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ReVamp [Julho 2013]

Agora que se aproxima a data de lançamento (23 de agosto) de Wild Card, o novo álbum dos ReVamp, a Rock n’Heavy tem o prazer e a honra de conversar com a vocalista, Floor Jansen.

Floor, falando acerca do vosso novo álbum, Wild Card, afirmaste que a banda enfrentou “situações inteiramente novas” e que “diversos desafios” tiveram que ser ultrapassados. Uma dessas situações foi o teu problema de saúde. O que mais nos podes dizer acerca do processo de gravação do novo álbum dos ReVamp?
Floor: Referia-me ao meu esgotamento, facto que originou diversos desafios no mau sentido. O positivo foi o facto de me juntar aos Nightwish em digressão, enquanto ainda gravávamos o nosso álbum. Mesmo que 80 ou 90% desse trabalho já estivesse pronto, a parte final teve que ser concluída durante a digressão. A gravação manteve o plano original, mas eu não podia estar presente quando os instrumentos estavam a ser gravados. No entanto, eu sabia que os rapazes fariam um trabalho fantástico e que, quando voltasse da digressão, podia gravar os meus vocais.

Recordamos que os ReVamp juntaram-se novamente ao antigo parceiro e superpotência do metal, a Nuclear Blast, como é que surgiu a oportunidade para essa colaboração?
Floor: Nós entramos em contacto com eles e enviamos uma demo com algumas canções ainda em fase de pré-produção.

Pelo trailer oficial, relatórios de estúdio e algumas filmagens ao vivo do novo tema “Sins”, ficamos com a impressão que os fãs têm bons motivos para estarem ansiosos pelo lançamento de “Wild Card”, porque este trabalho soa ainda mais forte, agressivo e bombástico do que o seu predecessor, ReVamp. O que nos podes dizer acerca disso?
Floor: Sem sombra de dúvida que vai ser 🙂 A sonoridade está ainda mais centrada nas guitarras e há mais riffs pesados, ainda que também exista espaço suficiente para partes mais melódicas e bombásticas. A forma de cantar tornou-se mais diversificada do que anteriormente, com a utilização de vocalizações cruas, gritos e até berros. As canções ganharam em diversidade e, em alguns momentos, ficaram ainda mais progressivas.

Floor, será que podes partilhar connosco o conceito e ideias principais subjacentes a Wild Card, focando a questão do aspecto gráfico da capa, a inspiração lírica dos temas e algumas particularidades a nível instrumental?
Floor: A capa mostra uma carta de jogo que literalmente foca a “Carta” de Wild Card. A rainha de copas é ela própria uma “wild card” em muitas histórias, ora é a rainha boa, ora a rainha má. A dupla face da carta refere-se à própria música que pode ser pesada, sombria e agressiva, mas também suave, melódica e mais feminina. Como no primeiro álbum o fundo é branco, temos uma cor principal (cor de rosa no primeiro, vermelho em Wild Card) e apareço eu. Sou um dos elementos da capa dos dois álbuns, mas isto não é baseado na “imagem da Floor” 🙂 A questão musical ficou descrita na minha resposta anterior. Colocamo-nos num certo estado de espírito enquanto compúnhamos para nos inspirarmos numa longa “playlist” cheia de diversos estilos musicais. Queríamos compor um álbum pesado, mas moderno, algo fresco. As letras abordam diversas temáticas, mas há algumas ligadas por um mesmo tema designado como “The Anatomy Of A Nervous Breakdown’. Três músicas dedicadas ao meu esgotamento e ao facto de ter adoecido. Há outras que também estão relacionadas com isso, outras não têm nada a ver com essa questão, mas numa perspectiva global as letras são mais diretas e mais pessoais do que no passado.

Quais são as tuas expectativas para o vosso próximo disco, e será que ainda podes levantar um pouco mais o véu sobre Wild Card? Por exemplo, há alguma canção que gostarias de destacar?
Floor: Eu nunca crio expectativas, eu tenho esperança. Nunca sabes o que vai acontecer, a única coisa que podes fazer num álbum é acreditar nele a 100% e ter esperança que o nosso público e outras audiências potenciais também gostem dele. Não tenho preferências, até porque as minhas canções são os meus “bébés”. Seria como preferir um filho a outro.

E o que dizer sobre o tema de abertura “The Anatomy Of A Nervous Breakdown: On The Sideline”, lançado como single a 19 de julho, como é que ele se integra no conjunto do disco e se relaciona com a música seguinte, “The Anatomy Of A Nervous Breakdown: The Limbic System”?
Floor: Estão ligados da forma que expliquei anteriormente. Olham para o meu esgotamento através de perspectivas diferentes, a canção “Neurasthenia” também está relacionada com isso.

