas foram os clássicos do álbum ‘NOLA’, que compuseram maioritariamente a setlist, a ganhar destaque.


E se por um lados os Raised Fist não tiraram o pé do acelerador ao longo do seu concerto, o mesmo não se pode dizer dos Converge que tiveram um inicio e um final fervoroso mas passaram por caminhos mais delicados a meio do set, onde o longo tema ‘Grim Heart / Black Rose’ foi uma óptima surpresa para os fãs mais dedicados.

Apesar de não serem tão caóticos como nas suas anteriores presenças pelo mesmo festival, Jacob Bannon e companhia cumpriram, no entanto, poderão não ter deixado completamente satisfeitos quem já os observou com outro tipo de fibra.

Contrastantes foram as actuações dos cabeça-de-cartaz NOFX e dos Watain. Se os primeiros criaram uma atmosfera animada onde não faltaram umas boas piadas a acompanhar o punk clássico, os segundos trouxeram consigo toda a obscuridade e misticismo do black metal, onde o elemento fogo foi sempre uma constante da sua teatralidade.



A terminar o segundo dia, os também velhinhos Sick of It All, que andam de mãos dadas com a história do festival, não tivessem eles marcado presença em várias edições e terem sido os primeiros cabeças-de-cartaz da primeira edição, em 2006, deram uma autêntica lição de música e performance, provando que, a par de nomes como Madball e Agnostic Front, o hardcore da escola nova-iorquina está vivo e continua com uma garra que inspira gerações.


Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro

Agradecimentos: Resurrection Fest | ONP