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Seether – Isolate and Medicate

Incluídos no “caldeirão” mal-amado do Post-Grunge que tanta banda gerou no início dos anos 00, osSeether sempre tiveram dificuldade em serem levados a sério: a atitude que descaradamente emulava Kurt Cobain e sonoridade a meio caminho entre o Nu Metal e os Nirvana, mas com um apelo pop vistoso para não excluir a divulgação mediática, a banda liderada por Shaun Morgan já conheceu bastante sucesso, mas nunca se conseguiu impor na cena musical.

Tentando livrar-se das suas “roupagens” Grunge, os sul-africanos começaram uma transformação musical a partir de Finding Beauty in Negative Spaces que os aproximou mais do Hard Rock de apelo radiofónico, resultando numa persona mais próxima de uns Nickelback e numa série de cd’s mais comerciais e de qualidade questionável.

Em Isolate and Medicate, a banda junta-se de novo ao produtor que deixou a sua marca indelével no Grunge através dos Pearl Jam, Brendam O’Brien, que tem o dom de limar o álbum de forma a trazer ao de cima o lado mais melodioso dos Seether, bastante mais apelativo do que os seus devaneios de peso.

Words as Weapons”, o single de estreia do cd, prometia mais para o álbum, ao apresentar uma faixa agradável e, acima de tudo, que não soava a nada que o grupo já tivesse feito, adivinhando-se novas direcções musicais entusiasmantes, o que acaba por não corresponder à realidade.

Isolate and Medicate mostra uma banda confortável na sua posição e que carrega ora no Hard Rock pesado, mas de refrões orelhudos (veja-se “Same Damn Life”, com os seus falsetes sofridos, ou “Suffer it All”, a lembrar os tempos de “No Jesus Christ”, mas melhor e mais polida), ora no sentimentalismo baladeiro (entre a banal “Crash” e a doce “Save Today”, que conquista com a sua doçura acústica e a voz de Morgan, que sempre foi de longe o maior encanto dos Seether).

Para além disto, ainda há tempo para o saudosismo Post-Grunge, através de momentos como a excelente “See You At The Bottom”, que abre o cd em grande, ou das banais “My Disaster” e “Keep The Dogs At the Bay”, que mostram que os Seether passaram a escolher outros alvos para emular, sendo a banda de Chad Kroeger (“Nobody Praying For Me” é mais do que inocentemente parecida a “How You Remind Me”) ou eles próprios, ressalvando a desinspiração nas letras que soam cada vez mais genéricas e adolescentes.

Desta forma, mesmo tendo sobrevivido à purga que já “ceifou” a maioria do movimento Post-Grunge, os Seether mostram cada vez mais que estão satisfeitos em ser uma banda mediana que faz bons singles e cd’s no máximo razoáveis, numa clara aceitação do seu estatuto de guilty pleasure.