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Savages – Adore Life

Depois da aclamada estreia em 2013 com Silence Yourself, as londrinas Savages estão de volta com a sequela Adore Life que as mostra ainda mais tensas, mais furiosas e, sobretudo, lideradas por uma Jehnny Beth igual a si mesma, ou seja, extraordinária.

Injectando nova vida no Post-Punk (aquele baixo delicioso em “Evil” não engana ninguém que conheça Joy Division), a banda carrega o disco de uma contenção claustrofóbica, construída lentamente até um clímax explosivo, como já tinha sido dado a ver na galopante “The Answer”, single de estreia.

Fiéis ao seu som, as Savages são exemplares na execução instrumental das suas faixas, com um baixo poderoso, guitarradas ora atmosféricas ora pesadas e percussão sufocante que, em conjunto, apenas imprimem o agradável desconforto que passa por toda a audição, mas no final, é impossível negar que a estrela da companhia é Beth, dona de uma voz que ressoa a Cranberries (a genial “When In Love”, com a sua letra cínica repleta de momentos como “Is it love/Or is it boredom/That took me up/To your bedroom?”) e a Patti Smith (na desapontantemente morna “Adore”), sendo capaz de alternar entre um tom profundamente sensual com a fúria típica do Punk com uma facilidade desarmante (a sequência contagiante de “Surrender” e a sua sucessora “T.I.W.Y.G” é brilhante).

“Mechanics”, a encerrar o disco em contornos industriais, é um momento sensível mas desapontante depois da explosão de energia que Adore Life contém anteriormente e “I Need Something New” nunca fica na memória, mas na globalidade este álbum é um exercício quase impecável sobre combinação em doses iguais de nostalgia de traços negros e sombrios com uma energia jovial que resulta em Joy Division carregado de speeds e liderados por uma vocalista já icónica.