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Resurrection Fest 2014 [Dia 3]

O último dia do Resurrection Fest reservou atuações de Testament, Turbonegro, Carcass, Gojira e Five Finger Death Punch, mas a chuva não deu tréguas e foi mesmo protagonista principal.


As hostilidades abriram cedo, mas pouco depois, Joey Cape, frontman dos Lagwagon, apresentava o seu set acústico no Chaos Stage, para um momento mais melódico:


De seguida, o goregrind dos Haemorrhage tomava de assalto o Ritual Stage, com aquela mistura coesa e única de elementos inspirados no grind/death da década de oitenta do século passado, que a banda oriunda de Madrid complementa, copiosamente, com uma estética e prestação em palco peculiar como ilustram as fotos:


O sol, depois de uma manhã chuvosa, ainda se fazia sentir quando os Gallows subiram ao palco principal para assegurar uma das melhores atuações, senão mesmo a melhor, do terceiro dia e de todo festival.
Depois da saída dos influentes e carismáticos irmãos Carter, que levou muitos fãs a questionar a continuidade e a qualidade do projeto, os britânicos não só cumpriram as expectativas como surpreenderam, provando que a alma do que fazem reside indubitavelmente no trabalho compositivo de Laurent ‘Lags’ Barnard.
Wade MacNeill, que teve a difícil tarefa de suceder a Frank, mostrou-se à altura com um positivo registo vocal e uma enorme empatia com a plateia. Com um novo álbum já no horizonte os Gallows abraçam da melhor forma possível esta nova fase da sua carreira.


Com a setlist centrada no soberbo registo ‘The Union Of Crows’ os Bury Tomorrow presentearam-nos, igualmente, com um fantástico concerto, debaixo dos últimos raios de sol que se sentiriam no festival, onde não faltaram boas composições de metalcore catchy e orelhudo como ‘Man On Fire’, ‘An Honourable Reign’ e ‘Lionheart’.


Os Gojira eram um dos nomes que mais interesse suscitava no cartaz deste ano do Resurrection Fest, mas, infelizmente, deixaram algo a desejar. Apesar de extremamente competentes e de um bom alinhamento, os franceses, que atuaram já debaixo de chuva, denotaram uma espécie de piloto automático que não particularizou da forma pretendida o momento. Talvez tivéssemos as expectativas demasiado altas.


Afastados da chuva, mas de igual modo insípidos, os Caliban, assentes nos últimos registos demasiado genéricos, também não reuniram argumentos capazes de surpreender. A fase ‘The Opposite From Within’ – ‘The Undying Darkness’ – ‘The Awakening’ parece mesmo ter sido o ponto alto da história dos alemães.


Ao início da noite, pela altura em que os Five Finger Death Punch cumpriam positivamente o seu papel e ecoavam, com os enormes coros que os caraterizam, por um recinto marcado por enormes zonas enlameadas difíceis de ultrapassar, a chuva não dava sinais de querer parar. Chegando a ser completamente torrencial, o que levou grande parte do público a procurar refúgio nas zonas mais abrigadas ou simplesmente a dar por encerrado, prematuramente, o festival. A carga de água que caiu dos céus condenou de forma clara as restantes atuações da noite, de onde sobressaiu unicamente o peso e a intensidade do death metal primordial dos Obituary e dos Carcass, bandas de renome dentro do espectro mais pesado da música metal, que conferiram duas prestações veementes.


Pelo meio, os não menos importantes e fundamentais Testament, que se apresentaram em modo best of e com uma vontade clara de deixar a sua marca na 9ª Edição do Festival, sofreram também com a chuva que era cada vez mais forte e impossível de suportar.


Infelizmente, devido às condições climatéricas, o festival terminou para muitos antes de Turbonegro e Lagwagon subirem a palco, deixando-o livre apenas para os mais irredutíveis como o nosso fotógrafo, Nuno Fangueiro, que, debaixo de uma chuva quase diluviana, conseguiu ainda captar estas imagens:

2015 irá trazer o 10º aniversário do Resurrection Fest e esperançosamente um cartaz à altura da ocasião. A chuva?? Essa não é bem-vinda e é totalmente escusada!
Até para o ano Viveiro!


Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro

Agradecimentos: Resurrection Fest | ONP