free website stats program

She Past Away [Hard Club, Porto]

Sob uma lua cheia, premonitória de apocalipse e sangue, o Porto pôde receber, pela primeira vez, os turcos She Past Away.
Banda sensação entre os indefetíveis seguidores do goth rock e post-punk, e portadores do legado de ícones oitentistas como The Cure, Joy Division ou Sisters of Mercy, o grupo tinha já assegurada uma boa receção no Hard Club, especialmente por parte dos que saíram deslumbrados da sua atuação no Festival Entremuralhas em 2014.

Para a abertura do concerto foi escolhido o Homem Em Catarse, ou então – dito de outra forma – o “one-man-show” de Afonso Dorido, que sob este epíteto, presenteou a plateia com os sons delicados do seu álbum “Guarda Rios”.
Com um trabalho (re)conhecido nos Indignu, mostrou-se em palco de forma singela, sem músicos de acompanhamento, numa atuação curtíssima (menos de vinte minutos), mas plena de poesia e sentimento, e bem aceite por um público ao qual estaria a apresentar-se, seguramente, pela primeira vez.


Pelas onze horas, surgiam em palco os esperados She Past Away, de forma tudo menos triunfal – fizeram-no de modo simples e despretensioso, saudando timidamente o público que os ovacionava, e preocupados, acima de tudo, em resolver pequenos problemas de som que assolaram o primeiro ou segundo tema.
Originários de Bursa, na Turquia, num remoto limite geográfico da Europa, mas apontados ao centro de uma memória, tão presente, dos tempos áureos do post-punk, goth e darkwave, a banda destaca-se numa reinvenção de um estilo que não se esgota.
Com apenas dois álbuns de longa duração no curriculum, “Belirdi Gece” de 2012, e o novo “Narin Yalnızlık”, o duo dispõe, ainda assim, de repertório suficiente para uma atuação de hora e meia, intercalada por uma acanhada interação com o público, mas com muitos “Obrigados”.
Apresentando laconicamente cada tema no início pelos seus títulos, sempre em turco, mantiveram uma discreta postura em palco, andando o vocalista e guitarrista Volkan Caner um pouco mais solto, contrastando com a rigidez de Doruk Ozturkcan, que por detrás dos seus equipamentos fazia lembrar um qualquer elemento dos Kraftwerk.
Nada que retirasse, porém, o brilho de uma atuação impactante – o anúncio de temas como “Ruh” eram aclamados ruidosamente pela plateia que compunha generosamente a sala.
O fim da atuação foi precedido por vários encores e a despedida foi feita no mesmo tom da entrada, numa simplicidade desconcertante para uma banda em plena ascensão.


Fotografia e texto: João Fitas
Agradecimentos: Muzik Is My Oyster