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Screaming Females – Rose Mountain

Embora já editem CD’s desde 2006, foi com o álbum de 2012 Ugly, com a marca de produção ‘suja’ típica de Steve Albini que os Screaming Females ganharam um maior destaque, sobretudo no sub-mundo do Punk, com destaque para o virtuosismo da vocalista e guitarrista de dedos rápidos e vibrato sedutor Marissa Paternoster.

Se os Sex Pistols ensinaram que não se precisa de saber tocar ou cantar para se ser a melhor banda de uma era e os Clash Ramones seguiram mostrando que o mesmo era possível com três acordes, bases onde se assenta todo o movimento DIY, a banda de New Jersey aposta numa mistura de garra e energia vibrante do Punk com técnica sem rodeios que os coloca um degrau acima dos seus pares.

Se em Ugly o grupo libertou a sua alma raivosa em toda a sua plenitude, em Rose Mountain a ‘operação’ é de renovação e de limpeza, mostrando um disco muito mais polido e, embora mantendo a intensidade, foca-se na coesão e muitas vezes prefere contensão à explosão fácil, sendo de digestão mais difícil mas igualmente recompensador, resultando num dos melhores CD’s alternativos do ano.

Isto não implica que não existam músicas mais imediatas para criar impacto típico do Punk, como a enérgica “Empty Head” a abrir Rose Mountain da melhor forma, ou a excelente “Burning Car” com ecos de Cranberries e guitarra viciante a ‘fazer estragos’ logo à primeira audição, mostrando que Paternoster está na sua melhor forma de sempre (vejam-se aqueles riffs de “Ripe”).

No entanto, a maioria das faixas apresenta-se mais densa e complexa, mas também mais rica e multifacetada como a surpreendentemente dançável faixa-título ou a antémica “It’s Not Fair” a darem bastante variabilidade a uma banda que além de criar momentos de peso “Nirvanesco” como “Broken Neck” consegue também dar alma a uma balada suave e gingona como a tremenda “Wishing Well”, muito graças à versatilidade da sua vocalista e uma secção rítmica impecável.

Desta forma, Rose Mountain é um passo à frente na direcção certa para os Screaming Females que, sem porem de parte a intensidade indispensável ao melhor Punk, conseguem criar um álbum que vai muito além disso, abraçando várias facetas e triunfando em todas elas.