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Shining [Fevereiro 2013]

No rescaldo do dia de São Valentim, aproveitando os últimos eflúvios dessa atmosfera idílica envolta em delíquios ternos e amorosos, a Rock n’ Heavy entrevista o homem que lidera a banda que “destrói a nossa vida desde 1996”. Senhoras e senhores, meninos e meninas agarrem-se aos vossos corações palpitantes e abram alas para NIKLAS KVARFORTH dos SHINING.

Polémico, subversivo, irreverente, contestatário, NIKLAS KVARFORTH, a propósito da sua nova coluna de imprensa “Chronicles from the Asylum”, revelou que pretendia discutir assuntos que os repórteres não ousam referir, temendo o rótulo de párias da sociedade ou por receio da censura. Felizmente, na Rock n´Heavy não temos qualquer pejo em escalpelizar a pústula mais infecta para dela extrairmos a raiz de todo o mal, até porque aqui não há vestígios de qualquer lápis azul e se, em redor, há alguém que não se considere um pária da sociedade, ele que atire a primeira pedra! ALEA JACTA EST!

Os Shining são uma das poucas bandas da atualidade com um som verdadeiramente único. São apenas necessários alguns segundos de audição de uma música para sabermos qual é a banda que está a tocar. Isso foi algo planeado ou o vosso som desenvolveu-se naturalmente com o tempo? Acho que esse será o resultado natural quando um artista escreve com paixão e não no sentido de impressionar os outros.

Quando toda a gente menos esperava, vocês lançam um álbum mais obscuro e melancólico. Acrescente-se que a sequência seguida nos últimos álbuns também foi quebrada com o “Redefining Darkness”. Isso significa de alguma forma que vocês mudaram de direção em termos de sonoridade e da vossa carreira? Sim, é verdade.

Também editaram um EP, no último ano, que continha apenas covers de bandas oriundas de géneros completamente diversos do vosso. Consideram essas bandas como influências? Isso foi uma mensagem para os vossos fãs com a mente mais fechada? Gravei sempre covers enquanto trabalhava num álbum. Desta vez, fiz mais algumas, porque necessitava de encontrar outras formas de usar a minha voz. Decidimos lançar algumas delas antes do álbum, porque queríamos por um lado causar alguma irritação e por outro dar aos nossos fãs um olhar subtil a outros géneros diferentes daquele que estamos atualmente a explorar.

Os Shining são neste momento a maior referência da cena do Suicidal Black Metal. O que é que vocês têm que as outras bandas não têm? Vêem-se como uma inspiração para uma geração mais nova que agora está a tentar seguir os vossos passos? Como tenho dito, sempre criei arte, de uma forma ou de outra, através da minha paixão pelas trevas e destruição do ser humano. Pressupondo que muitos outros apenas criam, procurando atingir um objetivo que já alcançamos, não sinto a necessidade de me pôr à prova perante os outros. Sim, as pessoas queixam-se muito, aparentemente por que acham algumas das minhas escolhas pouco atraentes. No entanto, eu, o emissário, tenho a missão de pensar por mim mesmo, e não ligar àquilo que uma pequena percentagem da juventude do Black Metal pensa que é certo ou errado. E como devem saber, eu comecei esta banda em 1996, anos antes de outros terem seguido pelo mesmo caminho. E provavelmente até pode ser verdade aquilo que as pessoas dizem: o original é sempre melhor que a imitação.

O Black Metal tem alcançado sucesso comercial nos últimos 10 anos, consideras que isso foi algo positivo ou pensas que o Black Metal deveria continuar restrito à cena mais underground? Na minha opinião, diria antes 15 anos. Se não fosse pelo sucesso comercial dos Shining, eu teria desistido há muitos anos. Concentrando-me noutras formas de destruir a vida de rapazes e raparigas perdidos. No entanto, claro, quando comecei não havia nada de “mainstream” no que diz respeito ao movimento Black Metal, e sim, de certa forma, recordo esses dias com uma certa nostalgia, termos algo verdadeiramente nosso que todos os estranhos receavam. Não obstante, como afirmei anteriormente, os Shining são uma ferramenta que uso para chegar onde quero, portanto, permanecer nas sombras não faria qualquer sentido. No entanto, sim, pessoalmente sinto nojo ao confrontar aquilo que significa estar ao nosso nível, mas é um mal necessário que tenho de suportar.

Nas vossas afirmações públicas, fazem troça de outras bandas e indivíduos dentro da cena Black Metal. Consideram-se como “outsiders” ou, sendo parte do movimento, apenas desprezam o excesso de seriedade de alguns artistas? Eu apenas digo o que sinto no momento em que estou a fazer um comunicado ou numa entrevista. Seria incapaz de me sentar e planear qual seria o próximo passo, logo, é óbvio que alguns idiotas estão a ser escarnecidos. Mas quando me perguntas se desprezo a seriedade de QUALQUER artista, infelizmente não compreendeste o meu objetivo. Eu também sou extremamente sério naquilo que faço, mas devido à natureza de homem o meu ódio faz com que a minha mente esteja em diversos sítios ao mesmo tempo, resultando numa reação que as pessoas podem questionar. Eu não sei, nem ligo a isso.

Preferes cantar em inglês ou em sueco? Achas que o facto de muitos dos teus ouvintes não compreenderem sueco faz com que seja mais difícil passar a tua mensagem ou, por outro lado, as letras não são tão importantes e as pessoas apenas devem sentir aquilo que a vossa música tenta exprimir? É claro que prefiro a minha língua nativa. Mas volto a insistir, eu faço tudo o que for necessário para a situação corrente ou para a canção que estou a escrever naquele momento. No entanto, incomodou-me durante toda a minha carreira o facto de as pessoas não conseguirem compreender algumas das minhas letras e foi por isso que escolhi lançar o livro “When Prozac No Longer Helps” para que os nossos fãs compreendam melhor os temas explorados nas letras suecas.

Quais são as maiores diferenças entre o Nikas do EP “Submit to Selfdestruction” e o Niklas de hoje, em termos musicais e de visão de vida? Cerca de 16 anos. O Niklas e o Kvarforth são o mesmo, Kvarforth é apenas um pouco mais impulsivo, arrogante e violento.

Não receias que as controvérsias em que a banda se tem envolvido silenciem a vossa música ou, pelo contrário, pensas que essa é uma das melhores maneiras para descobrirem quem são os vossos verdadeiros fãs? Tanto sim como não. Mas de forma a acabar com aquilo que os media consideram “controvérsia” teria de impor limites a mim mesmo. Isso NÃO é uma opção.

Consideras-te um misantropo ou apenas odeias pessoas detestáveis? Wow… acabas de receber o prémio pela pergunta mais estúpida que recebi este ano. Parabéns!

Pareces ser um homem bastante honesto e frontal, se morresses hoje deixavas algo por dizer? Muito. Mas considerando aquilo que a internet representa nos dias de hoje, julgo que as pessoas acabarão por revelar todo o tipo de coisas, algumas verdadeiras e outras falsas, depois de eu ter morrido.

Gostas de viver no limite ou és alguém que gosta de planear bem o futuro? Mais uma vez, tanto sim como não. Se simplesmente desfrutasse com o que faço, a minha missão acabaria por falhar.

Da parte de toda a equipa da Rock n´ Heavy, desejo o maior sucesso para a vossa carreira. Mantenham-se fiéis a vocês mesmos! Obrigado pelo vosso apoio.