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Sepultura [Outubro 2013]

Sem que tenha decorrido uma semana desde o lançamento do novo álbum dos Sepultura, “The Mediator Between the Head and Hands Must Be the Heart” (25 out. via Nuclear Blast) e pouco depois de ter sido anunciado que a banda fora forçada a cancelar a sua digressão norte-americana, que deveria começar amanhã (1 nov.), por não ter conseguido, em tempo útil, os vistos para entrar nos EUA. A Rock n’Heavy esteve à conversa com o guitarrista, Andreas Kisser, discutindo temas obviamente relacionados com o novo disco, nomeadamente o olhar crítico face ao Vaticano e à figura do Papa. Mas não esquecendo a passagem dos Sepultura pelo Rock in Rio 2013 e sobretudo o anunciado regresso a Portugal, no âmbito da European Tour 2014, que tem data marcada para o dia 28 de Fevereiro no Paradise Garage, em Lisboa.

Andreas, antes de mais, obrigado por esta fantástica oportunidade para entrevistar uma banda mítica que me acompanhou desde a adolescência. Queria deixar-vos mesmo o meu profundo agradecimento pelo vosso tempo e interesse em responderem às questões da nossa revista.
Eu que agradeço!

“The mediator between head and hands must be the heart” é lançado, na Europa, a 25 de outubro, via Nuclear Blast. À medida que essa data se aproxima a tensão aumenta, quer do lado da banda, quer dos fãs. Como é que a banda está a viver as emoções desta semana de lançamento e quais são as vossas expectativas para este novo trabalho?
As expetativas são muito boas, estou muito satisfeito com a produção do disco, o som, a arte, tudo está de acordo com a mensagem do disco. Estamos preparando a nova tour e ansiosos pra tocar ao vivo. As primeiras impressões do disco têm sido muito positivas.

“The mediator between head and hands must be the heart” é um título profundamente simbólico. Gostávamos de saber mais sobre essa escolha e também sobre as implicações que o título tem com a música no interior?
A frase eu tirei do filme “Metropolis”, de 1927, feito na Alemanha, um grande clássico do cinema mundial. o filme mostra uma sociedade totalmente robotizada muito parecida com o que vemos hoje, as pessoas estão perdendo a capacidade humana, somente recebendo informação na cabeça e agindo com as mãos sem saber o porquê das coisas, não estão usando o coração, o poder de argumento, de protesto, de questionamento. As letras falam de coisas gerais, que vemos pelo mundo sempre com o foco no coração humano.

Como decorreu o trabalho de composição e gravação de “The Mediator”? Houve algo de notoriamente diferente em relação a registos anteriores?
Acho que a grande diferença é a entrada do novo baterista Eloy Casagrande, ele trouxe novas possibilidades para a música do Sepultura, um excelente baterista e apesar de ser jovem já tem uma bela experiência. Gravar nos Estados Unidos depois de muitos anos também trouxe um clima novo para o disco, foi muito bom trabalhar com o Ross Robinson novamente no seu estúdio.

De facto, o vosso novo disco foi produzido pelo guru Ross Robinson (que já trabalhara no aclamado “Roots” de 1996), como foi voltar a trabalhar com um dos “deuses” da música extrema e até que ponto o Ross ajudou a moldar esta nova opus dos Sepultura?
Foi fantástico, ele conhece muito bem o Sepultura e nós o conhecemos muito bem também, ele trouxe muita energia positiva e muito conhecimento, deu várias sugestões que ajudaram a moldar as músicas antes de gravar, e claro o som que ele tirou dos instrumentos e de nós mesmos, nos fez extrapolar os nossos limites.

O vosso novo álbum contém músicas que, à partida, m despertam um particular interesse. Por exemplo, “Trauma of War”, é apresentado como um dos vossos temas mais brutais de sempre. Sentiram essa necessidade de elevar ainda mais a fasquia ao nível da sonoridade?
As músicas saem muito naturalmente, não forçamos nenhuma situação, o tema é pesado e isso nos inspirou a escrever uma música rápida e brutal, tudo depende da intenção que queremos transmitir com a letra.

Logo de seguida ouve-se “The Vatican”, gostava de saber um pouco mais sobre os meandros líricos deste tema. Até porque todos assistiram à visita recente do Papa Francisco ao Brasil. Qual é a vossa posição em relação ao Vaticano e, particularmente, em relação ao novo Papa Francisco, quando comparado, por exemplo, com o seu antecessor, Bento XVI?
Neste tema eu falo um pouco da história obscura do Vaticano, cheio de guerras, violência, corrupção, assassinatos, orgias, pedofilia e tudo de mal que o mundo pode produzir. É uma instituição milionária que vê os seus fiéis morrerem de fome pelo mundo. O Papa é somente um fantoche de uma estrutura poderosa e rica.

“The Age of the Atheist” parece confirmar que neste novo registo os Sepultura estão ainda mais corrosivos em relação à sociedade atual? E se isso for verdade, qual o motivo e será que encontramos ainda outros exemplos disso no álbum?
Em todo o álbum falamos da nossa sociedade, falamos de religião (The Vatican, The Age Of The Atheist), política (Manipulation Of Tragedy), sentimentos comuns aos humanos (Grief), fenómenos naturais (tsunami), mas sempre com o foco no humano, no coração.

“The Age of the Atheist” é também o primeiro single, será que essa forte conotação de crítica social presidiu à vossa escolha ou houve também critérios de ordem musical?
Queríamos lançar um single na moda antiga, em vinil e como isso tem limite de tempo escolhemos uma música que se enquadrava neste limite, qualquer música poderia ser a primeira, gosto muito de todo o disco.

Os Sepultura estiveram em alta nesta edição do Rock In Rio. Como surgiram as colaborações com os Tambours du Bronx e principalmente com o ícone da música brasileira, Zé Ramalho? Como resultou essa fusão de riffs pesados metal com os acordes populares nordestinos?
Foram parcerias fantásticas que deram muito certo. Conheci o TDB num festival na França onde tocamos juntos em 2008, desde então começamos a trocar informações e ideias o que resultou num show único e que causou um grande impacto. Com o Zé Ramalho já tínhamos feito uma música juntos para uma trilha sonora de um filme no Brasil e agora pintou a oportunidade de fazer isso ao vivo, foi mágico!

Os Sepultura regressam a Portugal a 28 de fevereiro do próximo ano, no palco do Paradise Garage, em Lisboa, com “The Mediator” na bagagem, e um cartel brutal de bandas que inclui Legion Of The Damned, Flotsam and Jetsam e Mortillery. Querem aguçar a curiosidade dos fãs com alguns pormenores sobre aquilo que podem esperar nas digressões que se avizinham?
Estamos muito felizes de voltar a Portugal novamente, vamos celebrar a carreira de 30 anos do Sepultura e claro apresentar os temas do disco novo, será uma grande festa!!!

Deixava ainda uma questão que, na verdade, surge de um desafio que colocamos aos nossos leitores. Recebemos várias perguntas dos vossos fãs e selecionamos a seguinte:

Será que está a ficar cada vez mais pesado carregar o “heavy metal” por este mundo (pop) fora?
Não sei, pra mim é muito natural tocar o que toco e metal cada vez mais pesado é ainda melhor!!!

Por último, há algo que queiram anunciar em relação ao futuro próximo da banda ou alguma mensagem que queiram deixar aos vossos fãs?
Estamos preparando o filme da história do Sepultura para o próximo ano mais o DVD ao vivo no Rock in Rio com o Tambour do Bronx. Claro muito shows pelo mundo!

Obrigado, Grande Abraço
Andreas