Em maio, Henk Vonk foi apresentado como o novo baixista dos ReVamp, substituindo Jaap Melman, mas as partes de baixo do novo álbum foram gravadas pelo baixista dos Stream Of Passion, Johan van Stratum. De que forma é que a banda conseguiu gerir estas mudanças, e como está a correr a adaptação do Henk Vonk?
Floor: O Jaap deixou a banda mesmo antes do início das gravações e tivemos que encontrar rapidamente um substituto. Eu e o Joost van den Broek conhecemos muito bem o Johan e ele fez um trabalho fantástico! O Henk Vonk é conhecido por todos os membros dos ReVamp, e ele deixou uma forte impressão depois de ter tocado num outro projeto com eles. Ele adapta-se muito bem ao grupo e a sua sonoridade no baixo é firme e pesada, logo adapta-se perfeitamente ao novo álbum!

Além de Johan van Stratum, os músicos convidados em Wild Card são Mark Jansen (Epica), Marcela Bovio (Stream of Passion), Daniel de Jongh (Textures) e o incrível Devin Townsend. Como foi trabalhar em tão boa companhia? Qual foi o contributo de cada um deles para Wild Card?
Floor: Estamos muito felizes por termos todas estas participações especiais! Temos o Mark Jansen (Epica) aos berros (grunts) em ‘Misery’s No Crime’. Depois de, por várias vezes, eu ter partilhado o palco com os Epica e cantado no projecto dele MaYan, achei que seria formidável se ele pudesse dar voz a uma música dos ReVamp. Ele fez um trabalho fantástico nos versos desta canção! (ps: todos os outros “grunts” deste álbum são da minha responsabilidade, um novo estilo vocal adicionado 🙂
O Devin Townsend canta em ‘Neurasthenia’. Uma canção que podia muito bem ter sido escrita para ele! Ele cantou os versos que escrevi, mas alterou-os daquela forma que é característica do estilo Devin! O resultado é mesmo muito bom, estamos entusiasmados!!!
Nos coros optamos por trabalhar com cantores experimentados em metal e na gravação de harmonias vocais em estúdio. Em todos os meus trabalhos anteriores escrevemos as pautas dos coros (escreveu o Joost van den Broek) e tivemos cantores com formação clássica a fazer essas partes. Este álbum não precisava de uma sonoridade tão clássica ao nível dos coros e foi por isso que escolhemos trabalhar com o Daniel de Jongh (Textures) e a Marcela Bovio (Stream of Passion). Nós os três gravamos as nossas partes e experimentamos várias sonoridades e possibilidades em conjunto com o Joost van den Broek. O resultado final é mais criativo e mais bem adaptado a cada canção.

Em busca de apoios para a ReVamp 2013/14 Tour, vocês iniciaram a “Kickstarter Campaign”, pedindo aos fãs que se juntassem ao “ReVamp Army” de forma a que ajudar a banda a voltar à estrada? Como surgiu a ideia e será que essa campanha foi um sucesso? Equacionarias uma viagem até ao soalheiro Portugal para um concerto, colocando assim um sorriso no rosto de todos os vossos fãs portugueses?
Floor: A campanha acabou por ser muito bem-sucedida e a resposta dos nossos fãs foi avassaladora! Fazer uma digressão é algo muito dispendioso para qualquer banda e nós simplesmente não temos rendimentos suficientes para suportar todas as despesas. Isto abre mais portas, porque há agora mais opções que podemos ponderar. Temos alguns concertos planeados e uma digressão europeia com Kamelot em novembro. Em 2014, queremos visitar outros países europeus, depois a América do Norte e do Sul e talvez a Ásia.

Floor és uma cantora muito versátil e talentosa, como foi integrar a digressão dos Nightwish e será que no futuro teremos novas colaborações com os gigantes do metal sinfónico finlandês?
Floor: Neste momento ainda estou em digressão com eles e é fantástico! Sinto-me muito honrada por ter sido convidada e tenho passado momentos incríveis com eles na estrada. O que o futuro nos vai trazer ainda não está decidido. Vamos tocar em festivais até agosto e depois disso os Nightwish vão parar por uns meses. Depois dessa pausa, eles decidirão quem vai assumir o papel de vocalista no próximo álbum, no início de 2014.

Deixando cair o pano sobre esta entrevistas, gostaria de desejar os maiores sucessos aos ReVamp e um futuro (ainda mais) brilhante para todos os músicos da banda. Será que podias deixar uma mensagem para todos os vossos fãs em Portugal?
Floor: Espero que possamos visitar o vosso maravilhoso país em 2014! Muito obrigado por todo o vosso apoio, mesmo em dias mais negros! Esperamos que gostem do nosso novo álbum!
Tudo de bom,
Floor