free website stats program

Shape – [Fevereiro 2013]

SHAPE, uma banda formada por um grupo de amigos de Lisboa, conhecidos pela mensagem de capacidade, força e autoconfiança que tentam passar ao público. Composta por João na voz, Diogo e Zé na guitarra, Peter no Baixo e na bateria Morelli, trazem-nos agora MMXII uma recente compilação do percurso da banda.

«How can’t you see/Just try, just go ahead/How long will it take to see/That you are free, man you are free.» É esta ideia de liberdade que pretendem passar para quem vos ouve e consequentemente, levar para palco?
Sim, é mesmo essa a nossa messagem. E muitas vezes o que sentimos é que ainda existem pessoas confinadas por algumas barreiras, que na verdade não existem. Nós queremos que se quebrem essas barreiras, principalmente ao vivo.

Quando se começa uma banda “de garagem”, imagina-se existir a possibilidade de estar, como vocês, um dia no Curto Circuito a falar sobre o vosso percurso e projectos futuros?
Acho que sim, todos imaginam situações dessas [risos]. Tal como já todos imaginámos tocar com algumas das bandas que nos influenciaram e isso proporcionou-se. O melhor é ainda continuarmos na mesma garagem.

Quem são os Shape?
Os SHAPE são 5 amigos que vivem em Lisboa e que decidiram fazer músicas diferentes do que estão habituados a ouvir. Cinco amigos com histórias diferentes, rotinas diferentes mas com uma paixão.

São conhecidos pela humildade não só enquanto banda mas enquanto pessoas. É meio caminho andado para o sucesso de uma banda?
Não sei se isto é “sucesso” ou não mas, não temos porque não ser humildes, tudo o que temos hoje foi devido ao nosso trabalho e à ajuda de muita gente e a todos eles só temos que agradecer. Não sei se somos considerados humildes por isso, ou se nos ajudam por nós sermos humildes. Mas a verdade é que temos tido imenso gosto em tudo o que SHAPE nos proporcionou até hoje.

Qual é o vosso maior objectivo?
O principal objectivo sempre foi fazer uma tour. Não quer dizer com isto que a última data da tour irá ser o ultimo concerto de SHAPE. Mas esse sempre foi o nosso objectivo, gravar, juntarmo-nos os 5 numa carrinha e fazer-mo-nos à estrada [risos]

MMXII é uma recente compilação vossa. Simboliza uma paragem para breve ou foi apenas uma necessidade de trazer tudo o que vos designa desde início, de volta?
Foi o fechar de um ciclo. Por um lado, a seguir a este lançamento vamos parar para voltar a estúdio. Por outro temos algumas músicas antigas que ainda não chegaram aos ouvidos de muita gente. Tentamos arranjar a melhor forma de conseguir os dois e “MMXII” é o resultado disso.

Eugénio de Andrade disse: “Todas as casas onde há livros e quadros e discos são bonitas. E são feias todas as casas, por mais luxuosas, onde faltem essas coisas.” O que significa para vocês, uma casa?
A nossa casa é onde esta o nosso coração. Não nos tiram de onde nós queremos estar, nem nos levam para onde nos não queremos ir. É ai a nossa casa.

O que vos falta?
Tempo. Tudo o resto havemos de conseguir.

Existe algum momento ou alguma fase que se destaque no vosso percurso, de tão completa ter sido?
Já tivemos a oportunidade de tocar com algumas das bandas que nos influenciam enquanto músicos. Num desses momentos tive a oportunidade de conversar com uma pessoa que era road manager de bandas como “Mighty Mighty Bosstones” e “Dropkick Murphys”. Nesse concerto essa pessoa tinha partilhado o palco connosco.
Bem mais velho que eu, com mais continentes visitados que a maior parte das pessoas que eu conheço, essa pessoa era tão normal como eu e tu. Mais simples do que muitas das pessoas com quem eu falo todos os dias. Comprou uma t-shirt da minha banda, agradeceu me por eu estar ali a conversar com ele e no fim saiu com um sorriso de um concerto onde estavam perto de uma centena de pessoas. No mínimo marcante.

Quem vos acompanha sabe que a mensagem que tentam transmitir é uma mensagem positiva, de liberdade, acção, capacidade e concretização, no entanto as letras são carregadas de palavras fortes e com uma conotação não tão positiva. É uma forma de chamar à atenção para o que pretendem transmitir?
É essa a nossa realidade. Nos sabemos que é sempre possível alcançar aquilo que tu queres, lutares contra aquilo que tu não gostas. Mas o caminho não é fácil. Talvez por isso a nossa música seja agressiva, as letras sejam fortes. É assim que nos vemos o mundo. Queremos que quem nos ouve sinta que é possível chegar onde quer nem que o caminho não seja o mais fácil.

Duas referências (musicais/pessoas/filmes/livros o que quiserem).
Stanley Kubrick – Pelos seus métodos de trabalho inovadores e por tudo o que os seus filmes representam.
Muhammad Ali – Por tudo o que representou na sua época. A luta contra o racismo e forte representante da classe media baixa/operária. E também pelo lutador exímio que foi.