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Resurrection Fest 2015 [Dia 1]

Voltar a Viveiro e ao Resurrection Fest é sempre um prazer e mesmo as trocas de horários, que confundem os planos até do mais acérrimo festivaleiro, acabam por ser parte da tradição e mística de um festival sui generis na cena peninsular.

Assim entre outras bandas que estiveram na abertura da edição 2015 do festival, tivemos oportunidade de estar bem perto do palco com os britânicos Landscapes. Mas se estes estiveram entre as últimas adições ao Resurrection 2015, em boa hora os vimos chegar porque, ainda que com uma discografia limitada, os temas de Life Gone Wrong (2012) e a presença em palco destes rapazes de Somerset agradaram aos presentes.


Hora de acorrer ao palco principal para sermos fustigados pelos ingleses Heart Of A Coward. Um concerto brutal que certamente não terá deixado ninguém indiferente e que, por certo, aqueceu os ouvidos aos fãs mais acérrimos da banda oriunda de Milton Keynes que se gladiavam nas proximidades do palco e que terá provavelmente deixado também algumas contusões e hematomas num dia ainda com muito para acontecer.


Depois de terem passado pelo Porto com a Church Of Ra e pelo Burning Light Fest, no dealbar de 2015, os belgas Oathbreaker e o seu Eros|Anteros eram já bem conhecidos da hoste lusa que se deslocou a Viveiro. O som pesado que praticam confere-lhes uma considerável legião de fãs em Portugal e no palco do Resurrection, ainda que o horário não fosse o ideal, a banda desfilou toda a sua verborreia soturna e cavernosa na voz estonteante de Caro Tanghe que, no entanto, não se mostrou neste palco  no auge do seu poder vocal, talvez debilitada pela jornada até à Galiza e pelos climas mais quentes do que aquele que se faz normalmente sentir em Ghent. Uma vénia ao nosso fotógrafo, Nuno Fangueiro, que conseguiu fotografar-lhe o rosto, ocasionalmente, por entre todo aquele revoltear de longos cabelos.


Entradas de última hora, após o cancelamento de Periphery e Darkest Hour, os franceses The Algorithm pareciam em casa em Viveiro. Com a sua fusão de elementos eletrónicos e progressivos. Para aqueles que não conheciam a banda, pode ter sido uma surpresa o alto débito destes senhores, mas o facto é que ao vivo os temas rebuscados da banda ganham uma dimensão mais objetiva e avassaladora.


Os Defeater trouxeram o melodic hardcore do Massachusetts, sendo que destacamos a incursão pelo último álbum e mais conhecido álbum de originais Letters Home (2013). Os fãs da banda marcaram presença e o concerto foi bem recebido com muitas dinâmicas fora e dentro do palco como mostram as fotos aqui em baixo:


O Metalcore não podia deixar de marcar presença e os londrinos Devil Sold His Soul puxaram por alguns dos temas mais fortes do seu último longa duração, Empire of Light, para conquistarem uma audiência que sendo na sua maioria jovem, se mostrou portanto bastante recetiva a este género musical mesclado de melodia e intensidade que funcionou como aperitivo para os avanços mais audaciosos que o final de tarde anunciava.


Os Soulfly também subiram ao palco do Resurrection Fest com a energia que lhes reconhecemos. No entanto, neste caso o problema reside mesmo no facto de a banda carecer de algum fator surpresa, uma vez que o alinhamento está repleto dos mesmos temas de sempre: “Seek ‘N’ Strike”, a incursão aos Sepultura com “Refuse/Resist”, “Roots Bloody Roots” e continuando com “Back to the Primitive”, “No Hope = No Fear”, entre outros.


Os Suicide Silence foram provavelmente uma das melhores bandas a subir ao palco no primeiro dia do Resurrection Fest. Para isso terão contribuído além de um set bastante completo, coeso e arrasador, também o facto de o vocalista ter raízes hispânicas que lhe possibilitaram uma constante interação com o público.

Destaque para o início e final do set com“Fuck Everything” e “Sacred Words”.

Set list:
[Unanswered; No Pity for a Coward; Fuck Everything; Inherit the Crown; Wake Up; Slaves to Substance; Disengage; Sacred Words; You Only Live Once]

 


Os Refused seriam certamente das bandas mais aguardadas do Festival e eram mesmo uma das três bandas escaladas para o triunvirato de headliners desta edição do Festival. No entanto, em boa verdade o concerto teve altos e baixos e foi bastante condicionado pelas limitações do recinto ao nível do som que não chegava de igual forma à multidão que se aglomerava no local.

Set list
[366; Rather Be Dead; Summerholidays vs. Punkroutine; Françafrique; The Deadly Rhythm; Dawkins Christ; The Refused Party Program; The Shape of Punk to Come; Destroy the Man; Worms of the Senses / Faculties of the; Skull; Tannhäuser / Derivè; Elektra; New Noise]


Os Black Label Society são uma banda de grandes palcos, no entanto, achamos que o seu ambiente natural não serão tanto os festivais ao ar livre, mas antes as salas de concertos com um ambiente mais caraterizado e melhores condições sonoras. Apenas nesses palcos as filigranas musicais de Zakk Wilde conseguem repercutir em nós em todo o seu esplendor. A escolha de set também não terá sido a mais feliz, pois as bandas têm também de saber adaptar-se aos diversos espaços. Zakk derramou virtuosismo em Viveiro, mas nem todos estariam lá para se regozijarem com longos solos de guitarra e nenhuma interação. No entanto, uma máquina de metal bem oleada nunca deixa os seus créditos por mãos alheias e nisso os BLS são ímpares.

Set list
[Whole Lotta Sabbath; The Beginning… At Last; Funeral Bell; Bleed for Me; Heart of Darkness; Suicide Messiah; My Dying Time; Damn the Flood; (solo de guitarra); Godspeed Hell Bound; Angel of Mercy; In This River; The Blessed Hellride; Concrete; Jungle; Stillborn]


Os Canadianos Comeback Kid já são velhos conhecidos destas andanças e deram um concerto seguro e coeso, agarrando um público peninsular que já conhecem. Temas como “False Idols Fall”, “The Concept Stays”, Do Yourself A Favor” ou a muito requisitada “Wake The Dead”, fizeram o encanto de um público devoto da banda e do género que ela pratica com muito mosh e circle pits à mistura.

Set list
[Talk Is Cheap; Wasted Arrows; Do Yourself a Favor; All in a Year; False Idols Fall; Die Knowing; Losing Sleep; Partners in Crime; Should Know Better; G.M. Vincent & I; Step Ahead; Territorial Pissings (cover Nirvana); The Concept Stays; Broadcasting…; Lower the Line; Wake the Dead]

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Em casa sentiam-se também os Berri Txarrak, que festejam 10 anos de existência, e fizeram questão de fazer uma verdadeira festa em Viveiro, sendo que o público se juntou à celebração de forma efusiva, levantando muito pó e recebendo cada tema com empolgamento quase extático.


Fotografia: Nuno Fangueiro |
Agradecimentos: Resurrection Fest