free website stats program

Silverstein – I Am Alive in Everything I Touch

Os Silverstein têm vivido um percurso sólido pelo seu género de eleição, o Post-Hardcore de contornos melódicos, com oito álbuns editados e uma reputação sólida no meio underground, sobrevivendo a diversas mudanças de formação e às transformações da indústria, entregando trabalhos consistentemente sólidos e onde I Am Alive in Everything I Touch não é excepção.

O primeiro álbum com o novo guitarrista Paul Rousseau, que segundo testemunhos da banda foi dos principais compositores, não ocorre nenhuma re-invenção da banda, como esperado, antes um aprimoramento da fórmula por que eles se destacam e uma energia renovada, pautada por oscilações entre momentos de peso e vocais berrados e sensibilidades melódicas muito pronunciadas dentro da mesma música, como na eclética “Heaven, Hell and Purgatory”.

Enquanto álbum conceptual, o tema onde o CD se centra é em histórias desenroladas em quatro cidades que correspondem a quatro capítulos no disco, bem separados e tendo sempre uma estética pessimista e melancólica que assenta na perfeição nos instrumentais também eles ora negros ora intensos, dando vida às letras de Shane Told de forma irrepreensível, como se pode ver no viciante single “Face of the Earth” ou na claustrofóbica “Milestone” com o seu tom acusatório (“Now I’m dead/ you’ve put me in the ground./ Don’t deny your implication.”).

Esta conjugação torna-se ainda mais evidente nos momentos mais baladeiros do disco, em que a banda puxa pelo seu lado melódico de forma impecável, acompanhando letras de desgosto amoroso na emocionante “Late on 6th” (“I didn’t see the rain when it came down./You didn’t feel it then, I wish you’d feel it now.”)  ou na brilhante ode metropolitana que é “Toronto” a fechar o álbum com chave de ouro (“But I’m just passing through, /Barely a guest, a stranger in my own home).

No entanto, existem alguns momentos menos bem conseguidos, como no banal single “A Midwestern State of Emergency” ou no Pop Punk “meloso” e desinteressante de “Desert Nights”, mas que é compensado pela recta final que conta com a intensidade de “In The Dark” e o peso dos riffs de “Je me Souviens”.

Desta forma, o novo disco dos Silverstein não é apenas mais um marco sólido na sua carreira, sendo mesmo um dos melhores momentos da sua carreira e que eleva o Post-Hardcore a um novo patamar e em direcções mais excitantes num género que começava a dar sinais de perigosa estagnação eminente.